Bacillus controla nematoides do tomateiro

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Crédito: Hélcio Costa

Catherine Amorim
Engenheira agrônoma e doutora em Fisiologia e Bioquímica de Plantas – Esalq/USP
cath.amorim@gmail.com

A incidência de nematoides em lavouras de tomate, principalmente as espécies de nematoides-das-galhas, pertencentes ao gênero Meloidogyne, resulta na absorção deficitária de água e nutrientes pelas raízes.

O controle dos nematoides que vivem no solo pode ser feito de forma química, cultural ou biológica. Esse último tem se destacado desde a última década.

Bactérias do gênero Bacillus subtilis, tem sido amplamente estudada e utilizada para controle biológico e, ainda, pode atuar promovendo o crescimento da planta.

Bacillus é um gênero de rizobactérias, assim chamadas por viverem em associação com as raízes das plantas, gram positivas e promotoras de crescimento vegetal. Essas bactérias sintetizam substâncias que auxiliam a planta ao combate contra infecções.

Como nematicida, os Bacillus causam a quebra da parede celular do nematoide, levando-o a morte, além de formarem uma barreira protetora nas raízes das plantas que impede a colonização pelo nematoide.

Além do controle biológico, a promoção do crescimento que esse grupo de bactérias ocasiona ocorre por diversos mecanismos que influenciam a fisiologia da planta, favorecem o seu desenvolvimento e aumentam o rendimento da cultura.

Estudo

Uma pesquisa resultante da parceria entre pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, da Universidade Federal de Lavras (Ufla) e da Chr. Hansen Indústria e Comércio Ltda.

A pesquisa em questão foi conduzida com o bionematicida Quartzo® da Chr. Hansen e vendido pela FMC Química do Brasil Ltda, que possui em sua formulação B. subtilis e B. licheniformis.

Por meio de testes com diferentes concentrações do bionematicida Quartzo® e das espécies aplicadas individualmente, como tratamento de sementes e no substrato, os cientistas observaram o aumento das massas fresca e seca, tanto da parte aérea quanto das raízes das plantas.

Também houve um incremento do volume e comprimento das raízes, que proporciona uma melhor exploração do solo pelas raízes em busca de nutrientes.

Entenda melhor

A promoção do crescimento impulsionada por B. subtilis e B. licheniformis na pesquisa citada se deve a dois fatores. O primeiro é pela absorção de nutrientes ter sido aumentada graças ao desenvolvimento das raízes.

O segundo é devido às cepas presentes na rizosfera (região do solo onde estão as raízes da planta) produzirem, após 48 horas de cultivo, um hormônio vegetal chamado ácido indol-acético (IAA), uma auxina.

Esse hormônio é captado pela planta e estimula o incremento de massa e alongamento das raízes observados. Um outro efeito, secundário, do IAA na planta, é que ele auxilia a promover a tolerância a estresses por salinidade, hídrico e térmico.

Além da capacidade de B. subtilis e B. licheniformis colonizarem a rizosfera do tomateiro, os pesquisadores também concluíram que essas bactérias têm a capacidade de persistirem e manterem sua população alta, beneficiando a planta continuamente.

Os autores concluírem que quando as sementes são tratadas, as bactérias persistem na rizosfera. Também foram encontrados Bacillus no caule das plantas de tomateiro.

Custo-benefício

Em suma, é mostrado que duas espécies de Bacillus já amplamente comercializadas no Brasil e utilizadas como agentes fitossanitários para controle de fitopatógenos e nematoides podem também beneficiar a planta, promovendo o seu crescimento e resistência. E, ainda, tem a capacidade de permanecer no solo.

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