A discussão: tamanho é documento? Parece não ter fim

Na publicação anterior trouxemos uma discussão que já estava sendo feita por diversos grupos de profissionais ligados à cadeia de produção e uso dos produtos microbiológicos, e discutimos que precisamos padronizar a forma como apresentamos a concentração do ingrediente ativo, na bula dos produtos.

Publicado em 4 de setembro de 2022 às 07h58

Última atualização em 4 de setembro de 2022 às 07h58

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Será que isso é tão importante quanto parece?

Na publicação anterior trouxe uma discussão que já estava sendo feita por diversos grupos de profissionais ligados à cadeia de produção e uso dos produtos microbiológicos, e discutimos que precisamos padronizar a forma como apresentamos a concentração do ingrediente ativo, na bula dos produtos.

Porém, isso nos desperta para uma outra discussão: será que sempre uma maior concentração vai representar melhor eficiência do produto?

Nós sabemos que a eficiência do produto, seja um inoculante ou um biodefensivo será determinada pela sua capacidade de colonização e redução da presença do patógeno, respectivamente. E, embora um produto com maior concentração terá maiores chances de atingir estes objetivos, esta relação nem sempre será determinante.

Vamos usar como exemplo dois microrganismos embarcados em boa parte dos produtos registrados, a bactéria Bacillus subtilis e o fungo Trichoderma harzianum. No laboratório, são um terror para nós que estamos na bancada, pois qualquer erro, eles surgem como contaminantes e tomam conta de tudo. Essa característica de “aparecer onde não deveriam” mostra que são excelentes colonizadores e apresentam um metabolismo muito acelerado e flexível.

O ponto vai além da concentração, estamos falando em eficiência de colonização e/ou competição de um microrganismo. Mesmo um produto contendo 1011 UFC ou 109 UFC, terá como maior barreira a comunidade microbiana nativa do sistema, e terá que lutar para se estabelecer naquele sistema. A forma mais eficiente para se estabelecer é colonizar, metabolizar mais rápido e reduzir a quantidade de competidores, e isso é determinado pela capacidade genética da espécie e da CEPA! 

Temos nomeado essa capacidade de “agressividade” da cepa, e ela sim deve ser o fator mais importante ao se considerar um produto microbiológico. Se a cepa é “agressiva” a concentração pode ser menor. Se a cepa é eficiente, porém menos “agressiva”, ajusta-se isso na concentração. Ou simplesmente a empresa pode apresentar maior concentração como uma forma de garantia para o produtor! Mas não se prenda apenas à concentração.

Assim, temos vários elementos para considerar antes de fazer aquisição de um produto microbiológico de prateleira, ou de optar pela produção on farm. Concentração não é documento!

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