Paricá – Madeira de demanda garantida e lucro crescente

Crédito Edson Crocodilo

Publicado em 8 de dezembro de 2016 às 07h07

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h56

Acompanhe tudo sobre Celulose, Consorciação, Consórcio, Eucalipto, Lucro, Madeira, Nitrogênio, Nutrição, Paricá, Preparo de solo, Silvicultura e muito mais!

José Geraldo MAGESTE

Engenheiro florestal, Ph.D, professor de Solos e Nutrição de Plantas e Sistemas Agroflorestais(SAF´s) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU)

jgmageste@ufu.br

  Fernando Simoni Bacilieri

ferbacilieri@zipmail.com.br

Ernane Miranda Lemes

ernanelemes@yahoo.com.br

Engenheiros agrônomos e doutorandos em Fitopatologia Florestal – ICIAG-UFU

 Crédito Edson Crocodilo
Crédito Edson Crocodilo

Na região centro-sul do Brasil ocorre uma árvore de crescimento muito rápido (maior que o eucalipto) e tronco retilíneo, que facilmente alcança até 25 metros de altura, com até 40 cm de DAP (Diâmetro à Altura do Peito). Na primavera apresenta flores amarelas de singular beleza.

Sua madeira é facilmente trabalhável, seja para fabricação de paletes ou para caixotaria de maneira geral, além de colmeias. Nesta região ocorre o Schizolobiumparayba, também conhecido moeda ou tento (porque suas sementes são usadas para marcar jogos de truco).

Seu primo que ocorre e é intensamente cultivado na região Amazônica é conhecido como paricá, com nome científico semelhante, Schizolobiumamazonicum, Herb. da família Caesalpinaceae.

Ambos possuem morfologia semelhante emadeira com elevada cotação no mercado interno e externo. O segundo vem sendo bastante cultivado por empresas madeireiras da região norte e nordeste do País, principalmente nos Estados do Pará e Maranhão.

Levantamento econômico

O último levantamento realizado pelo IBGE, em 2012, estimou que o Brasil está cultivando em torno de 160.213 ha de paricá, mas neste momento a estimativa de área plantada é de cerca de 80.000 hectares somente no Pará, em sua maioria nos municípios de Dom Eliseu e Paragominas.

A evolução do paricá para reflorestamento no Estado do Pará se situa em índices de 18%, segundo Lentini (2005). A busca pela flexibilização da legislação e ampliação de linhas de crédito possibilitarão o aumento das áreas reflorestadas com o paricá naquele Estado.

Ultimamente vêm sendo implantados povoamentos também em Minas Gerais (Triângulo Mineiro), São Paulo e Goiás.

Mudas de paricá - Crédito Alessandro Lochinoski
Mudas de paricá – Crédito Alessandro Lochinoski

Características e vantagens de produzir paricá

O paricá, árvore de 20 a 30 m de altura e com tronco de até 80 cm diâmetro, ocorre em todo o Brasil, com exceção da região sul. Na floresta Amazônica está presente na mata primária e secundária de terra firme e várzea alta dos Estados de Rondônia, Amazonas, Pará e Mato Grosso, apresentando crescimento excessivamente rápido.

Sua madeira possui coloração branco-amarelo-claro, às vezes com tonalidade róseo-pálida. A sua superfície é sedosa e lisa, mais ou menos lustrosa, sendo muito utilizada na fabricação de forros, palitos e papel (Trindade et al., 1999).

O paricá apresenta rápido desenvolvimento em altura e em diâmetro e, por isso, está incluído na seleção de espécies de leguminosas para consórcios agroflorestais na Amazônia. O fato de ser uma leguminosa o torna bastante atrativo para cultivo em solos pobres, já que fixa nitrogênio do ar.

Muitos engenheiros florestais que trabalham com melhoramento florestal afirmam que se tivesse acontecido o mesmo esforço científico para o cultivo desta espécie (pesquisas em melhoramento genético, nutrição, silvicultura, proteção), nós seríamos os maiores cultivadores mundiais dela, e não do eucalipto. Ela facilmente pode substituir o eucalipto para produção de celulose e papel, além de muitos outros empregos.

O custo de implantação do paricá é de cerca de R$ 4,30 por planta - Crédito Edson Crocodilo
O custo de implantação do paricá é de cerca de R$ 4,30 por planta – Crédito Edson Crocodilo

Investimento

 

O custo médio para implantação e condução de um povoamento deparicá pode variar conforme a região do País, bem como as técnicas de preparo de solo e os tratos silviculturais adotados. De maneira geral, durante os quatro primeiros anos, no espaçamento de 04 x 04 m, no município de Dom Eliseu, o custo é cerca de R$ 4,30 por planta, correspondente a R$ 2.862,505 por hectare.

Existem relatos de que o custo médio de implantação e condução, durante quatro anos de um hectare de paricá no espaçamento 3,5 x 3,5 m, na microrregião Guamá (PA), foi de R$ 3.191,15. Nesta região existe escassez de mão de obra e o controle de plantas competidoras deve ser intenso, principalmente no primeiro ano. A urocloa, normalmente chamada de brachiária, tem capacidade imensa de promover o “abafamento“ das mudas.

Manejo florestal

A espécie se adapta bem ao clima equatorial semi-úmido, caracterizado por uma estação seca e outra chuvosa bem definidas, com pluviosidade predominantemente entre 1.500 e 2.000 mm/ano.

O desenvolvimento das plantas é fortemente influenciado pela estação do ano, em que a ocorrência das chuvas impulsiona uma explosão de crescimento acentuada, no entanto, a espécie não tolera solos alagados.

Essa matéria completa você encontra na edição de novembro/dezembro 2016  da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira já a sua para leitura integral.

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