A tecnologia auxilia o produtor na adubação da erva-mate?

Publicado em 18 de janeiro de 2020 às 13h29

Última atualização em 18 de janeiro de 2020 às 13h29

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Crédito Embrapa Floresta

Uma nova ferramenta vai auxiliar produtores de erva-mate e técnicos rurais a interpretar a análise de solo de ervais comerciais e recomendar a adubação nas fases de plantio, formação de copa e produção. É o aplicativo Ferti Matte desenvolvido pela Embrapa Florestas (PR) e disponível para celulares com sistema operacional Android.

Para gerar os dados, o usuário deve fornecer informações de análise de solo (o aplicativo tanto realiza simulações quanto trabalha com dados reais) de um talhão. O próprio sistema analisa as informações e gera um relatório com recomendações de aplicação de cada macronutriente. Além disso, a fase em que se encontra o erval também é considerada, pois as diferentes fases apresentam necessidades nutricionais diversas. Por isso, o Ferti Matte trabalha com os cenários de adubação de plantio, na etapa de formação de copa e na produção.

Além de gerar os relatórios, que ficam armazenados no aplicativo para consultas posteriores, o software gera uma base de dados que pode ser acessada pela Embrapa Florestas. Com essas informações, os cientistas serão capazes de identificar demandas de pesquisa e de transferência de tecnologias vindas do setor produtivo. Poderão perceber, por exemplo, se é necessário um reforço de mensagens sobre o manejo dos ervais. “Essa base nos dará um panorama de como estão os ervais dos usuários em termos de nutrição. É uma ferramenta excepcional de prospecção de informações e demandas”, analisa Ives Goulart, engenheiro-agrônomo e analista da Embrapa.

Adubação é fundamental para a erva-mate

A colheita da erva-mate retira do erval uma quantidade considerável de material vegetal e, portanto, exporta os nutrientes contidos nesse material para fora da área de produção. Caso não haja reposição desses nutrientes, o solo vai se esgotando gradualmente e a produtividade do erval diminui. Portanto, é imprescindível a reposição nutricional nos ervais em produção, independentemente de o sistema ser convencional ou orgânico.

“A adubação de ervais comerciais ainda não faz parte do dia a dia da maioria dos produtores de erva-mate”, explica Goulart. “No entanto, a adubação é fundamental para o bom desenvolvimento dos plantios de erva-mate”, orienta.

Segundo Delmar Santin, engenheiro florestal especialista em nutrição de erva-mate, ervais com menos de 50% de sombreamento precisam de adubação, pois a exportação de nutrientes com a colheita precisa ser reposta. Os níveis de nutrientes extraídos do solo pela cultura são equivalentes aos demandados por milho e soja, por exemplo.

Resultados de pesquisa indicam que a erva-mate é uma cultura exigente em nutrientes. “Com o passar dos anos e sucessivas colheitas, o sistema natural não consegue repor tudo o que foi retirado e a planta acaba crescendo com menor vigor e redução de produtividade”, explica Santin.

“Por isso, é necessária uma mudança de hábito do produtor de erva-mate, com a adoção de práticas como análise de solo e adubação, para um equilíbrio entre saída e entrada de nutrientes no sistema”, ressalta Goulart.

Erva-mate com ciência

Pensando na melhoria do sistema de produção de erva-mate, a Embrapa Florestas criou o sistema Erva 20, que reúne resultados de pesquisa que, se adotados, podem aumentar a produtividade e a qualidade dos ervais comerciais, dependendo do seu potencial produtivo. Além de um manual, o Erva 20 disponibiliza o aplicativo Manejo Matte, para auxílio no manejo dos ervais; o Planin Matte, para análise econômica; e agora o Ferti Matte. O aplicativo é baseado na recomendação de adubação para erva-mate publicada no livro “Propagação e nutrição de erva-mate”, pioneiro em informações sobre nutrição da espécie e fruto de mais de dez anos de pesquisas.

As fases do erval:

– Plantio: adubação na cova e em cobertura pós-plantio, até a primeira poda.

– Formação de copa: após a primeira e até a terceira colheita. É dividida em Formação 1 (da primeira até a segunda colheita) e Formação 2 (da segunda até a terceira colheita).

– Produção: adubação depois da terceira colheita.

Adubação de acordo com a sombra

Ervais com mais de 50% de sombreamento apresentam menor número de plantas por área e não respondem à adubação. Por isso, ela não é recomendada. Acima disso, o sistema naturalmente não consegue compensar a retirada de nutrientes promovida pela colheita.

Os macronutrientes são indispensáveis para a erva-mate. Nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio precisam ser repostos nos cultivos comerciais da espécie. “A aplicação de calcário, que na maioria das outras culturas é realizada por causa do pH, na erva-mate tem outro fim: a reposição de cálcio e magnésio. Por essa razão, as doses de calcário recomendadas são bem menores, quando comparamos com as culturas agrícolas”, orienta Goulart.

Tecnologias praticamente triplicam a produção

“Devemos tratar a cultura da erva-mate de forma profissional, como se trata outras culturas. Enquanto produtores com baixa adoção de tecnologia colhem cerca de sete toneladas por hectare por colheita, produtores com alta adoção de tecnologias chegam a colher mais de 20 toneladas”, defende Delmar Santin, consultor na área de nutrição de erva-mate, ressaltando que a nutrição tem papel fundamental para quem quer ter uma produção profissional, produtiva e que disponibilize matéria-prima de qualidade.

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