Hortelã em hidroponia compensa?

O mercado de hortelã tem se mostrado positivo para os produtores, remunerando bem os hidroponistas. De baixo custo, a hortelã em cultivo hidropônico pega carona nas demais hortaliças plantadas neste sistema e, portanto, divide o investimento com ela.
Hortelã em Hidroponia, compensa?
Hortelã em Hidroponia, compensa?

Publicado em 26 de outubro de 2019 às 09h42

Última atualização em 26 de outubro de 2019 às 09h42

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Fotos: Luiz Fernando Calderaro

O mercado de hortelã tem se mostrado positivo para os produtores, remunerando bem os hidroponistas. De baixo custo, a hortelã em cultivo hidropônico pega carona nas demais hortaliças plantadas neste sistema e, portanto, divide o investimento com ela.

A hidroponia consiste num sistema de cultivo em que as plantas se desenvolvem sem a utilização de solo. Neste sistema podem ser produzidas hortaliças, frutas, flores, cereais e plantas medicinais.

A hidroponia é uma técnica com bastante aplicação em pequenas propriedades, permitindo uma produção mais intensiva – pode ser feita em áreas urbanas e em locais com sérias restrições à agricultura, como solos muito pobres, regiões áridas, áreas muito inclinadas, entre outras.

O caso da hortelã

Luiz Fernando Calderaro, proprietário do sítio Jamarí, que abriga a Hidropônico Calderaro, em Capão Bonito (SP), planta uma média de 30 produtos, todos em hidroponia, entre eles a hortelã, há mais de 20 anos, e afirma que é um cultivo que compensa, desde que a demanda seja pré-estabelecida. “Como eu trabalho com diversas hortaliças, e meus clientes são muito exigentes quanto à qualidade do alimento, a hidroponia vai de encontro a isso, pois ofereço produtos mais limpos, saudáveis, com mais aproveitamento e vida de prateleira maior, já que é comercializado com raiz”, explica.

A hortelã é um de seus carros-chefes, com boa procura, segundo o produtor. Um diferencial apontado por ele, neste cultivo, é que, por tradição o brasileiro não consome salada (ou consome pouca) no frio, e por isso há uma queda de 30 a 40% na procura desses alimentos durante o inverno.

Já a hortelã tem um consumo constante, sem oscilação de mercado, pois no inverno ele é procurado para fazer chá, e no verão para sucos e saladas, tornando interessante seu cultivo. Por isso, o produtor destinou a este cultivo oito mil metros quadrados em hidroponia.

Manejo

As mudas de hortelã de Luiz Fernando são produzidas por estaquia, pois ele alega que ainda não encontrou no mercado sementes que garantam bons resultados. “Fazer a própria muda é um tanto complicado. É preciso acertar vários pontos específicos, e contar com ajuda profissional, pois do contrário há grandes perdas. No início é maior o investimento em mão de obra. Preocupo-me de colher com a raiz, visando uma melhor pós-colheita”, detalha o produtor.

As plantas recebem da água enriquecida com nutrientes tudo aquilo que é necessário para o crescimento. A essa substância dá-se o nome de solução nutritiva, que é um dos mais importantes processos, pois é ela que substitui umas das funções mais nobres do solo: fornecer nutrientes. Logo, é através da qualidade desta solução que se garante o desenvolvimento pleno e saudável da cultura cultivada.

Para garantir a qualidade desta solução, alguns parâmetros precisam ser observados, sendo eles: temperatura da solução, nível de oxigênio, condutividade elétrica e o pH.

Quanto ao controle fitossanitário, Luiz Fernando diz que são poucas as pulverizações direcionadas para a hortelã, por se tratar de uma cultura bastante resistente a pragas e doenças. Por isso, o cultivo hidropônico dele é praticamente 100% biológico.

Mercado

Com qualidade e procedência de cultivo, o mercado de hortelã tem se mostrado positivo para os produtores, e a hidroponia tem se encaixado bem nesse quesito, remunerando bem os produtores.

Em números

De baixo custo, a hortelã em cultivo hidropônico pega carona nas demais hortaliças plantadas neste sistema e, portanto, divide o investimento com elas. Também exige pouco uso de defensivos agrícolas. “A rentabilidade é bastante positiva, com renda contínua e sem oscilações”, garante Luiz Fernando.

Com 60 mil metros de área de total, o produtor trabalha com sistema de rotação entre todas as 30 hortaliças, desde mudas pequenas até produtos em fase de colheita no mesmo setor. “Assim, optei por trabalhar com um preço médio da minha produção, o que é diferente do que a maioria faz. Prefiro o sistema de parcerias e preço fixo anual, sem surpresas para meus clientes, que reclamavam muito dos ‘leilões’ de mercadorias que outros fornecedores deles faziam. Portanto, como planto tudo junto, meu custo de produção médio é de R$ 1,50 a R$ 1,60 por pé (seja de alface ou hortelã), e o que mais onera é a logística, já que estou distante do meu centro consumidor. Também não abro mão de registrar todos os meus funcionários e manter toda a minha empresa trabalhando legalmente, o que eleva meu custo”, detalha.

O lucro, portanto, fica em torno de 15 a 20% de lucro, segundo revela Luiz Fernando. Para isso, a venda chega a cinco mil maços por dia, sendo 10% deles hortelã, ou seja, 500 maços de hortelã, um número considerável.

Com 60 mil metros de área de total, o produtor trabalha com sistema de rotação entre todas as 30 hortaliças. 

Custo de produção médio é de R$ 1,50 a R$ 1,60 por pé (seja de alface ou hortelã)

O lucro, portanto, fica em torno de 15 a 20% de lucro

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