Manejo preventivo e consciente é o ideal

Nas últimas safras, além dessa mancha foliar, outro patógeno tem crescido em importância nas lavouras de soja safra: o crestamento foliar de cercospora (Cercospora spp.).

Publicado em 11 de maio de 2022 às 10h53

Última atualização em 11 de maio de 2022 às 10h53

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Crédito: João Ascari

A produção brasileira de grãos enfrenta grandes desafios em função das condições climáticas que são favoráveis aos cultivos, mas que também possibilitam o bom estabelecimento e desenvolvimento de pragas e doenças.
E nas últimas safras, além dessa mancha foliar, outro patógeno tem crescido em importância nas lavouras de soja safra: o crestamento foliar de cercospora (Cercospora spp.).
No sistema de produção soja/algodão ou no cultivo de espécies de crotalária, há a multiplicação de inóculo do patógeno, que pode incidir de uma safra para outra, pois são duas culturas hospedeiras do fungo.
Na primeira safra 2021/22 foi observado maior volume de precipitação e melhor distribuição das chuvas ao longo do período. As condições favoráveis para o desenvolvimento da mancha alvo ocorrem durante a fase reprodutiva da cultura, quando há o fechamento do dossel.
E entre os fatores que aumentam a severidade da doença no campo estão as condições prolongadas de alta umidade (> 85%), com períodos de molhamento foliar de 48 horas e as temperaturas elevadas. “Com a presença de inóculo na área, multiplicado pela cultura antecessora, e características ambientais favoráveis, tivemos a incidência do patógeno e a evolução da severidade da doença”, destaca a pesquisadora da área de Fitopatologia da Fundação MT, Karla Kudlawiec.
A especialista explica que, além do acompanhamento das previsões climáticas para a safra, o produtor deve considerar no planejamento fatores relacionados à escolha do material genético, levando em conta os diferentes níveis de sensibilidade à ocorrência de mancha alvo. Também, deve lançar mão das estratégias de controle químico e biológico na definição do manejo de condução da lavoura de soja.
“O inóculo do fungo Corynespora cassicola, presente nos restos culturais, atinge as primeiras folhas do terço inferior da planta por meio dos respingos de chuva. A partir da infecção inicial, novos esporos são conduzidos nos extratos da planta, alcançando o terço médio e até o terço superior. Sendo assim, é importante proteger todo o dossel, principalmente as folhas mais próximas ao solo. Para isso, recomendamos que a aplicação seja realizada em pré-fechamento de entrelinha,” explica a pesquisadora.

Crestamento de cercóspora

A ocorrência de crestamento de cercospora, causada pelo fungo Cercospora spp., tem despertado atenção de produtores e especialistas. Nas últimas safras, houve aumento da incidência e na severidade da doença nas áreas de soja.
Para os pesquisadores, o desafio é compreender como cada espécie se comporta e a predominância em cada região do Estado e do Brasil. “Acreditamos que existem diferenças entre as espécies, que podem ocorrer simultaneamente em condições de campo. Instituições de pesquisa e universidades têm trabalhado para entender as diferenças de patogenicidade de cada uma”, detalha a pesquisadora da Fundação MT.
O complexo de manchas foliares incidente nas lavouras de soja pode reduzir a produtividade e a qualidade dos grãos. Dentre as estratégias de controle para mancha alvo são preponderantes o plantio de cultivares menos sensíveis ao ataque do patógeno, o uso de sementes sadias, a rotação e sucessão de culturas com gramíneas, o tratamento de sementes e o controle químico. Já para crestamento de cercospora, o uso de fungicidas é uma importante ferramenta no manejo.

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