A sequência de pesquisas científicas, em quase uma década e meia, apresenta estudo que identifica genótipos de novas cultivares de pastagem; com variabilidade genética para maior produtividade de forragem, quantidade de carne e rendimento econômico.
No estudo da engenheira agrônoma Estela Gonçalves Danelon ficou constatado que a técnica aplicada, a multigênese, constitui abordagem eficiente para vencer barreiras reprodutivas de forrageiras tropicais.
“Os genótipos identificados apresentam elevado potencial para o desenvolvimento de novas cultivares, contribuindo para a sustentabilidade e competitividade da produção da pecuária nacional em pastagem”, diz a autora.
O orientador Dr. Nelson Barbosa Machado Neto conta que em 14 anos do projeto, visando gerar genótipos com potencial agronômico superiores aos que já existiam antes, apresentou resultados muito interessantes.
“Isso ocorre tanto na produção de novos materiais em outras espécies que gente ainda não tinha trabalhado antes, quanto na confirmação da técnica que a gente está usando para criar sexualidade nas plantas e facilitar o de melhoramento de forrageiras”, pontua.
Novos cultivares
“A gente determina que alguns dos materiais selecionados durante os anos são sexuais; o que significa que podem cruzar e gerar novos cultivares de forrageiras no país. Algo que geralmente não é conseguido com forrageiras”, explica.
Conforme o orientador, tudo isso representa ganho, permitindo que abra a variabilidade genética que antes não conseguia ser trabalhada. “Para o homem do campo significa maiores produtividade de forragem, quantidade de carne e rendimento econômico”, diz.
Envolvida no projeto há anos, desde a iniciação científica na graduação e passando pelo mestrado e doutorado, Estela desenvolveu a tese “Seleção e caracterização de mutantes de Urochloa: melhoramento genético em pastagens tropicais”.
Produção cientifica leva à defesa pública na quinta-feira (30), junto ao Programa de Pós-graduação em Agronomia (PPGA) da Unoeste, onde construiu toda a sua carreira acadêmica e foi aprovada para receber o título de Doutora em Agronomia.
Com orientação do Dr. Nelson e coorientação da Dra. Ceci Castilho Custódio, a tese de Estela foi examinada pelos avaliadores internos Dr. Tiago Aranda Catuchi e Dr. Marcelo Volf, ambos vinculados ao PPGA.
A avaliação externa foi da Dra. Alessandra Ferreira Ribas, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), de Curitiba; e Dr. Tiago Benedito dos Santos, profissional autônomo radicado em Londrina.

Homéro Ferreira

Homéro Ferreira
Forrageiras tropicais
O estudo levou em consideração que a pecuária brasileira fundamenta-se predominantemente em sistemas de produção a pasto, com as forrageiras tropicais representando a principal fonte de nutrientes.
Com isso, a eficiência e a sustentabilidade dos sistemas dependem da qualidade fisiológica das sementes, da diversidade genética e da adaptação das plantas às condições edafoclimáticas.
O estudo diz também que as espécies do gênero Urochloa, como a brizantha e humidicola, conhecidas como braquiária, desempenham papel central no Brasil devido a elevada resiliência a solos ácidos, baixa fertilidade e estresses hídricos.
Porém, ainda de acordo com o estudo, o melhoramento genético dessas gramíneas enfrenta limitações severas associadas à apomixia predominante e à poliploidia, fatores que restrigem a recombinação gênica e a variabilidade disponível para seleção.
Diante do que, a autora apresenta como gargalo biológico, a indução de mutações aliada à caracterização morfológica, fisiológica e molecular surge como estratégia promissora para gerar genótipos com potencial agronômico superior.
Materiais promissores
Então, o estudo avaliou variabilidade de mutantes derivados das cultivares Tully, Llanero e Conda, Urochloa humidicola e marandu, visando identificar materiais promissores para programas de melhoramento genético de forrageiras tropicais.
Conforme consta da tese, a metodologia envolveu a indução de mutações via agente químico metilmetanosulfonato, seguida pela análise da diversidade genética por marcadores moleculares.
Os resultados confirmaram a eficácia da mutagênesse na ampliação da diversidade em espécies apomíticas, revelando diferenças expressivas em caracteres como hábito e crescimento, morfologia folear, pilosidade e perfilhamento.
Mutantes de Tully exibiram ampla plasticidade, variando entre os hábitos prostrado, cespitoso e estolonífero, enquanto os derivados de Llanero destacaram-se pela capacidade de rebrota e tolerância ao pisoteio.
Os genótipos Conda demonstraram características favoráveis à produtividade e resiliência ao déficit hídrico. A análise molecular detectou poliformismos significativos, especialmente em Urochloa brizantha, evidenciando variações genômicas entre mutantes e parentais.
Em linguagem técnico-científica, a tese destaca que a mutagênese constitui uma abordagem eficiente para romper barreiras reprodutivas de forrageiras tropicais, com genótipos de elevado potencial para o desenvolvimento de novas cultivares.