Cresce o uso de biológicos na proteção de cultivos

Publicado em 25 de outubro de 2016 às 14h58

Última atualização em 25 de outubro de 2016 às 14h58

Acompanhe tudo sobre Ácaro, Algodão, Café, Cana-de-açúcar, Controle biológico, Defensivo, Hortifrúti, Lagarta, Mosca, Mosca-branca, Nutrição, Oliveira, Percevejo, Sustentabilidade, Trichogramma e muito mais!

Os biológicos devem registrar alta entre 15 e 20% nas vendas dos próximos anos, segundo projeção da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio). De acordo com o órgão, hoje cerca de 51 empresas detêm registros de produtos biológicos no País, comercializando cerca de 118 soluções

Crédito Flávio Medeiros
Crédito Flávio Medeiros

O mercado mundial de defensivos agrícolas biológicos tem registrado índices de crescimento cinco vezes superior ao da indústria de defensivo químico, ao longo dos últimos cinco anos. Segundo dados consolidados pela CPL Business Consultantes, de 2011 a 2014 o mercado mundial desses produtos teve crescimento médio anual de 15,3%.

A tendência não é diferente no Brasil, onde a percepção é de que as vendas desse setor cresçam entre 15 a 20% nos próximos anos, segundo dados da ABCBio ” Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico.

“Sabemos que o mercado de biodefensivos corresponde a aproximadamente 2% do mercado global. No Brasil, o valor é ainda mais incipiente: próximo a 1%. Entretanto, quando consideramos o fato de ser recente a regulamentação desta tecnologia no Brasil ” primeiro registro de produto é de 2009 “, a projeção é de destaque. Devemos também considerar que a proporção do consumo varia de acordo com o tipo de cultivo, região e tecnologia empregada“, considera Pedro Faria Jr., presidente da ABCBio.

Já em relação às culturas, hoje os defensivos biológicos são empregados no cultivo de cana-de-açúcar, soja, milho, algodão, café e hortifrúti.

Falsa-medideirasendo predada - Crédito Lucia Vivan
Falsa-medideirasendo predada – Crédito Lucia Vivan

Custos agrícolas

Boa parte dos custos de produção da agricultura corresponde ao uso de insumos, e apesar de seu uso ser essencial para o alcance de níveis de produtividade que viabilizem a atividade agrícola, para André Luiz Martinez de Oliveira, professor do departamento de Bioquímica e Biotecnologia da Universidade Estadual de Londrina, o mau uso apresenta potencial de provocar diminuição na produtividade, aparecimento de novas condições fitossanitárias deletérias e contaminação do homem e do meio ambiente.

“Defensivos químicos voltados ao controle de pragas e doenças constituem insumos populares e de uso regular, principalmente pela ação rápida e eficácia sobre os alvos a que se destinam. Por outro lado, tais defensivos muitas vezes são recomendados de forma “preventiva“, aplicados às culturas sem que realmente se observe sua necessidade de aplicação; ou aplicados em dosagens excessivas de modo a “garantir“ sua eficácia em condições desfavoráveis“, justifica o professor.

Ainda segundo ele, estas são condições que caracterizam risco potencial de contaminação do ambiente e o aumento dos custos de produção, muitas vezes desconsideradas por produtores que encaram a agricultura como investimento econômico ao invés de uma atividade produtiva.

Trata-se, portanto, de um paradigma a ser modificado, a fim de garantir a sustentabilidade da atividade agrícola, tomando-a um meio e não somente com a finalidade de retorno econômico. Exemplos de práticas agrícolas realizadas com preceitos de sustentabilidade abundam, em diferentes níveis de atividade, e são na maioria associados ao sucesso econômico.

Para André Luiz, uma atividade sustentável não significa que serão obtidos menores ganhos econômicos – pelo contrário, podem aumentar o retorno econômico e diminuir o impacto negativo da atividade agrícola, proporcionando sua continuidade futura.

Pedro Faria Jr.,presidente da ABCBio - Crédito ABCBio
Pedro Faria Jr.,presidente da ABCBio – Crédito ABCBio

Registrados

Atualmente, são 116 os produtos biológicos registrados no Brasil. Pedro Faria acrescenta ainda que o atual estágio tecnológico do segmento de controle biológico de pragas no Brasil não deve nada ao existente em outros países.

