‘Novo paladar’ do brasileiro faz com que cafés especiais cresçam 15% anualmente

Laís Moreira, especialista em café especial observa que o consumidor brasileiro está trocando o café preto por um café com mais "doçura" e complexidade.

Publicado em 14 de novembro de 2022 às 08h00

Última atualização em 14 de novembro de 2022 às 08h00

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Crédito Shutterstock

Levantamento feito em 2021 pela Federação dos Cafeicultores do Cerrado aponta que o consumo de cafés especiais no Brasil tem registrado um aumento médio anual de 15%. Esse crescimento demonstra uma mudança de hábito no consumidor brasileiro, que está trocando o café preto por um café de melhor qualidade.

“O café especial é o café puro, de qualidade, onde todos os processos são cuidadosamente pensados para entregar uma bebida com muito sabor. Já o tradicional é uma junção de muitas matérias e para uniformizar tudo isso ele é exposto a uma torra extremamente alta que chega a carbonizar, por esse motivo traz um sabor amargo e uma coloração preta.” explica Laís Moreira, especialista em café especial.

Café especial é o termo utilizado para nomear o café de mais alto nível disponível no mercado. A nomenclatura foi citada pela primeira vez em 1974 pela norueguesa Erna Knutsen na edição impressa do Tea & Coffee Trade Journal.

A demanda por um café de maior qualidade cresceu na década de 2000. Os métodos de cultivo desses cafés apresentam padrões superiores aos cafés tradicionais. Para ser caracterizado como especial, os grãos devem apresentar três requisitos mínimos, que são: ser colhido através da colheita seletiva de grãos maduros, ter no máximo cinco defeitos por sacas de 350g e na avaliação de especialistas em notas que vão de 0 a 100, só serão considerados especiais aqueles que pontuarem no mínimo 80. As sacas especiais podem custar até R$ 20 mil, enquanto versões tradicionais chegam na média de  R$ 2,3 mil.

No Brasil, os apreciadores desse tipo de grãos vêm crescendo. Em pesquisa realizada pela ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café) foi observado que dos 1.435 entrevistados, 25% preferem o café tradicional, 8% o extra-forte, 11% o superior, 35% o gourmet, enquanto 21% tem preferencia pelo café especial.

Laís vê uma mudança no comportamento do consumidor que está cada vez mais exigente. “Assim como aconteceu com o vinho, o azeite, o chocolate e a cerveja está acontecendo com o café. A busca por qualidade está cada vez maior. Culturalmente os brasileiros estão acostumados com café preto e amargo e entender que essas são características de um café de qualidade ruim leva tempo.”

A bebida de caráter social sempre esteve presente na mesa dos brasileiros. Nessa tendência de mudança de hábito da população, é percebida uma maior preocupação com a origem do produto, a região de cultivo, o processo que aquele café passou até chegar à xícara do consumidor final.

Laís explica que nos últimos anos tornar o café especial mais inclusivo foi essencial para que essa mudança no perfil do consumidor fosse notada. Antes visto como uma bebida “cara” e apenas de apreciadores, a mudança na comunicação e o crescimento de cafeterias que oferecem o item estão contribuindo para que mais brasileiros conheçam um produto de melhor qualidade.

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