Como manter bananais livres de doenças?

Publicado em 25 de novembro de 2019 às 08h45

Última atualização em 25 de novembro de 2019 às 08h45

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Autores

Glaucio da Cruz Genuncio
Doutor e professor de Fruticultura – Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT)
glauciogenuncio@gmail.com
Elisamara Caldeira do Nascimento
Doutora e professora de Agroecologia – UFMT
Talita de Santana Matos
Pós-doutoranda em Ciência do Solo – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Crédito: Shutterstock

A banana é a segunda fruta mais importante do País, cultivada em uma área aproximada de 449.284 hectares e com uma produção de 6.752.171toneladas (IBGE, 2018). As cultivares mais plantadas são: Prata, Prata Anã, Pacovan, Maçã, Grande Naine, Nanica, Nanicão, Terra e Terrinha, todas suscetíveis à Sigatoka-negra (SN).

A banana-comprida ou banana-D´Angola é uma variedade do grupo Terra (aquelas consumidas fritas, cozidas ou em forma de mingau), amplamente cultivada nas regiões norte e nordeste e tem grande aceitação no mercado.

São bastante utilizadas em pratos da culinária regional, mas é extremamente suscetível à sigatoka-negra (SN), doença que provoca perdas de até 100% na produção. Os prejuízos causados pela SN em plantações de banana são enormes e podem afetar tanto a qualidade dos frutos como o rendimento da cultura.

As manchas foliares decorrentes da ação do fungo reduzem a área fotossintetizante da planta e podem provocar severo desfolhamento. Com isso, o tamanho dos frutos, das pencas, dos cachos e o número de pencas por cacho e, em consequência, o rendimento por unidade de área são severamente afetados.

Por onde começar

Visando o manejo integrado das doenças é necessário o conhecimento da biologia dos patossistemas e das tecnologias disponíveis para o controle, seu limite econômico e aceitação ecológica. O conhecimento da epidemiologia das doenças é fundamental para o estabelecimento das estratégias de manejo e controle de doenças.

A estratégia mais viável para o controle das doenças é o uso de genótipos resistentes. Entretanto, para muitas variedades ainda não foram identificadas as fontes de resistência, e em alguns casos a resistência é “quebrada” pelo aparecimento de novas raças.

Desde 1991 a Embrapa Acre, em parceria com a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, situada na Bahia, vêm desenvolvendo projetos de avaliação e seleção de genótipos de plátano e banana, com o objetivo de selecionar cultivares com melhores características agronômicas, como produtividade, qualidade do fruto, porte reduzido, além de resistência às principais doenças e pragas.

Contudo, não existe cultivares resistentes de banana do subgrupo Terra que possam ser utilizadas como substitutas da banana comprida (cv. D’Angola), os prejuízos na produção podem ser grandes.

Tabela 01 – Caracterização das cultivares de banana recomendadas pela Embrapa Acre em relação aos principais problemas fitossanitários.

Doença/Praga Thap Maeo Preciosa Fhia Maravilha Japira Pacovan ken
Sigatoka-negra R R R R R
Sigatoka-amarela R R MR R R
Mal-do-panamá R R R R R
Broca-do-rizorna MR MR MS MS MR
Nematoides MR MR MS MR MS
Moko S S S S S

Onde: Resistente (R); Moderadamente Resistente (MR); Moderadamente Suscetível (MS); e Suscetível ao patógeno (S).

Alternativas

Outras medidas também são recomendadas com a utilização do manejo integrado, como o uso de vários métodos culturais e biológicos, destacando-se: material propagativo sadio, preparo do solo, rotação de culturas, manejo da irrigação, nutrição equilibrada e manejo da matéria orgânica.

Um dos métodos de controle mais importantes é a prevenção da entrada do patógeno em uma área, evitando-se, assim, o material propagativo infectado. Neste caso, é muito importante a quarentena e a inspeção para prevenir a entrada e a rápida disseminação dos patógenos.

Para reduzir o inóculo presente em uma área, a erradicação das plantas ou partes das plantas doentes (roguing) é fundamental, devendo-se incluir as medidas sanitárias (controle químico com uso de óleos, fungicidas protetores e sistêmicos) e outras táticas de manejo que desfavorecem os patógenos ou a evolução da epidemia.

Receita nova

Além destas técnicas, a Embrapa Amazônia Ocidental (AM) lançou uma solução que combina formulação química com técnicas específicas de aplicação e ajuda a reduzir perdas na produção de banana no Norte do País.

O método é de controle individual, com a aplicação de uma pequena quantidade de fungicida na folha da bananeira, a qual age como uma espécie de ‘vacina’, protegendo a planta do fungo causador da sigatoka-negra. O método simples e de baixo custo ajuda a controlar a doença em banana comprida, uma das variedades mais consumidas no País, garantindo plantios sadios e mais produtivos.

Nas unidades demonstrativas, em diversas propriedades rurais, a incidência da doença caiu para menos de 10% das plantas e os frutos se desenvolveram melhor, resultando em cachos com até 40 quilos, três vezes a média de peso obtida em plantios da região.

 Agricultores do Amazonas, Rondônia e Pará utilizam a técnica desde 2008 e, segundo o pesquisador Luadir Gasparotto, essa forma de controle reduziu drasticamente a incidência da doença e o uso de produtos químicos como alternativa de controle.

Em cultivos do Amazonas foi possível baixar de 52 para três aplicações de produtos químicos nos bananais, por ciclo produtivo, além de ampliar o tempo de intervalo dos tratamentos de 15 para 60 dias.

O controle químico por aplicação na axila da segunda folha da bananeira é um método diferenciado porque utiliza produtos considerados mais inócuos. A partir dessa perspectiva, a tecnologia agrega aspectos econômicos e ambientais primordiais para a viabilidade da cultura.

Vantagens

Além de permitir um controle efetivo da sigatoka-negra, garantindo a produção, é uma alternativa de baixo custo e reduzido impacto ambiental. Outra vantagem do método é a longevidade dos bananais. O uso da tecnologia mais que dobrou o tempo de vida dos plantios da região, passando de duas para cinco colheitas.

O controle da sigatoka-negra implica na adoção de práticas de manejo adequadas e no monitoramento constante do bananal. Procedimentos como adubação do solo (seja com produtos químicos adequados ou por meio de adubação orgânica), desbrota e desfolha das plantas, além de capinas regulares para manter o bananal limpo, são fundamentais para garantir a eficiência do método. Outro fator importante é a condução das touceiras, que devem permanecer com apenas três plantas,

A sigatoka-negra é considerada a principal responsável pela queda na produtividade dos plantios e perdas na produção mundial de banana. O comportamento do agente causal da doença varia de acordo com temperatura, umidade e condições de fertilidade do solo, o que implica na busca por novas variedades e por plantas cada vez mais resistentes, por meio de um trabalho contínuo e direcionado às regiões produtoras.

Em tempo, técnicas como as aplicações individuais e dirigidas evitam a utilização excessiva de produtos químicos e que o produto se espalhe com o vento e contamine o solo, mananciais e animais domésticos e, por ser pouco manipulado, reduz riscos à saúde humana.

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