Alerta para a mancha-alvo do algodoeiro

Crédito Augusto Goulart

Publicado em 3 de novembro de 2017 às 07h33

Última atualização em 3 de novembro de 2017 às 07h33

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Luiz Gonzaga Chitarra

Nelson Dias Suassuna

Fabiano Perina

Pesquisadores da Embrapa Algodão

Augusto Goulart

Pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste

 

 Crédito Augusto Goulart
Crédito Augusto Goulart

Os sintomas iniciais da mancha-alvo (Corynesporacassiicola) no algodoeiro ocorrem principalmente no período de fechamento das entrelinhas, apresentando pequenos pontos circulares de coloração arroxeada nas folhas. Com a evolução da doença, esses pontos tornam-se manchas de formato arredondado ou irregular, com bordas marrom escuro e centro marrom claro, variando em tamanho de 2 a 20 mm.

As lesões, quando completamente desenvolvidas, podem apresentar anéis concêntricos e serem circundadas por halos cloróticos. Quando a infecção é severa, as folhas caem prematuramente. A rápida desfolha é causada pela aceleração da senescência, o que torna a folha amarelada em poucos dias. As lesões também podem ocorrer em brácteas e em maçãs novas.

 

O ataque

As condições ambientais ideais para o desenvolvimento de C. cassiicola são temperaturas abaixo de 30ºC e períodos prolongados de alta umidade. Como o desenvolvimento e a disseminação da mancha-alvo são dependentes de alta umidade (longos períodos de molhamento foliar), a doença progride mais rapidamente após o fechamento do dossel, causando desfolha.

Locais onde ocorre a combinação de fatores que favorecem maior umidade no dossel, como cultivares de crescimento mais vigoroso, população de plantas elevadas ou falhas no manejo de regulador de crescimento, aliado a fatores ambientais, como dias nublados e períodos ininterruptos de chuva, são mais propensos à ocorrência da mancha-alvo.

Disseminação do patógeno

O vento é a principal via de disseminação do patógeno a curtas distâncias e não há informações ainda sobre a disseminação por meio de sementes de algodoeiro. O fungo, por ser cosmopolita e necrotrófico, pode sobreviver em plantas hospedeiras e colonizar restos culturais de diversas espécies vegetais.

Reação das plantas

Até o momento, todas as cultivares comerciais de algodoeiro testadas mostraram suscetibilidade a Corynesporacassiicola, porém, existe um relato de resistência identificada na fase de plântula no genótipo PR 02-77. Portanto, é importante que materiais de algodoeiro presentes em bancos de germoplasma sejam testados para verificar a resistência genética desses materiais a esse patógeno.

 

A escolha da cultivar com menor crescimento vegetativo é uma das alternativas contra mancha-alvo - Crédito Saulo Alves
A escolha da cultivar com menor crescimento vegetativo é uma das alternativas contra mancha-alvo – Crédito Saulo Alves07

Prevenção

A incidência e severidade da doença estão atreladas principalmente às condições climáticas e ao manejo da cultura. O período prolongado de molhamento foliar favorece o ataque do patógeno, portanto, é importante que sejam adotadas práticas culturais que possam retardar, minimizar e/ou impedir o desenvolvimento do patógeno na lavoura.

Dentre essas práticas destacam-se a escolha da cultivar com menor crescimento vegetativo, densidades de semeadura mais baixas para que se tenha melhor aeração no interior do dossel das plantas, manejo adequado do regulador de crescimento e a rotação com gramíneas para a redução do inóculo em áreas com histórico da doença, principalmente naquelas onde se pratica o cultivo sucessivo de soja/algodão, pois o patógeno é comum para as duas culturas.

Medidas curativas

A mancha alvo do algodoeiro, causada pelo fungo Corynesporacassiicola, não está registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) como doença do algodoeiro. Não se sabe se existem no Brasil isolados do patógeno naturalmente resistentes aos diversos fungicidas usados em soja, algodão e milho, como já demonstrado para benzimidazois, estrobilurinas e carboxamidas em outros países.

Todavia, isolados de Corynesporacassiicola provenientes da cultura da soja testados in vitro foram insensíveis ao grupo dos benzimidazois (carbendazim e tiofanato-metílico), tiveram sensibilidade intermediária a triazois (ciproconazole e protioconazole) e, na maioria das vezes, foram sensíveis aos SDHI (succinatedehydrogenaseinhibitors) boscalide, fluopiram e fluxapiroxade (TERAMOTO et al., 2013). Vale salientar que não existem fungicidas registrados no MAPA para o controle da doença no algodoeiro.

Dicas importantes

Caso ocorram perdas econômicas causadas pelo ataque severo do patógeno nas áreas onde se pratica o cultivo sucessivo das culturas soja/algodão, o produtor deve adotar as medidas curativas e/ou preventivas.

Essa matéria completa você encontra na edição de novembro 2017 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

 

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