Distribuidores de insumos buscam a antecipação de recebíveis

O aumento na contratação de financiamentos decorreu da elevação dos custos de produção.

Publicado em 23 de março de 2023 às 12h09

Última atualização em 23 de março de 2023 às 12h09

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No agronegócio, a compra a prazo é a principal ferramenta que a cadeia de distribuição de insumos tem para apoiar o produtor rural, que demanda um alto investimento para o plantio e só tem o retorno na colheita. Uma das operações mais utilizadas e conhecidas é o Barter, por meio da qual o produtor consegue os insumos para iniciar a safra e só paga a prazo, com parte da colheita.

Créditos: Unsplash

Esse cenário, apesar de vantajoso para o produtor rural, pode representar riscos para o distribuidor, que recebe só no final da safra e acaba ficando exposto a riscos, entre eles uma possível quebra de safra, que pode ocorrer principalmente por questões climáticas. Além do risco, o distribuidor também vai precisar de uma fonte de financiamento para que consiga cumprir o seu papel de financiador do produtor rural, dado que ele é, por essência, um intermediário entre a indústria e a ponta.

Diante desse cenário, o mercado tem percebido um aumento na procura pelo serviço de antecipação de crédito, em que o distribuidor “vende” seus recebíveis, como CPRS, duplicatas e notas promissórias, para os fundos de investimentos.

Na operação, esses recebíveis são analisados por tecnologias e negociados no mercado de capitais, que paga à vista para o distribuidor; este, por sua vez, recebe no início da safra. Isso faz com que, ao comprar os insumos de uma indústria à vista, por exemplo, ele possa negociar descontos. Outra vantagem é que o distribuidor compartilha com o mercado de capitais o risco de inadimplência ou de quebra de safra; ou seja, se o produtor não conseguir arcar com o pagamento, a responsabilidade passa a ser do fundo.

O distribuidor hoje acaba sendo um dos principais financiadores do agronegócio. Teoricamente, toda essa cadeia funciona quando ele consegue comprar a prazo para vender a prazo, porém, o que estamos vendo acontecer são os limites de crédito de fornecedores ficando cada vez mais restritos. Além disso, alguns insumos como fertilizantes e sementes também exigem um bom caixa para compra à vista. A antecipação ajuda os distribuidores a monetizar os próprios recebíveis para atender suas negociações com fornecedores cujo limite não acompanhou o mercado; e negociar à vista fertilizantes e sementes, por exemplo“, explica Gustavo Cansian, coordenador comercial da TerraMagna, empresa que leva crédito para o setor, considerada uma das maiores fintechs do agronegócio na América Latina.

A Agrofarm, que atua no agronegócio desde 2003, é uma das distribuidoras de insumos que utilizam o serviço. Com lojas nos estados do Tocantins e do Maranhão, eles atendem produtores rurais de toda a região. A empresa afirma que a antecipação de crédito garante o crescimento no negócio. 

Todo o processo de antecipação de crédito foi fácil, rápido e com todo o suporte necessário. Com isso, conseguimos fazer mais operações com os clientes e fornecedores“, explica Janaína Morais, analista administrativa da Agrofarm.

Buscar novas formas de financiamento é cada vez mais importante para manter o agronegócio no protagonismo da economia do Brasil e como referência para o mundo.  

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