Painéis de fibra de resíduos

Resíduos moveleiros: estudo aponta viabilidade de painéis de fibra.

Publicado em 15 de janeiro de 2024 às 10h27

Última atualização em 15 de janeiro de 2024 às 10h27

Acompanhe tudo sobre fibra de resíduos, painéis de fribra, Resíduos e muito mais!

A Embrapa Agroindústria Tropical desenvolveu a tecnologia para a produção de painéis aglomerados a partir dos materiais sobressalentes do beneficiamento da madeira na indústria moveleira cearense.

Na publicação “Painéis aglomerados produzidos a partir de espécies florestais cultivadas no município de Acaraú, CE”, os pesquisadores da Unidade demonstram a aplicabilidade desse coproduto, além de identificar quais espécies florestais nativas apresentam as melhores características para a cadeia produtiva.

Crédito: Embrapa

Com o avanço dos plantios florestais, o aumento de resíduos originários de podas, desramas, desbastes e do processamento da madeira são consequências. No entanto, gera-se uma biomassa rica de frações lignocelulósicas que, transformadas na indústria, podem servir de matéria-prima para a movelaria.

Com essa possibilidade, a Embrapa Agroindústria Tropical realizou experimentos para sinalizar as características químicas desses materiais, principalmente das frações lignocelulósicas, que indicam a possibilidade de desenvolver rotas tecnológicas para agregação de valor desses resíduos devido ao elevado teor de lignina.

O estudo desenvolveu painéis de fibra a partir desse residual, sendo o produto final semelhante ao MDF utilizado em larga escala pela indústria moveleira.

A produção dos painéis de fibra

Os painéis foram produzidos a partir de galhos de árvores com 11 anos de idade cultivados na área experimental da Embrapa em Acaraú, no Ceará. As amostras de galhos foram trituradas e moídas. Logo após, foram secas em estufa de ar circulante a 105 ºC por 18 horas.

Painéis de 110 mm x 110 mm x 5 mm produzidos com as amostras foram cortados para formação dos corpos de prova utilizados nos ensaios clínicos. A formulação dos painéis foi de 26 g de fibras de madeira, 30 g de resina (Redemite), 6 g de água, 6 g de farinha de trigo e 1 g de sulfato de amônia (conforme indicação do fabricante da resina). A mistura foi pré-prensada em molde fechado à temperatura ambiente.

O colchão de fibras formado foi em seguida prensado em prensa aquecida a 180 °C. Após a prensagem a quente, as placas foram resfriadas sob compressão durante 18 horas, sendo então armazenadas a 25 °C e 50% de umidade por 48 horas; após esse período, os corpos de prova foram cortados em serra de disco.

Após a fabricação dos painéis, analisou-se a flexão, a determinação da densidade, o inchamento e a absorção de umidade pelas placas.

Resultados

Como resultado, a pesquisa aferiu que o aproveitamento dos coprodutos da produção de madeira por reflorestamento no estado do Ceará ou em outras regiões com condições análogas é tecnicamente viável e deve ser avaliado do ponto de vista ambiental e econômico.

Quanto à qualidade do material, as fibras obtidas de galhos das espécies nativas e exóticas e de clones de híbridos de eucaliptos selecionados no projeto apresentam-se como matéria-prima viável para a produção de painéis.

Com ajustes na densidade, as propriedades mecânicas dos painéis podem ser melhoradas. O tratamento dispensado às fibras no processamento industrial (explosão a vapor e refino) e a mistura de espécies madeireiras, entre outras melhorias de processo, poderiam ser adotados para melhorar o desempenho técnico e econômico dos painéis produzidos.

A seleção das espécies cultivadas

O projeto analisou o desempenho de 39 espécies arbóreas, 29 nativas e 10 exóticas, não tradicionalmente utilizadas no setor moveleiro, e seis clones de híbridos de eucalipto.

Após 11 anos de cultivo, as espécies nativas de Pau-d’arco-roxo (Handroanthus impetiginosus), Jatobá (Hymenaea courbaril) e Angico (Colubrina glandulosa), as espécies exóticas de Acácia-australiana (Acacia mangium) e Chichá (Sterculia foetida) e os clones de híbridos de eucaliptos VE38, VE41 e GG680 se destacaram pelo crescimento e desenvolvimento, sugerindo boa adaptabilidade à região.

Também foram realizadas análises de qualidade, experimentos para estabelecer parâmetros de cultivo e testes de novos materiais genéticos.

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Irrigação por gotejamento na cafeicultura reduz custos em SP

2

Inscrições abertas para o 36º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade Sustentável do Café para Espresso

3

Open Field Day 2025 celebra 20 anos com 2,8 hectares de hortaliças

4

Palmitolândia transforma palmito em experiência de turismo sustentável no Vale do Ribeira

5

Congresso Brasileiro do Agronegócio 2026 celebra 25 anos com foco na integração entre agro e indústria

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

chicchi di caffè

Inscrições abertas para o 36º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade Sustentável do Café para Espresso

Pratos elaborados com palmito (Foto: Gabriella Rodrigues, Palmitolândia)

Palmitolândia transforma palmito em experiência de turismo sustentável no Vale do Ribeira

Trabalhador - Créditos: Shutterstock

Trabalhador rural perdeu 295 horas de trabalho devido ao calor extremo

Soybean Harvest, Selected Soybean Seed, High Productivity

Crédito, dados e risco: o novo eixo do agronegócio brasileiro