Calagem eleva o pH e disponibiliza nutrientes

Para a calagem, o produtor deve investir na análise do solo - Crédito Valtra

Publicado em 16 de julho de 2014 às 08h00

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h31

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Antonio Carlos Vargas Motta

Professor de Química e Fertilidade do Solo na Universidade Federal do Paraná (UFPR)

mottaacv@ufpr.br

Julierme Zimmer Barbosa

Doutorando em Ciências do Solo na UFPR

A maioria dos solos brasileiros apresenta restrição ao crescimento das principais plantas cultivadas pelo excesso de acidez, presença de alumínio tóxico (Al3+) e baixos teores dos nutrientes essenciais cálcio (Ca) e magnésio (Mg). Contudo, esses fatores prejudiciais ao cultivo agrícola podem ser manejados pela prática da calagem.

Para a calagem, o produtor deve investir na análise do solo - Crédito Valtra
Para a calagem, o produtor deve investir na análise do solo – Crédito Valtra

Entenda melhor

Quando estamos com excesso de acidez no estômago, é comum tomar algum produto contendo bicarbonato de sódio (NaHCO3) para aliviar esse desagradável distúrbio digestivo, uma vez que tal produto atua como um antiácido. No caso do solo, a calagem age de forma muito semelhante, eliminando a acidez excessiva do solo pela aplicação de materiais (carbonatos de cálcio e magnésio ” CaCO3 e MgCO3) com reação que consome os compostos responsáveis pela acidez.

A acidez varia em função da quantidade de íons hidrogênio (H+). Assim, quanto mais H+, maior é a acidez, seja no solo ou no estômago. Para conhecer o nível dessa acidez, utiliza-se o pH, que apresenta máxima acidez no valor zero e mínima, 14.

O pH

No Brasil, praticamente todas as análises químicas de solo realizadas têm pH indicado por duas metodologias: pH água (H2O) ou pH com solução salina (CaCl2). Em geral, o primeiro é 0,6 a mais que o segundo, ou seja, o pH água de 6,0 corresponde pH CaCl2 de 5,3.

A que pH devemos elevar o solo? Em geral, as principais culturas do Brasil crescem bem entre pH 5,4 a 6,0 medido em água, ou 4,8 a 5,4 medido em CaCl2. Mas não existe uma recomendação comum a todos, em razão da grande variação entre tipo de solo, clima e cultivar.

Normalmente, boa disponibilidade de água, elevado teor de matéria orgânica e nutrientes no solo, uso de variedades resistentes e outros aspectos podem permitir o desenvolvimento satisfatório das plantas abaixo das faixas de pH indicadas.

A calagem fornece cálcio e magnésio às plantas - Crédito Shutterstock
A calagem fornece cálcio e magnésio às plantas – Crédito Shutterstock

Com a aplicação de um antiácido, os H+ são retirados da solução, geralmente pela ação de oxidrilas (OH-), formando água (H2O), ou seja, reduzindo a acidez pela elevação do pH. Outro produto do bicarbonato ou do carbonato é o gás CO2, que é formado quando colocamos o bicarbonato na água. Esse mesmo gás surge quando colocamos um ácido sobre o calcário ou mármore.

Vantagens

Em decorrência da elevação do pH ocorre a eliminação do Al3+ do solo. Esse elemento inibe o crescimento radicular de plantas não adaptadas, o que abrange algumas das principais plantas cultivadas, como soja, milho, trigo, tomate, cebola, beterraba, batata e videira.

Dessa forma, a calagem é vantajosa por permitir que um volume maior de solo seja explorado pelo sistema radicular, possibilitando melhor aproveitamento do estoque de nutrientes e água do solo pelas plantas.

Além disso, a calagem é benéfica por fornecer dois nutrientes essenciais para o crescimento e desenvolvimento das plantas ” o Ca e o Mg. Outra vantagem da calagem é favorecer o crescimento de bactérias do solo que são responsáveis pela nodulação das raízes de plantas leguminosas, como a soja, uma vez que as bactérias que formam os nódulos geralmente são sensíveis ao baixo pH do solo.

Tabela 1. Alteração da fertilidade do solo após a aplicação de calcário.

pH-CaCl2

Al3+

H + Al3+

Ca2+

Mg2+

——————- cmolc dm-3 ———————

Sem calagem

4,4

2,5

5,0

0,9

0,5

Com calagem

5,4

0,0

2,5

2,5

1,5

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