Importação de defensivos químicos atinge US$ 4,28 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026

Detalhamento das compras externas exibe mercado em ajuste, com retração de 6,8% no valor e queda no volume e no preço médio, segundo dados do CropData; produtos genéricos têm maior participação nas importações
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As importações brasileiras de defensivos químicos atingiram US$ 4,28 bilhões entre janeiro e maio de 2026. O valor é 6,8% menor em relação ao mesmo período de 2025 (US$ 4,59 bilhões). Desse montante, destaque para a entrada de produto formulado, que atingiu US$ 1,4 bilhão, pouco mais de um terço. O mesmo ocorre em volume: as importações reduziram 6,5% no mesmo período, saindo de 537,3 mil toneladas para 502,6 mil toneladas. O detalhamento das compras externas exibe um mercado de defensivos em ajuste, com redução de preços médios e maior participação de produtos genéricos nas importações. O balanço é do CropData, portal de dados da CropLife Brasil, que passa a incorporar três funcionalidades inéditas no segmento de Químicos — Importação de Produto Formulado, Importação por Ingrediente Ativo e Comercialização.

“O recuo não significa menos proteção no campo. Os dados revelam uma mudança na composição das compras do Brasil, com crescente participação de produtos genéricos, os pós-patente, amplamente disponíveis no mercado global. Com margens apertadas, endividamento e crédito comprometido pelas recuperações judiciais, o produtor está diversificando o portfólio. O país enfrenta gargalos na aprovação de novas tecnologias, com um dos prazos de registro mais longos entre as grandes agriculturas do mundo. Quando a inovação chega com atraso, o mercado se orienta para o que já está disponível. O avanço dos genéricos tem também uma leitura regulatória, que precisa de maior previsibilidade”, analisa o gerente executivo da CropLife Brasil, Renato Gomides.

Importação Produto Formulado

Nesta funcionalidade, o usuário poderá identificar o desempenho comercial (valor, volume e preço médio) dos produtos formulados, por classificação de segmento (acaricidas, domissanitário, fungicidas, herbicidas, inseticidas, nematicidas e reguladores de crescimento), ingrediente ativo e os cinco principais países de origem das entradas. No caso dos formulados, os herbicidas tiveram maior destaque nas importações brasileiras, com US$ 471 milhões e 112 mil toneladas, contudo tanto valor, quanto volume e ticket médio são marcados por retração entre 2025 e 2026. Na sequência, estão os inseticidas com US$ 295 milhões, e os fungicidas com US$ 249 milhões, também em queda.

“Os herbicidas representam 34% do valor e quase 45% do volume dos produtos formulados importados nos cinco primeiros meses de 2026. O protagonismo é antes de tudo agronômico. Plantas daninhas competem com a lavoura por água, luz e nutrientes. E no Brasil, com o plantio direto amplamente adotado, o controle químico é insubstituível. Elimina o revolvimento mecânico do solo, prevenindo erosão e compactação. O produtor tem ampliado aplicações e o uso de pré-emergentes para garantir eficiência no manejo, especialmente no sistema soja, milho e algodão, onde a proteção nos estágios iniciais é decisiva para a produtividade”, destacou Gomides, quanto a classe dos herbicidas.

Quando observada a origem das compras, a China é o principal país das importações brasileiras de herbicidas formulados, com 72% do valor (US$ 338 milhões) e 90% do volume total (100 mil toneladas). Do ponto de vista do valor, os Estados Unidos e a Alemanha estão na sequência com 10% (US$ 47 milhões) e 5% (US$ 26 milhões), respectivamente. Já em volume, o país asiático é seguido pelos EUA e Índia.


Importação por Ingrediente Ativo

Já na segunda nova funcionalidade da plataforma é possível analisar as importações dos defensivos químicos por até 19 ingredientes ativos, comparando produto formulado e produto técnico. As informações permitem análise por valor, volume e preço médio, além dos cinco principais países de origem das entradas.

Comercialização

A terceira funcionalidade inédita do segmento de químicos exibe a comercialização de produtos formulados no mercado interno brasileiro, a partir da base estatística do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). O dado disponível (2024) aponta que o Brasil vendeu 826 mil toneladas de produtos formulados. Considerando a produção de até três safras e extensão agrícola do país com grãos, café, cana-de açúcar, hortifrutigranjeiro e áreas com eucalipto e pinus, as vendas dos defensivos químicos totalizaram 7,73 kg/ha em 2024. Este indicador de volume e métrica por hectare é utilizado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) para estimar o consumo do produto no país.

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