Bionematicidas à base de Bacillus: protagonismo no manejo de nematoides

Eficiência agronômica, sustentabilidade e inovação tecnológica impulsionam o uso de biológicos em soja, milho e algodão.

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 06h38

Última atualização em 6 de janeiro de 2026 às 16h42

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Bruno Neves, engenheiro agrônomo e MSc. em Solos e Nutrição de Plantas

Bruno Neves
Engenheiro agrônomo, MSc. em Solos e Nutrição de Plantas, DSc. em Produção Vegetal e MBA em Marketing

O manejo de nematoides figura entre os principais entraves da agricultura brasileira, sobretudo em culturas estratégicas como soja, milho e algodão. Nesse contexto, o mercado de insumos biológicos avança de forma consistente, movimentando bilhões de reais por ano e posicionando o Brasil como referência mundial em soluções sustentáveis. Atualmente, o controle dos nematoides é realizado majoritariamente com bionematicidas, enquanto os nematicidas químicos perdem espaço em função da redução de eficiência agronômica e das limitações de uso.

Pesquisa, inovação e confiança do produtor

Esse cenário é resultado direto dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados a microrganismos com alto potencial de biocontrole, aliados aos avanços tecnológicos das indústrias de bioinsumos.

A confiança do agricultor na eficiência dessas soluções cresce a cada safra, com destaque para as bactérias do gênero Bacillus, que vêm se consolidando como ferramentas estratégicas no manejo de nematoides.

Como os Bacillus atuam no solo e na planta

Os bionematicidas à base de Bacillus apresentam múltiplos mecanismos de ação, como a produção de metabólitos tóxicos aos nematoides, a competição por espaço e nutrientes no solo e a indução de resistência sistêmica nas plantas. Essa combinação amplia a eficiência do controle e ainda gera benefícios adicionais, como o fortalecimento do sistema radicular e a melhoria da saúde do solo, refletindo em maior estabilidade produtiva.

Resultados práticos em soja, milho e algodão

Na soja, ensaios de campo demonstram reduções expressivas nas populações de Meloidogyne e Heterodera glycines, resultando em plantas mais vigorosas e produtivas. A aplicação via tratamento de sementes ou no sulco de semeadura protege as raízes nos estádios iniciais, fase decisiva para o estabelecimento da lavoura.

No algodão, onde os nematoides de galha provocam danos severos, os biológicos já são considerados tecnologia indispensável para minimizar perdas econômicas e postergar intervenções químicas. Em sistemas com milho, o uso contínuo contribui para a redução da pressão de nematoides no perfil do solo, favorecendo a rotação de culturas.

Integração ao manejo e ganhos sistêmicos

Além da eficácia direta, os bionematicidas se integram com facilidade ao manejo agrícola, podendo ser utilizados em associação com outros insumos, desde que respeitada a compatibilidade de mistura. Seu uso deve estar sempre alinhado ao manejo integrado de nematoides, que inclui rotação de culturas, adoção de variedades tolerantes ou resistentes, defensivos químicos e indutores de resistência. Boas práticas culturais, aliadas ao uso equilibrado de corretivos e fertilizantes, potencializam os resultados e ampliam os ganhos produtivos e econômicos.

Presente consolidado e futuro em expansão

Os bionematicidas já ocupam papel central no manejo de nematoides no Brasil, e a tendência é de expansão contínua. Com novos investimentos, avanços em formulações e seleção de cepas mais eficientes, o uso de Bacillus caminha para se consolidar não apenas como alternativa, mas como pilar do manejo fitossanitário. Dessa forma, o produtor aumenta a eficiência produtiva, reduz riscos ambientais e melhora a rentabilidade do sistema, reforçando o protagonismo da agricultura brasileira no cenário global de sustentabilidade.

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