Adubação com fósforo à taxa variável – Uma visão geral

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Publicado em 19 de setembro de 2015 às 07h00

Última atualização em 19 de setembro de 2015 às 07h00

Acompanhe tudo sobre Adubação, Agricultura de precisão, Processamento, Sustentabilidade e muito mais!

 

Fabiano Pacentchuk

Engenheiro agrônomo e mestrando em Agronomia – UNICENTRO ” Guarapuava, Paraná

fabianopacentchuk@gmail.com

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Na agricultura, as lavouras apresentam áreas com diferentes características físico-químicas, logo, necessitam de quantidades diferenciadas de insumos. Ao saber que as lavouras não são homogêneas, manejar os talhões com base nas médias não é a melhor opção. Diante disso, a agricultura de precisão (AP) tem fundamental importância.

Essencialmente, a AP divide um talhão em subáreas homogêneas que recebem os manejos adequados para cada situação. Em nível mundial, os primeiros relatos da AP são datados do final do século passado (1980). Mas, no Brasil as atividades da AP, apesar dos recentes avanços, ainda é incipiente, tendo seu efetivo início nos anos 2000.

Muito embora existam outras formas de emprego da AP, predomina a prática da fertilização das lavouras, que leva em consideração a amostragem georreferenciada visando à aplicação dos fertilizantes e/ou corretivos a taxas variáveis. Entretanto, vale a pena salientar que a AP é um sistema que leva em consideração a variação temporal e espacial das lavouras em todos os seus aspectos, e não apenas a fertilidade do solo.

Como é

No que tange a fertilidade de solo, de um modo bastante simples, na AP ocorre o planejamento das coletas de solo (amostragem em “grid“), coleta de solo propriamente dita, análise laboratorial, processamento dos dados e geração de um mapa de aplicação.

Uma melhoria desse método é possível, porém, além das amostragens de solo, leva-se também em consideração as plantas e, portanto, exige a geração de mapas de produtividade.

Após a geração dos mapas inicia-se uma fase mais complexa, visto que os conhecimentos agronômicos devem sem empregados objetivando a interpretação dos dados e a identificação e solução dos problemas em pequenas áreas do talhão em estudo.

Uma vez gerados os mapas, elimina-se a possibilidade de se trabalhar apenas com os teores médios dos talhões e, considerando a variabilidade espacial e temporal do talhão, prescreve-se a taxa de insumos de acordo com a necessidade específica de cada subárea.

O princípio é reduzir o talhão a subáreas que apresentem homogeneidade. Vale a pena salientar que deve se levar em consideração se os custos e também as tecnologias envolvidas permitem que os talhões sejam reduzidos e qual será o tamanho destes.

 

Nutrição de ponta

Tratando-se da AP na fertilidade do solo, um nutriente que merece destaque é o fósforo (P), visto que este apresenta uma série de particularidades, como por exemplo, uma forte interação com a fase sólida do solo, baixa mobilidade (agravada em solos argilosos), uma distribuição espacial desuniforme, etc.

Ainda neste contexto, o modo de aplicação do fósforo está intimamente ligado com o sucesso da aplicação. Basicamente, há dois modos de aplicação, sendo no sulco de semeadura e a lanço. As aplicações a lanço, mesmo em um curto período de tempo, podem aumentar o teor deste nutriente na camada mais superficial (3 a 5 cm), porém, devido à baixa mobilidade deste nutriente no solo, as camadas mais profundas poderão apresentar teores inadequados para as culturas, o que pode ser um limitante para a produtividade.

Tratando-se da aplicação no sulco de semeadura, as chances de uma maior distribuição do P no perfil do solo são maiores, sendo que se espera em um longo período de tempo a diminuição das diferenças dentro de um mesmo talhão.

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Mais que uma solução

A aplicação de P em taxa variável se mostra uma alternativa importante para o aumento da produtividade e diminuição dos custos de produção, consequentemente, alcançando a sustentabilidade do sistema.

A redução dos custos de produção deve-se ao fato de que as aplicações deste elemento levam em consideração os teores de cada área e não mais a média do talhão, ou seja, as chances de que ocorram aplicações em doses acima do necessário.

Entretanto, tendo em vista a forte interação do P com a fase sólida do solo, a baixa mobilidade deste nutriente no solo e também as características de crescimento radicular das culturas (principalmente anuais), mesmo com aplicações das doses corretas de P e manutenção de teores adequados no solo pode haver comprometimento de produtividade devido à carência deste nutriente, principalmente nas fases finais do ciclo das culturas.

Diante disso, pesquisas recentes mostram que aplicações foliares de P podem aumentar a produtividade das culturas mesmo em condições onde o suprimento deste nutriente está adequado.

Dica importante

O sucesso da aplicação foliar de P pode ser maximizado pelo conhecimento da área e das plantas adquirido por meio da agricultura de precisão.

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