Canibalismo em suínos pode levar à perda de carcaças no abate

PAD DF 18 de junho de 2020. Granja de suínos. Suinocultura. Foto: Wenderson Araujo/Trilux
Acompanhe tudo sobre suínos e muito mais!

O canibalismo em suínos acontece quando os animais passam a morder caudas, orelhas ou outras partes do corpo de outros suínos. Esse comportamento provoca feridas que podem sangrar, infeccionar e comprometer a saúde de todo o grupo, além de gerar prejuízos para os produtores. Um levantamento realizado em Concórdia (SC), com acompanhamento do Serviço de Inspeção Federal (SIF), apontou que, de mais de 410 mil suínos abatidos, 2,13% das carcaças foram condenadas em razão das lesões causadas pela prática.

De acordo com Gladstone Brumano, consultor técnico da MCassab Nutrição e Saúde Animal, os sinais começam cedo. “Quando um animal passa a morder com frequência, mesmo sem machucados aparentes, já é um alerta. O canibalismo não é um instinto natural, é uma resposta ao estresse. O suíno morde porque está desconfortável, seja pela falta de espaço, pelo calor ou até por problemas na alimentação.”

Manter um bom manejo (com espaço adequado, acesso constante a água e comida e temperatura controlada) é importante para reduzir a agressividade. Mas, segundo Brumano, nem sempre isso é suficiente. “Mesmo em granjas bem organizadas, surtos podem acontecer se houver muito calor, doenças ou deficiências na dieta. É um problema que nunca tem uma única causa.”

A alimentação dos animais também faz diferença. Alguns nutrientes ajudam a reduzir a irritabilidade e a impulsividade, como o triptofano, que estimula a produção de serotonina, além de minerais como sódio, zinco e magnésio. Fibras, tributirina (butirato de sódio) e probióticos contribuem para uma digestão melhor, diminuindo desconfortos que causam agitação aos suínos, que podem desencadear mordeduras.

“O ambiente também é importante. Ciclos de luz equilibrados, ventilação adequada e até objetos para os animais explorarem dentro do espaço, ajudam a diminuir as mordidas”, explica o consultor técnico da MCassab. “Quando somamos manejo, nutrição e ambiente de qualidade, conseguimos reduzir drasticamente os casos de canibalismo nas granjas.”

Para os produtores esse não é um problema que se resolve de forma isolada. Cada ferida é um sinal de alerta de que algo precisa ser ajustado. “Investir em prevenção é mais barato do que arcar com as perdas depois. Cuidar do bem-estar animal também é cuidar da produtividade”, conclui Gladstone Brumano.

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Custos e margens desafiam avanço da tilápia brasileira em um mercado cada vez mais competitivo

2

Circuito Origem & Regeneração Brasil reúne grandes nomes da agricultura regenerativa e da cafeicultura em Franca

3

Painel de polinizadores do CropData recebe indicadores de abelhas sem ferrão

4

Próximo salto da inteligência artificial no campo é tema de debate em simpósio no Rio Grande do Sul

5

Agronegócio impulsiona expansão da Fundepag, que supera R$ 130 milhões em projetos e serviços

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

Treinamento de Brigada de Incêndios Florestais - Ação ITESP - Sítio São Gabriel - Assentamento Palú - lote 42. Dia: 11/06/2025 Local: Presidente Bernardes/SP Foto: Gilberto Marques/SAA

Incêndios florestais: erros comuns que podem causar fogo em propriedades rurais

zero-summit-2026-inteligencia-artificial-energia-clima.jpg

Zero Summit 2026 debate inteligência artificial, energia e riscos de um Super El Niño

Siderlei Ditadi, Divulgação

Consevitis-RS abre edital de R$ 120 mil para apoio de eventos técnicos sobre vitivinicultura

ACNB-Circuito-Nelore-de-Qualidade-avalia-407-animais-em-etapa-de-Agua-Boa-MT-foto-divulgacao

Circuito Nelore de Qualidade avalia 407 animais em etapa de Água Boa (MT)