Ataque sob controle – Café tem a pior infestação de broca dos últimos anos

O produtor deve adotar uma série de manejos para conviver com a broca - Crédito Luciana Christante

Publicado em 23 de outubro de 2017 às 20h58

Última atualização em 23 de outubro de 2017 às 20h58

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O produtor deve adotar uma série de manejos para conviver com a broca - Crédito Luciana Christante
O produtor deve adotar uma série de manejos para conviver com a broca – Crédito Luciana Christante

O Grupo Veloso Agropecuária é proprietário de três fazendas cafeeiras em Carmo do Paranaíba e Presidente Olegário, totalizando 2.200 hectares de café plantados.A produtividade média é de 40 sacas por hectare entre sequeiro (35 sc/ha) e irrigado (49 sc/ha).

Valter Porto Nogueira, engenheiro agrônomo e gerente agrícola das fazendas conta que a broca é uma praga que tem preocupado bastante, especialmente nos últimos cinco anos, com a saída do Endosulfan do mercado, e também pelo alto custo dos produtos disponíveis atualmente, o que só agrava a infestação.

“O produto que substituiu o Endosulfan aumentou o custo de aplicação e é menos eficiente um pouco, o que gerou desequilíbrio tanto do bicho-mineiro quanto da broca.Quando se usa produtos muito agressivos na lavoura, muitos inimigos naturais são eliminados, o que acaba prejudicando ainda mais a cultura“, define Valter.

Para driblar o problema, ele trabalha com um manejo muito bom de monitoramento de pragase com uma colheita muito bem feita, e assim não deixaa praga avançar. “Sabemos de regiões que tiveram ataque de bicho mineiro de até 40%. E de broca já presenciei lotes de ataque de até 30% também.Mesmo sendo altos os custos, trabalhamos com os produtos que existem no mercado hoje. E o monitoramento nos possibilita entrar na hora certa na lavoura. O lote que tivemos mais problema deu 4,0% de ataque. Atualmente, minha média da fazenda está com 1,5% apenas, de broca“, revela o gerente das fazendas.

O custo para controlar a broca atualmente está em R$ 400,00/ha, frente aos R$ 90,00, com o Endosulfan. “Somos cientes que não podemos deixar de fazer o controle.Mesmo sendo o custo mais elevado, sabemos que o benefício é melhor do que se não fizéssemos“, avalia Valter Porto.

Sintomas da broca - Crédito Felipe Santinato
Sintomas da broca – Crédito Felipe Santinato

Quando contra-atacar

As melhores condições de controle da broca, percebidas por Valter Porto, são o manejo do mato para ajudar a equilibrar os inimigos naturais e uma colheita bem feita, sem deixar grãos no pé. Quanto aos grãos que caem no chão, é passada uma trincha para triturá-los, ou seja, uma espécie de vazio sanitário para eliminar a praga na entressafra.

“Depois da colheita fazemos uma avaliação, e de dezembro em diante focamos bastante o MIP. Se o nível de infestação chega a 3,0 ou 5,0%, já entramos com os produtos químicos existentes no mercado para combater. E é muito importante não deixar a broca entrar no grão, por isso a importância de fazer o combate na fase inicial, que fica entre dezembro e março“, relata o gerente da fazenda.

A broca prejudica a qualidade do café - Crédito Paulo Rebelles
A broca prejudica a qualidade do café – Crédito Paulo Rebelles

Químico aliado ao biológico

Quanto ao produto químico adotado, é bastante técnico, segundo Valter, e tem que ser usado na época correta. Para não deixar brechas, entra o controle biológico com o fungo Beauveria bassiana, que não causa desequilíbrio e ajuda na questão da broca.Geralmente faço uma aplicação de Beauveria, depois o produto químico, e se necessário, reaplico o químico“, detalha.

Para Valter Porto, como a variável clima não pode ser alterada, resta ao produtor o controle de pragas, que está em suas mãos.

Essa é parte da matéria de capa da revista Campo & Negócios Grãos, edição de novembro 2017. Adquira a sua para leitura completa.

 

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