Mini-escavadeira na abertura de terraços em café

A abertura de terraços estreitos em ruas de cafezais vem se expandindo muito nos últimos anos nas zonas montanhosas, pois tem sido uma prática muito adequada para viabilizar a mecanização dos tratos e da colheita do café, reduzindo os custos de produção.

Publicado em 9 de maio de 2022 às 10h12

Última atualização em 9 de maio de 2022 às 10h12

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Crédito BSCA

José Braz Matiello
Engenheiro agrônomo – Fundação Procafé
J.R. Dias
Lucas Franco
Lucas H. Figueiredo
Engenheiros agrônomos – Fazendas Sertãozinho

A abertura de terraços estreitos em ruas de cafezais vem se expandindo muito nos últimos anos nas zonas montanhosas, pois tem sido uma prática muito adequada para viabilizar a mecanização dos tratos e da colheita do café, reduzindo os custos de produção.
Nessas áreas, o manejo normal das lavouras ocorre por meio de operações manuais, que são custosas, e ainda existem dificuldades de obtenção da mão de obra necessária. Sabe-se que é preciso um investimento inicial no terraceamento, porém, o seu retorno é rápido, pela facilidade e economia nas práticas de manejo usadas durante toda a duração da lavoura.
As experiências de abertura de terraços, obtidas em algumas centenas de hectares de lavouras de café terraceadas, acompanhadas nos cinco últimos anos, mostram que os sistemas de construção mais seguros e de bom rendimento têm sido com uso de trator de esteira estreito, munido de lâmina dianteira, ou o emprego de mini-escavadeiras.
As mini-escavadeiras estão mais disponíveis localmente nas regiões cafeeiras, pois são muito usadas em trabalhos na construção civil. Já os tratores de esteira estreitos são encontrados apenas em certas regiões.

Características

As escavadeiras usadas no terraceamento são mini-escavadeiras, do tipo hidráulica, com esteira de borracha. Elas têm “mini” no nome, mas possuem potência suficiente para escavação e deslocamento de terra, operações necessárias na abertura de terraços.
Elas são ideais, especialmente em menores espaçamentos, pois são bem estreitas e, por isso, podem operar em locais mais apertados nas ruas do cafezal. Além disso, podem operar uma broca perfuratriz, para abertura das covas de café, no espaço entre dois terraços.
A mini-escavadeira é compacta e leve, fácil de ser transportada. Ela possui uma lança dianteira, terminando com uma concha, a qual escava e desloca a terra. Na sua frente possui uma lâmina estreita, que fica perto do nível do solo e, se abaixada, aumenta a estabilidade da máquina durante a escavação. Essa lâmina também é usada para empurrar a terra solta e acertar a superfície do terraço, com possibilidade de rotacionar até 360º.

Opções

Os fabricantes ou marcas das mini-escavadeiras são vários, sendo os mais comuns da Yanmar, BobCat, Case IH, Sany e outras. Os modelos variam do peso, de cerca de 1.000 até 3.200 kg e a potência de 8, 12, 15, 20, até 30 HP.
As conchas desses modelos têm capacidade variando de 20, 40, 60 até 100 litros, de acordo com o aumento da potência. As maiores têm maior rendimento. Quanto à largura ou bitola, varia das menores para as maiores, de 0,68 m até 1,5 m. Alguns modelos têm essa largura ajustável.
A abertura dos terraços pode ser feita antes do plantio de café ou em lavouras já implantadas. A largura dos terraços vai variar conforme os equipamentos que serão utilizados em seguida, nos tratos da lavoura. Também podem variar conforme o espaçamento das lavouras. O mais comum são terraços de 1,5 a 1,70 m, porém, em lavouras adensadas essa distância pode ser reduzida.

Dicas

Para manter uma boa distância lateral, entre o terraço e a linha de cafeeiros, é importante que a lavoura tenha espaçamento na rua de cerca de 3,5 m, no mínimo 3,0 m. Outra coisa importante é que as áreas não devem ser excessivamente inclinadas, pois resultarão em um barranco muito alto.
Nesse sentido, para reduzir a altura do barranco, a superfície do terraço não precisa ficar absolutamente nivelada, podendo ter uma leve caída para baixo, de cerca de 5 – 7% até 10%. O rendimento operacional da mini-escavadeira varia conforme a declividade, sendo mais demorado terracear áreas mais declivosas, pois requerem maior corte e deslocamento de terra.
Também varia conforme o espaçamento da lavoura, do tipo de máquina (potência e tamanho da concha) e da experiência do operador. Pode-se ter uma ideia, em condição média, de um uso de cerca de 15 – 25 horas de máquina por hectare. O serviço pode ser contratado de empresas prestadoras, ou realizado pelo próprio produtor.

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