Fertilizantes: a coisa está russa

Dentre alguns dos assuntos que unem Rússia e Brasil, o agronegócio está no centro da pauta e, mais ...
Fertilizante - Crédito: shurtterstock

Publicado em 3 de março de 2022 às 08h11

Última atualização em 3 de março de 2022 às 08h11

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Valter Casarin – Coordenador Científico da NPV

Fertilizante – Crédito: shurtterstock

Dentre alguns dos assuntos que unem Rússia e Brasil, o agronegócio está no centro da pauta e, mais especificamente, os fertilizantes. A agricultura brasileira é essencialmente dependente da importação de fertilizantes, uma vez que nossos solos, principalmente da região do Cerrado, são desprovidos de alguns dos principais nutrientes essenciais para a produção de alimentos.

A Rússia é um país de grande importância para o mercado de fertilizantes brasileiro, sendo responsável por aproximadamente 22% dos 41,1 milhões de toneladas de fertilizantes importados pelo Brasil em 2021. Já a representatividade russa no mercado mundial de fertilizantes demonstra sua importância: 2º produtor mundial de fertilizantes nitrogenados, 4º em fosfatados e 2º em potássicos.

Por outro lado, o Brasil é reconhecido mundialmente como uma potência agrícola, como grande produtor e exportador de alimentos, o que nos torna dependentes da importação de fertilizantes para manter os altos patamares produtivos. Desta forma, o tema fertilizante, conforme afirmava nosso saudoso Prof. Alfredo Scheidt Lopes, deveria ser tratado como assunto de segurança nacional. Hoje, a palavra do professor emérito de Lavras vai se revelando uma grande verdade.

Vale lembrar que o agronegócio brasileiro foi responsável por 26,6% no Produto Interno Bruto (PIB) do país, podendo subir para 28% em 2021, segundo projeções da CNA e do Cepea. Entretanto, a crise na oferta de fertilizantes pode trazer problemas para a economia brasileira, afetando a produção, o que pode provocar o desabastecimento de alimentos e, como consequência, causar efeitos severos na inflação.

O cenário que se apresenta, mostra claramente que o uso de fertilizantes é o caminho mais sensato para aumentar o rendimento das lavouras, isto é, produzir mais alimentos por área. A FAO, organização voltada para alimentos e agricultura das Nações Unidas, em relatório de 2007, indicou “que não seremos capazes de alimentar 10 bilhões de pessoas em 2050 sem o uso criterioso de fertilizantes minerais”. 

Desta forma, o Brasil faz seus esforços para manter o suprimento de fertilizantes para que possamos manter a capacidade produtiva de nossos solos, produzindo grãos, proteínas, fibras e energia. Com a tecnologia empregada em nossa agricultura, o agronegócio brasileiro continua produzindo com eficiência e sustentabilidade, assegurando não somente o abastecimento interno, mas exportando para a demanda global de alimentos.   

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