Fertilizante inteligente na produção de mudas de pinus

O sucesso de plantios florestais de caráter ambiental e/ou silvicultural depende, dentre outros fatores, da qualidade das mudas que serão utilizadas. Diversos são os parâmetros que definem uma muda de qualidade, destacando-se o bom estado nutricional, obtido via absorção dos nutrientes presentes no substrato.

Publicado em 9 de maio de 2019 às 14h27

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h53

Acompanhe tudo sobre Adubação, Água, Fertirrigação, Nitrogênio, NPK, Pinus, Plantio, Silvicultura, Substrato, Viveiro e muito mais!

Autores

Giovanna Campos Mamede Weiss de Carvalho
Engenheira agrônoma – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF)
David Pessanha Siqueira
Mestre em Produção Vegetal – UENF
pessanhasdavid@hotmail.com

O sucesso de plantios florestais de caráter ambiental e/ou silvicultural depende, dentre outros fatores, da qualidade das mudas que serão utilizadas. Diversos são os parâmetros que definem uma muda de qualidade, destacando-se o bom estado nutricional, obtido via absorção dos nutrientes presentes no substrato.

A produção de mudas com condições nutricionais adequadas está diretamente relacionada com a maior resistência das mesmas as variações climáticas após o plantio no campo, maior tolerância a pragas e doenças e também a matocompetição.

 A adubação consiste em um dos tratos culturais de grande relevância para o desenvolvimento adequado das mudas, pois promove incrementos no crescimento e, portanto, na qualidade das mudas.

Soma-se a este o fato de que, em geral, apenas os substratos não são capazes de suprir satisfatoriamente a demanda de nutrientes das diversas espécies florestais. Desse modo, a complementação nutricional se tornou uma prática comum em viveiros, por meio da aplicação de fertilizantes, fornecendo os nutrientes prontamente disponíveis para as plantas.

Em viveiros florestais, a adubação deve ser cautelosa, uma vez que as espécies possuem exigências nutricionais diferentes, bem como tempos variáveis de permanência nos viveiros antes do plantio no campo, o que dificulta uma recomendação de adubação padrão para atender todo os viveiros.

Recomendações

Devido aos diferentes tamanhos dos recipientes utilizados na produção de mudas, bem como o fornecimento de água, muitas vezes de forma irregular, os nutrientes já presentes no substrato e os aplicados por meio da fertilização podem ser lixiviados, ou seja, perdidos pela água de irrigação.

A fim de minimizar essas perdas e aumentar a eficiência dos adubos, estes devem ser aplicados de forma parcelada. Entretanto, este manejo pode resultar no aumento dos custos de produção das mudas, em função do aumento das operações de aplicação que requerem, igualmente, maior mão de obra.

Nesse sentido, uma alternativa que vem ganhando destaque são os fertilizantes de liberação lenta, também conhecidos como fertilizantes inteligentes, os quais promovem a liberação dos nutrientes para as plantas de forma gradual, ou seja, são liberados aos poucos durante o período de crescimento das mudas, quando comparados aos fertilizantes minerais convencionalmente utilizados.

A melhor maneira para aplicação dos adubos de liberação lenta é ainda no preenchimento dos recipientes. Em geral, o adubo deve ser misturado ao substrato e, quando a espécie for semeada diretamente ou transplantada para o recipiente, o mesmo já conterá os grânulos do adubo por todo o recipiente.

Isso permite o contato do sistema radicular da muda com os nutrientes ao longo do seu desenvolvimento, o que facilitará que a mesma receba nutrientes constantemente e por um período maior de tempo, melhorando a qualidade final da muda na fase de expedição do viveiro.

Esses adubos são fabricados e comercializados em diferentes formulações, mas em geral são constituídos pelos macronutrientes nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), podendo também conter alguns micronutrientes.

Adubação inteligente

A liberação gradual dos nutrientes ocorre devido à composição do revestimento dos grânulos do adubo. À medida que o fertilizante entra em contato com a água/umidade contida no substrato, há uma resina presente na membrana de revestimento do adubo que vai gradativamente sendo dissolvida e, concomitantemente liberando, aos poucos, os nutrientes presentes no fertilizante.

Além da umidade, a liberação também está diretamente relacionada com a temperatura. Desse modo, a umidade e/ou temperatura elevadas acarretam na rápida e maior liberação dos nutrientes, podendo ocorrer entre três e 18 meses, dependendo também da espessura da resina. A durabilidade do adubo de liberação lenta relacionada com os elementos climáticos deve ser observada pelo viveirista quando optar utilizar esses adubos, garantindo que a muda estará recebendo nutrientes durante o tempo necessário.

Cuidados

Não há relatos de prejuízos para o crescimento de nenhuma espécie com o uso dos adubos de liberação lenta, desde que utilizados em doses moderadas, assim, o mesmo pode ser usado na produção de muda de qualquer espécie.

Para a produção de mudas de pinus (Pinus taeda L.), a utilização do fertilizante inteligente é recomendada para a produção de mudas da espécie, sendo observado, com a utilização do mesmo, incrementos no diâmetro do caule, na altura e na massa seca da parte aérea das plantas. Entretanto, a utilização de doses elevadas pode gerar mudas com qualidade inferior, sendo este fato ocasionado pelo excesso de nutrientes, além de onerar os custos das mudas produzidas.

Desta forma, esses adubos requerem adequação das doses conforme sistema de produção e demanda nutricional das espécies, visando uma produção econômica, bem como a otimização do uso deste insumo.

Custo

Apesar do alto custo de aquisição dos fertilizantes de liberação lenta em comparação aos tradicionais, estes podem ser economicamente viáveis para uso em viveiros florestais devido à possibilidade de redução de investimentos em sistemas de fertirrigação e redução no custo operacional da muda, tendo em vista que não se faz necessária mão de obra para adubações periódicas, fazendo com que o preço de venda das mudas fique mais atrativo.

Apesar disso, a relação custo-benefício deverá ser avaliada por cada viveirista e suas condições locais de trabalho, avaliando a viabilidade financeira para adotar os adubos de liberação lenta no sistema de produção.

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