Como produzir mais na safrinha

Publicado em 20 de dezembro de 2016 às 14h36

Última atualização em 20 de dezembro de 2016 às 14h36

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Como referência geográfica, considerando produção e produtividade, as principais regiões produtoras de milho safrinha são Rio Verde (GO), Lucas do Rio Verde (MT), Maracaju (MS), Toledo (PR) e Balsas (MA)

Crédito Cristiano de Oliveira
Crédito Cristiano de Oliveira

O milho safrinha ocupa 33% da área de soja cultivada no verão, isso porque na região sul parte da lavoura de soja é ocupada com cereais de inverno, enquanto que nas regiões centro-oeste e norte/nordeste o clima não permite duas safras devido ao longo período seco.

Contudo, o milho safrinha é cultivado em duas vezes a área de milho verão, porque na região centro-oeste ele predomina absoluto, depois da soja.

Crédito DuPont Pioneer
Crédito DuPont Pioneer

Manejos

Considerando que o milho safrinha é semeado após a soja, e que não há tempo para preparo mecanizado do solo, GessíCeccon, analista de pesquisa da Embrapa, explica que a semeadura é realizada em plantio direto. Com isso, o cuidado com o solo, em termos de correção da acidez e manutenção da fertilidade,é primordial para altas produtividades.

“Depois, são importantes as tecnologias para produção de cobertura do solo com palha e cultivo em plantio direto, com menor revolvimento possível do solo, no sentido de manter mais água no solo, e consequentemente maior atividade microbiana que disponibilize os nutrientes para as culturas, as quais respondem com mais produtividade“, considera.

Erros primários

Segundo GessíCeccon, são muitos ainda os erros cometidos pelos produtores, porque a interferência do clima (seca ao Norte e frio ao Sul) não permite que o agricultor faça grandes planejamentos e investimento seguro na safrinha.

“A escolha adequada do híbrido para determinado tipo de solo nem sempre tem acontecido, embora o agricultor sempre procure pelo híbrido mais produtivo. Acontece que o mais produtivo pode ser dependente de maiores investimentos em adubação e defensivos, tornado o custo de produção ainda maior“, expõe o pesquisador.

Lavoura de milho intercalada com braquiária ruziziensis - CréditoGessíCecon
Lavoura de milho intercalada com braquiária ruziziensis – CréditoGessíCecon

Produtividade

A produtividade varia com os anos, justamente em função do clima que se traduz em maiores ou menores investimentos. Em 2015, com clima normal, a produtividade foi de 6.000 kg ha-1, enquanto que em 2016 foi de apenas 3.800 kg ha-1, devido à seca e ao frio, segundo dados da Embrapa.

Conjugando a safra e a safrinha, o Paraná é o Estado com melhor média, com 7.220 kg/ha, seguido por Goiás/Distrito Federal, com 6.107 kg/ha. No milho da primeira safra, o Paraná ficou à frente do Distrito Federal com R$ 8.584 kg/ha e Mato Grosso do Sul com 8.500 kg/ha.

O Paraná une alta produtividade com alto volume de área plantada. Segundo a Conab, na safra 2016/17 o milho de primeira safra deverá ter uma produção de 4,7 a 10,4% superior à passada, alcançando de 27,1 a 28,6 milhões de toneladas no País.

Segundo Amir Werle, mestre e melhorista de milho, o Brasil vem aumentando sua média de produtividade de milho por hectare plantado, embora existam pequenas oscilações de um ano para outro devido a variações climáticas. “O importante, neste momento, é conquistar esta evolução de forma gradativa, corrigindo o solo e adotando práticas de manejo, escolhendo híbridos e tecnologias adequadas à realidade de cada ambiente e de suas necessidades“, recomenda.

Amir Werle, mestre e melhorista de milho - Crédito Arquivo pessoal
Amir Werle, mestre e melhorista de milho – Crédito Arquivo pessoal

O especialista acrescenta que o agricultor deve buscar evoluir, adotando metas de produção e respeitando seus próprios limites.“O ideal é estipular metas de aumento entre 05 a 10% de seus níveis de produtividade a cada ano, e adotar investimentos e práticas que o levem aos níveis máximos possíveis dentro da sua realidade“.

Para GessíCeccon, as tecnologias têm contribuído muito para a produtividade, especialmente o melhoramento de soja, que permitiu a antecipação da semeadura no verão e, por consequência, sua colheita, e assim a semeadura do milho safrinha tem sido realizada em época com maior potencial produtivo.

Porém, avalia o pesquisador, com a antecipação da semeadura do milho safrinha também ocorrem condições para maior surgimento de doenças em função da maior umidade, que o agricultor entende que deve controlar com fungicidas, aumentando o custo de produção.

O futuro já chegou

As biotecnologias estão cada vez mais presentes também em milho safrinha, devido à menor utilização de defensivos e à comodidade na atividade, contudo, elevam o custo de produção e encarecem o controle de plantas invasoras na cultura em sucessão pela necessidade de utilizar químicos com diferentes princípios ativos e de maior preço.

Em média, o custo de produção do milho safrinha está entre R$ 2.200 a R$ 2.700 por hectare, variação que acontece em função da região, do solo e da escolha do híbrido.

“O investimento em biotecnologias tem evoluído na safrinha, mas com consequente aumento no custo de produção. A utilização de cultivares de ciclo e produtividade intermediários pode significar maior retorno econômico. O maior benefício é aquele de longo prazo, como a conservação da base de produção: o solo“, considera o pesquisador da Embrapa.

As tecnologias têm contribuído muito para a produtividade da safrinha - Crédito Ana Maria Diniz
As tecnologias têm contribuído muito para a produtividade da safrinha – Crédito Ana Maria Diniz

Essa é parte da matéria de capa da revista Campo & Negócios Grãos, edição de janeiro 2017. Adquira a sua para leitura completa.

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