Agricultura de precisão no manejo da fertilidade do solo

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Publicado em 13 de janeiro de 2015 às 07h00

Última atualização em 13 de janeiro de 2015 às 07h00

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Saulo Saturnino Sousa

Engenheiro agrônomo e consultor agropecuário

saulosat@yahoo.com.br

 

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Os fundamentos da agricultura de precisão (AP) surgiram em 1929, nos EUA, quando pesquisadores começaram a perceber a grande variabilidade da necessidade de calagem para uma mesma área. Contudo, foi a partir da década de 80 que houve a maior evolução da AP, pois surgiram as ferramentas que são fortemente usadas atualmente, como: os microcomputadores, sensores e sistemas de rastreio terrestre ou via satélite GPS.

No Brasil os primeiros estudos foram realizados na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz“ (ESALQ/USP) em 1997, e se desenvolveu bastante a partir de um grupo formado na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS) em parceria com empresas privadas. Assim, surgiu o chamado projeto Aquarius, tendo este participação importante na introdução de conceitos de mapeamento da produtividade de grãos e aplicação de corretivos.

O resultado da agricultura de precisão, geralmente é o aumento de produtividade - Créditos Shutterstock
O resultado da agricultura de precisão, geralmente é o aumento de produtividade – Créditos Shutterstock

A agricultura de precisão (AP) é uma filosofia de manejo da fertilidade do solo partindo-se de informações exatas e precisas sobre faixas (grids) menores do terreno, tendo por objetivo aumentar a eficiência do uso de corretivos e fertilizantes nas culturas agrícolas.

Equipamentos

O conjunto de equipamentos utilizados na amostragem por AP são: sistemas de posicionamento global (SPG ou GPS), sistema de informações geográficas (SIG ou GIS), tecnologias de aplicação em taxa variável (VRT), monitoramento das áreas (Crop Scouting), sensoriamento remoto, monitores de colheita, amostradores de solo, balizadores de aplicação (aérea e tratorizada), sensores de matéria orgânica, sensores de plantas daninhas, sensores de umidade de solo, de pH, de NO3 no solo, sensores de compactação (penetrômetros), sensores de condutividade elétrica do solo, sensores de doenças, sensores de umidade e de proteína de grãos, clorofilômetros, sensores de dinâmica da fertilidade, pulverizadores de precisão, fotografias aéreas.

Com a aplicação diferenciada de insumos consegue-se maior homogeneidade da lavoura e aumento de sua produtividade - Crédito: Shutterstock
Com a aplicação diferenciada de insumos consegue-se maior homogeneidade da lavoura e aumento de sua produtividade – Crédito: Shutterstock

Vantagens

Uma das grandes vantagens da AP é a redução dos custos de produção, principalmente dos agroquímicos fertilizantes e/ou corretivos. Segundo Rossato (2010), em média, é possível obter uma redução de 20-30% no custo de insumos como calcário, fósforo e potássio. Com a aplicação diferenciada de insumos consegue-se maior homogeneidade da lavoura e aumento de sua produtividade.

Ferraz (2012), observando os mapas para aplicação de fósforo e potássio em três anos consecutivos em um cultivo de café por técnica de AP observou onde seria indicada a aplicação de fertilizantes, reforçando o problema de se usar o valor médio para recomendação e possibilitando uma melhor observação de como os atributos do solo variam ao longo do tempo.

A AP é uma ferramenta de manejo do solo e de culturas que, embora possa contribuir para melhoria das condições de fertilidade do solo, sozinha não conseguirá resolver todos os problemas, visto a complexidade dos sistemas de produção agrícolas no Brasil.

Desta forma, deve ser utilizada juntamente a outras técnicas de manejo, sendo que sua máxima eficiência dependerá de fatores como: tipo de solo, textura, grau de compactação, teor de MO, pragas, doenças e outras variáveis possíveis no campo.

Apesar de ser uma técnica de grande utilidade e de possibilitar a maximização de lucratividade ao produtor, a AP tem algumas limitações a serem consideradas. Resende et al. (2006) estudou amostragens em grids variando entre 0,25 e 09 hectares e obteve dependência espacial para todos os atributos ao utilizar grids de até 2,25 ha, exceto para o fósforo (P), que apresentou dependência somente em grids de 0,25 ha ou quatro amostragens por hectare.

Já matéria orgânica, K, Ca e Mg mostraram dependência em grids de até 04 ha. Assim, o trabalho evidenciou que o P apresenta alta variabilidade espacial e que os grids de amostragens geralmente utilizados na prática pelos produtores, de 02 a 03 hectares, podem não representar fielmente a fertilidade do solo para o P.

Portanto, para se ter uma boa amostragem do solo, incluindo o elemento P, o agricultor deve trabalhar com grids menores, o que aumentaria os custos das amostragens.

As aplicações de fertilizantes continuamente durante ciclos de cultivo sem que haja um bom manejo do solo em relação às aplicações e o fato de o fósforo mover-se no solo por difusão, tendo assim baixa mobilidade, contribui para essa falta de dependência e variação espacial (LEÃO et al., 2007).

A agricultura de precisão visa aumentar a eficiência do uso de corretivos e fertilizantes nas culturas agrícolas - Créditos Shutterstock
A agricultura de precisão visa aumentar a eficiência do uso de corretivos e fertilizantes nas culturas agrícolas – Créditos Shutterstock

Agricultura moderna

A geoestatística é uma ferramenta importantíssima na agricultura moderna. Ela é utilizada para se verificar a autocorrelação espacial, observar a magnitude da correlação entre as amostras e sua similaridade (ou não) com a distância, sendo que a dependência espacial é analisada por ajustes de semivariogramas.

Tendo-se a posição geográfica (georreferenciamento) dos pontos de amostragem de certa área, a geoestatística proporciona obter o detalhamento da variabilidade espacial de sua fertilidade a partir do processamento dos dados e obtenção de mapas temáticos.

 

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