Diversas empresas nacionais estão conseguindo competir com fabricantes internacionais, mantendo a qualidade e eficiência dos produtos. “Temos vários organismos similares aos existentes no exterior sendo utilizados aqui. Em função das peculiaridades climáticas brasileiras, alguns produtos necessitam de adaptações. A maioria das nossas empresas está conseguindo uma evolução importante em formulações e desenvolvimento de novos organismos, assim como em formas de aplicação e melhor adaptação dos organismos ao clima. Acredita-se que, num futuro próximo, conseguiremos o melhoramento de microrganismos, por meio da alteração das técnicas de seleção“, considera o presidente da ABCBio.

No caso brasileiro, ele diz que as características tropicais também estimulam a inovação e o desenvolvimento de ativos biológicos diferentes, uma vez que os problemas fitossanitários ocorrem durante o ano todo.

Crisopideo adulto - Crédito Flávio Medeiros
Crisopideo adulto – Crédito Flávio Medeiros

Do químico ao biológico

Segundo o professor André Luiz, as alternativas ao uso intensivo de produtos químicos na agricultura não constituem essencialmente uma novidade, e passam pela adoção de práticas de manejo que preconizam o uso racional de insumos defensivos até a substituição dos insumos químicos por equivalentes biológicos, ou alternância na aplicação de químicos e biológicos.

A eficiência dos insumos biológicos tem sido demonstrada por produtos destinados à nutrição de plantas, recuperação de áreas degradadas, até o controle de pragas e doenças. Entretanto, somente recentemente o uso de biológicos vem sendo considerado uma prática agrícola de rotina.

O maior crescimento de participação de insumos biológicos no mercado, em comparação aos defensivos químicos, está consolidado e a perspectiva é que ainda seja ampliado no médio prazo. “Isto porque se observa um aumento no preço de venda dos agroquímicos, ao mesmo tempo em que a qualidade dos produtos biológicos vem aumentando. Por outro lado, os insumos biológicos apresentam limitações, uma vez que nem todas as pragas e doenças de importância econômica possuem produtos biológicos registrados para uso“, considera André Luiz.

Trichogramma, controle biológico utilizado no manejo de lagartas - CréditoKoppert
Trichogramma, controle biológico utilizado no manejo de lagartas – CréditoKoppert

Ainda segundo ele, é importante considerar que a biodiversidade nacional também é pouco explorada pela indústria produtora de insumos biológicos, apesar de existirem grupos de pesquisa nesta área em diversas universidades e institutos, mas que sofrem de insuficiência de recursos para possibilitar a ampliação do conjunto de produtos biológicos oferecidos ao mercado.

Estas limitações são uma oportunidade muito maior do que uma restrição tecnológica, em que a celebração de parcerias entre a pesquisa e a indústria pode ter grande importância no mercado futuro de biológicos.

 

Controle biológico do ácaro-rajado - Crédito Alexandre Pinho de Moura
Controle biológico do ácaro-rajado – Crédito Alexandre Pinho de Moura
 Percevejo predador - Crédito Flávio Medeiros
Percevejo predador – Crédito Flávio Medeiros

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Controle-biológico-da-mosca-branca com Beauveria – Crédito Ballagro

Essa é parte da matéria de capa da revista Campo & Negócios Grãos, edição de novembro 2016. Adquira a sua para leitura completa.

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

PI AgSciences estreia na Feira de Inovações SCV com soluções disruptivas para tratamento de sementes

2

Famílias poderão produzir seus próprios alimentos dentro de condomínio, em Goiás

3

Leite brasileiro emite menos da metade do carbono que a média mundial, revela estudo inédito da Cargill, USP e Embrapa

4

Abisolo lança Summit de Nutrição Vegetal Inteligente e promove imersão técnico-científica em Piracicaba

5

Soja cai 2,1% para 177,8 mi t, mas mantém recorde; milho sobe para 136 mi t no ciclo 25/26

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

sojaPlantio direto

Soja cai 2,1% para 177,8 mi t, mas mantém recorde; milho sobe para 136 mi t no ciclo 25/26

Fotos: Joel Lima da Fonseca

Câmara Setorial do Trigo de São Paulo abre agenda de 2026 com debate sobre safra e mercado no estado

Sintomas do bicho-mineiro na folha do cafeeiro - Crédito Paulo Rebelles

Controle preventivo do bicho-mineiro evita perdas e assegura alta performance dos cafezais

Acervo Sebrae
IG foi fruto da atuação conjunta do Instituto do Café da Chapada de Minas (ICCM) e do Sebrae Minas.
Sebrae e ICCM (Instituto do Cafe da Chapada de Minas) | Banco de Imagens do Cafe da Chapada de Minas

Na imagem, a Fazenda Jacutinga

Imagem: Leo Drumond / NITRO

Cafés da Região da Chapada de Minas conquistam Indicação Geográfica