Giberela no trigo: desafios e controle

A giberela é capaz de causar danos diretos no trigo, como redução na produtividade, perdas de produtos e também danos indiretos.
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Foto: Jayne Veiga

Jayne Deboni da Veiga
Marcos Lenz
Samuel Francisco Chitolina
Graduandos em Agronomia – Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS, campus Cerro Largo)
Juliane Ludwig
Doutora em Fitossanidade – UFPel e professora de Fitossanidade e Cultivos de Verão – UFFS
juliane.ludwig@uffs.edu.br

A giberela, causada pelo fungo Gibberella zeae é uma das doenças que possui mais relevância na cultura do trigo (Triticum aestivum), afetando tanto os grãos quanto as espigas.

É capaz de causar danos diretos, como redução na produtividade, perdas de produtos e também danos indiretos, como a produção de micotoxinas, ocorrendo com maior severidade em regiões de clima mais quente e úmido.

Seu controle é desafiador ao produtor, uma vez que depende de fatores ambientais. Períodos longos de chuva durante a floração favorecem a proliferação da doença. Em anos de ocorrência do fenômeno La niña, a doença tende a encontrar condições desfavoráveis, não sendo considerada preocupante.

Já nos anos de El Niño, como a precipitação pluvial e as temperaturas estão acima da média, a doença encontra condições favoráveis, tornando-se um sério problema para a produção e qualidade do trigo colhido.

Entenda a doença

O fungo se reproduz assexuada e sexuadamente. Na fase sexual, sendo denominada de giberela, ocorre a sobrevivência nos restos culturais e nas sementes. Esta, por sua vez, tem a capacidade de gerar variabilidade genética, ou seja, originar raças novas, que muitas vezes podem ser resistentes à aplicação de fungicidas de mesmo princípio ativo.

Como sintomas, apresenta estruturas denominadas peritécios superficiais, visíveis a olho nu, que possuem coloração preta. Nos peritécios, ocorre a produção de ascósporos que são disseminados pelo vento a longas distâncias, atingindo outras áreas.

Quando ocorre o encontro com o hospedeiro, principalmente a partir do espigamento até a fase de enchimento dos grãos (fase suscetível), ocorre o início da infecção nas espigas, iniciando a fase assexual, sendo denominada de fusariose, em que ocorre a produção de macroconídios, que são disseminados pelo vento e chuva.

Neste período há as maiores perdas em produtividade na lavoura. As espiguetas se apresentam com coloração salmão e se fazem presentes até o final do ciclo da cultura, onde, posteriormente, ocorre a formação de pontuações escuras, denominadas peritécios.

Sintomas

A doença expressa sintomas típicos, que facilitam sua identificação. Inicialmente as aristas tornam-se “arrepiadas”. Após isso, ocorre sua despigmentação, tornando-se esbranquiçada ou adquirindo a tonalidade de cor palha, enquanto as sadias encontram-se verdes.

Além disso, poderá ocorrer o abortamento floral e a má formação dos grãos, que se tornam chochos, enrugados, de menor tamanho e coloração rósea, impactando diretamente a produtividade.

Os fungos presentes nos grãos produzem micotoxinas, que são descritas como produtos do metabolismo secundário dos fungos. A intoxicação por micotoxinas pode ser causada de forma direta, por meio da ingestão do produto contaminado quanto indireta, pela contaminação de subprodutos e derivados.

Foto: Jayne Veiga

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Controle da doença

Dentre as doenças de cereais de inverno, a giberela ou fusariose é considerada a de mais difícil controle. Seu manejo é realizado por meio da adoção em conjunto de estratégias baseadas na resistência genética, manejo cultural e controle químico.

Atualmente, não há no mercado cultivares tolerantes ou resistentes a essa doença que dispensem totalmente a aplicação de fungicidas. No entanto, o agricultor pode optar pela utilização de sementes moderadamente resistentes e moderadamente suscetíveis (MR e MS).

Considerada a doença do plantio direto, devido à principal fonte de inóculo residir nos restos culturais e à grande liberação das suas estruturas de reprodução no ar, a rotação de culturas pode ser utilizada como um método não tão eficiente.

Justifica-se devido a serem encontradas estruturas do patógeno em resíduos vegetais de cevada, milho, centeio, soja e diversas plantas daninhas. Contudo, como a intensidade da doença depende diretamente das condições climáticas durante o período de suscetibilidade, que compreende ao início da floração (presença de anteras soltas) até o início da maturação das espigas (grão leitoso com anteras presas), a realização de semeadura antecipada desfavorece a infecção e disseminação do inóculo devido às plantas atingirem o período de maior suscetibilidade sob condições climáticas desfavoráveis.

Além disso, recomenda-se o escalonamento da semeadura ou semear cultivares com ciclos distintos ao espigamento. Assim ocorre o “escape”, onde a fase reprodutiva, que é a de maior suscetibilidade à doença, não coincide com o período em que as condições ambientais se encontram favoráveis à disseminação do patógeno, minimizando os riscos.

Manejo químico

No controle químico, recomenda-se o uso dos fungicidas de forma preventiva, ou seja, antes que o fungo inicie o processo de infecção ao hospedeiro. A aplicação vai depender também da natureza do fungicida, recomendando-se a aplicação na floração da cultura, principalmente no início deste estágio fenológico.

Quando a aplicação do fungicida é realizada de forma correta, com os equipamentos adequados e regulados para direcionar a calda para as laterais das espigas, a severidade da giberela pode ser reduzida em até 60%.

Foto: Jayne Veiga

No geral, recomendam-se duas aplicações após o início da floração e antes da ocorrência das condições climáticas favoráveis ao patógeno, e outra em no máximo 15 dias posterior à primeira aplicação, no momento em que as espigas estão esverdeadas.

Para o controle, são indicados fungicidas como: triazóis (epoxiconazol, propiconazol e tebuconazol) e piraclostrobina + metconazol. Fungicidas como prochloraz e os benzimidazóis são mais eficientes em casa de vegetação e, quando aplicados a campo, seu controle não é satisfatório devido à deficiente deposição dos mesmos nos sítios de infecção.

Em conclusão, para o manejo eficiente salienta-se a adoção conjunta de todos os métodos de controle abordados nos parágrafos acima. A adoção de apenas um método não chegará ao melhor resultado de controle, resultando, dessa forma, em danos aos componentes de produtividade e qualidade da cultura.

Além disso, o acompanhamento das condições ambientais favoráveis, a entrada com os métodos de controle de forma preventiva e o conhecimento do histórico de ocorrência da doença na área são detalhes que levarão à tomada de decisão precisa e rápida do agricultor, sob orientação de um engenheiro agrônomo, minimizando os danos à cultura.

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