Nitrogênio líquido de liberação lenta

Nitrogênio líquido de liberação lenta
Nitrogênio líquido de liberação lenta

Publicado em 25 de julho de 2019 às 17h51

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 15h43

Acompanhe tudo sobre Adubação, Aminoácido, Defensivo, Feijão, Nitrogênio, Oliveira, Plantio, Pulverização, Solo e muito mais!

Autores

Leandro Oliveira Campos
Pós-graduando em Bioenergia e Grãos – IF Goiano, Campus Rio Verde
Lucas Anjos Souza
Professor – Polo de Inovação em Bioenergia e Grãos – IF Goiano, Campus Rio Verde
lucas.anjos@ifgoiano.edu.br
Créditos Shutterstock

O nitrogênio (N) é o nutriente mineral mais limitante ao crescimento e desenvolvimento vegetal. Esse nutriente é fundamental porque é utilizado para síntese de aminoácidos, proteínas, enzimas, clorofila, e ácidos nucleicos. Portanto, é considerado extremamente importante para a produção de qualquer produto agrícola (Mocellin, 2004).

Para as plantas

Na prática agronômica, a forma mais utilizada para disponibilizar o nitrogênio é a ureia (CH4N2O), que após ser metabolizada no solo libera amônia (NH3), que é convertida a amônio (NH4+).

O amônio gerado pode ser absorvido pelas plantas ou sofrer nitrificação, cujo produto final é o nitrato (NO3-), que também é absorvido pelas plantas. Portanto, as duas principais formas de N inorgânica absorvíveis e disponíveis no solo são o amônio e o nitrato (Zabini et al., 2008).

Não obstante, as seguintes fórmulas também disponibilizam N: sulfato de amônio – (NH4)2SO4, nitrato de amônio – NH4NO3, monoamônio fosfato – NH4H2PO4 e diamônio fosfato – (NH4)2HPO4 (MAC, 2004). 

Vantagens da liberação lenta

A liberação do nitrogênio de maneira lenta permite suprir o nutriente de forma gradativa, garantindo a permanência do nutriente por mais tempo e evitando as frequentes perdas por lixiviação e/ou volatização. No mercado já existem alguns produtos que variam de 11 a 25% de N solúvel de metabolização liberação controlada com alta tecnologia de metabolização gradativa, desenvolvidos para suprir deficiências de nitrogênio, que nutre as plantas durante semanas.

Outro fertilizante, contendo 19% de N solúvel, libera o nutriente gradualmente por até 90 dias, sendo 30% liberado de maneira imediata e os demais 70% liberado gradualmente. Adicionalmente, alguns desses produtos contém formas orgânicas de N, como aminoácidos livres, substâncias húmicas e, também, aditivos que melhoram a performance do produto, contribuindo para o aumento da produtividade dos cultivos.

Outra vantagem, segundo Pacentchuk et al. (2014), é que os fertilizantes líquidos possuem uma grande facilidade de aplicação e custos relativamente baixos, principalmente se a pulverização for associada a defensivos.

Culturas beneficiadas

Algumas pesquisas evidenciam resultados positivos para as culturas de soja, milho e feijão, em que foi observado destaque na utilização de novas tecnologias na busca de aumento de produtividade.

No Maranhão, Estado localizado na região conhecida como MATOPIBA (que abrange o Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), produtores afirmam que conseguiram bons resultados com a utilização da nova tecnologia, chegando a obter cerca de cinco sacas a mais de milho por hectare, mesmo com a falta de chuvas na região. Outros chegaram a obter um aumento de cerca de 20% de produtividade.

Estudos realizados por Pacentchuk et al. (2014) nas culturas de soja, milho e feijão mostraram que a utilização de nitrogênio líquido de liberação lenta contribuiu significativamente para o aumento da produtividade com o uso do fertilizante foliar de liberação lenta. Ainda é possível notar coloração foliar verde mais intensa, relacionada ao maior vigor da planta.

Custo envolvido

O custo da tecnologia está diretamente relacionado à marca do produto escolhido para ser utilizado pelo produtor, os quais possuem grande variação de preços em função da marca e garantias do fabricante. Nesse sentido, o produtor precisa receber uma recomendação técnica que associe o valor investido x o retorno esperado com o aumento da produção, resultado que tem sido relatado por diversos produtores.

Viabilidade

Como já mencionado, por se tratar de uma forma líquida prontamente disponível para a planta, o produtor pode tomar a decisão de realizar a aplicação de acordo com a demanda de sua cultura após a realização de análise do estado nutricional das plantas. Nesse sentido, a aplicação funciona como uma complementação à adubação de plantio e compensa as perdas naturais a que o fertilizante nitrogenado está sujeito.

É bom lembrar que o produtor deve sempre seguir as instruções de fabricante e ter assessoria técnica para realizar a aplicação.

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Novo combo de uvas tintureiras reforça produção de sucos e vinhos brasileiros

2

Dicas para fazer uma horta doméstica no feriado

3

Aquishow Brasil 2026 volta a Uberlândia (MG) para fomentar a piscicultura no Triângulo Mineiro e região

4

Fungo amazônico pode controlar doenças agrícolas e gerar novos antibióticos

5

Uso de bioinsumos eleva em mais de 8% a produtividade da soja no Paraná

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

Fixação Biológica do Nitrogênio é pilar de sustentabilidade na produção de soja. Foto: Antonio Neto

Uso de bioinsumos eleva em mais de 8% a produtividade da soja no Paraná

Fotos: Koppert Brasil

Trichodermil FS®: a evolução do tratamento biológico de sementes

Evento na Embrapa Soja sobre os desafios da liderança brasileira na produção mundial da soja, discutindo sustentabilidade e regulamentações.

Tour da Soja: Apta Regional de Brotas realiza evento técnico voltado à inovação na cultura da soja

Mercado de defensivos agrícolas no Brasil deve encerrar o ciclo de 2025 com expansão da área PAT

Área tratada por defensivos agrícolas deve encerrar ciclo 2025 com alta de 6,1%