Mercado de nanocelulose cresce de forma acentuada

Com o aumento das discussões acerca dos temas ambientais e a preferência por métodos de produção renováveis, a indústria de celulose e papel está cada vez mais atenta com o meio ambiente e passa a ampliar o uso de tecnologias sustentáveis
Laboratório - Foto: Embrapa-Florestas

Publicado em 24 de setembro de 2020 às 15h22

Última atualização em 24 de setembro de 2020 às 15h22

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Laboratório – Foto: Embrapa-Florestas

Com o aumento das discussões acerca dos temas ambientais e a preferência por métodos de produção renováveis, a indústria de celulose e papel está cada vez mais atenta com o meio ambiente e passa a ampliar o uso de tecnologias sustentáveis. De acordo com relatório da MarketsandMarkets, empresa especializada em pesquisa de oportunidades emergentes, o crescimento global do mercado de nanocelulose será de 297 milhões de dólares em 2020. E até 2025 poderá aumentar para 783 milhões dólares.

Os produtos feitos a partir da nanocelulose, especificamente da celulose microfibrilada (MFC), são uma realidade em diversos setores. As fibras abaixo de 0.2 milímetros podem ser empregadas em etapas das indústrias de papel, agricultura, beleza, alimentos, têxtil, construção civil e podem, até mesmo, atuar como espessante e emulsificante no preparo de álcool antisséptico e álcool em gel, substituindo o carbômero, produto químico importado, pela fibra 100% celulósica. A MFC é sustentável, oriunda de um recurso renovável, e pode ser totalmente reciclada.

A Valmet, líder mundial no desenvolvimento e fornecimento de tecnologias, automação e serviços para os setores de celulose, papel e energia, é também pioneira em testes e refinação da fibra e segue investindo em inovações relacionadas à nanocelulose e MFC – mercados prósperos no Brasil e no mundo.

Desde outubro de 2019, são realizados testes na planta de MFC no Parque de Plantas Piloto da Klabin, na Unidade Monte Alegre, em Telêmaco Borba (PR), na primeira planta compartilhada de extração de lignina e MFC do mundo, fornecida pela multinacional finlandesa.

“A partida da planta foi muito boa e, desde outubro de 2019, vem performando de maneira eficiente. Desenvolvemos, em parceria com a Klabin, uma área de refino, que é a alma da tecnologia de obtenção de MFC. Nosso modelo de disco de refinador atende ao objetivo da empresa de micromizar ainda mais a fibra, com alta qualidade e menor consumo de energia. Atualmente, chegamos ao ápice dentro de uma linha de MFC, que é mais de 100% de refino, ou seja, atendemos ao que foi planejado para a planta”, explica o especialista em Produtos de Refinação da Valmet América do Sul, Roberto Franchini.

Pilares

Para o diretor de tecnologia industrial, inovação, sustentabilidade, projetos e P&D da Klabin, Francisco Razzolini, o MFC produzido na Unidade Monte Alegre abriu caminho para novos mercados além do papel para embalagem – área na qual a Klabin é líder na produção no Brasil e para exportação.

“Conseguimos fazer com que a MFC entrasse na composição do álcool em gel, com parcerias tecnológicas com outros centros de pesquisa, e chegamos a um produto que pode auxiliar nesse momento de crise pela pandemia provocada pela Covid-19  e que abre caminho para avançarmos em formulações sustentáveis para cosméticos”, comenta Razzolini.

A Klabin também possui planos para utilização da celulose microfibrilada em cartão para embalagem. “Estamos realizando testes em escala industrial para validar que a MFC tem uma performance diferenciada, e que confere melhor qualidade e desempenho aos nossos papéis e cartões. Os testes vão na direção de melhoria de performance tecnológica dos nossos produtos, e estamos até o momento bastante positivos com os resultados da MFC”, finaliza Razzolini.

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