A relação do manganês com a soja transgênica

Publicado em 13 de março de 2015 às 07h00

Última atualização em 13 de março de 2015 às 07h00

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Hercílio Netto

Engenheiro agrônomo e coordenador de Nutrição de Plantas da Cia da Terra

hercilio.netto@ciadaterra.com

Para suprir a deficiência acentuada de manganês na cultura da soja transgênica com o uso do glifosato, os agricultores têm usado adubos foliares com manganês (na forma de sais, óxidos ou carbonatos) em mistura com o herbicida.

Porém, vários estudos mostram que a presença de manganês e outros cátions na calda de pulverização com glifosato reduzem a eficácia deste herbicida devido à formação de complexos. Portanto, o uso de manganês na forma de sais (cloretos e sulfatos) prejudica a eficiência de ambos os produtos, enquanto o uso de produtos quelatados, óxidos ou carbonatos mostram o mínimo antagonismo nas misturas de Mn e glifosato.

Veja bem

O manganês, um íon metálico, assim como o ferro, o cobre e o zinco, são fundamentais em 34 processos metabólicos na planta. Dentre eles, destaca-se a síntese de clorofila, motivo do amarelecimento quando da sua ausência.

Desta forma, gosto de dizer, em livre docência, que quando a planta amarelece por falta de clorofila, outros 33 processos metabólicos certamente já estão paralisados e/ou comprometidos. Trabalhar para que a planta não apresente esta deficiência é o maior desafio da boa prática agronômica.

A deficiência

Em plantas de soja a deficiência se acentua após a aplicação do glifosato por dois motivos. O primeiro se dá pela exsudação radicular de compostos intermediários derivados da metabolização do glifosato pela planta, os quais diminuem a presença das bactérias redutoras de Mn naturalmente presentes no solo.

O segundo motivo se dá pela interferência da molécula do glifosato num processo importante chamado de Ciclo de Krebs, ou Ciclo dos Ácidos Tricarboxílicos, processo pelo qual a planta produz e destrói compostos intermediários e produz energia.

Trabalhar para que a planta não apresente deficiência de Mn deve ser algo cotidiano dentro de uma propriedade agrícola. Para tanto, o técnico responsável deve testar doses, gramas por hectare, assim como diferentes momentos de aplicação, para saber como dirimir esta ocorrência.

Quando suprir a planta

A minha experiência vem demonstrando que quando o solo apresenta níveis muito baixos deste nutriente, abaixo de 10 mg por dcm³, o fornecimento deve começar pelo tratamento de sementes.

O fornecimento no momento do manejo pós-emergente, haja vista os danos causados pelo glifosato, é imprescindível, porém, o técnico deve testar doses, de 100, 200, 300, ou mesmo 400 gramas por hectare, para o melhor resultado agronômico. Um terceiro fornecimento também deve ser testado visando o aumento de produtividade, assim como doses.

Em plantas de soja com hábito de crescimento indeterminado, cuja principal característica é a emissão precoce de flores, o manejo pós-emergente deve ser antecipado, pois a planta inverte mais cedo o metabolismo dela, entrando na fase reprodutiva, assim como um fornecimento posterior tem mostrado bons resultados agronômicos.

Outra forma de se quantificar nutrientes no solo, além das análises de rotina, quando se dispersa o solo em CaCl, é por meio da análise do extrato saturado, quando não se dispersa o solo e a quantificação se dá pela saturação do solo por água e se mede a presença do nutriente na solução do solo, uma prática muito eficiente para Mn.

Via de regra, o fornecimento de Mn, mesmo em solos com bons níveis de concentração, tem apresentado bons resultados.

 

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