Intempéries desafiam o cultivo de grãos

O clima sempre é elencado como uma preocupação constante para os agricultores.
Grãos - Foto: Divulgação

Publicado em 2 de setembro de 2021 às 13h04

Última atualização em 2 de setembro de 2021 às 13h04

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Grãos – Foto: Divulgação

A frequência de perdas em safras subsequentes pode comprometer a continuidade da atividade agrícola, por isso é fundamental mitigar os riscos climáticos

O clima sempre é elencado como uma preocupação constante para os agricultores. Mas, nem todos conseguem ter consciência da importância de gerenciar os riscos climáticos. Entre os produtores que despertaram para essa realidade está o engenheiro agrônomo Paulo Vinícius Tamborlim, que viu na prática como o seguro rural é importante para preservar o seu patrimônio.

Paulo Vinicius Tamborlim produz grãos na região de Atalaia, município paranaense próximo de Maringá (PR). A agricultura é uma tradição em sua família, ancorada nas atividades do avô e do pai, dos quais Tamborlim herdou a paixão pelo campo. Mas, não só isso: ele também herdou o cuidado de mitigar os riscos climáticos. “Meu pai é muito cauteloso, aprendi a investir em seguro com ele e eu acho que compensa muito fazer seguro. Temos uma empresa de céu aberto que é muito imprevisível. Nosso maior objetivo é não quebrar e continuar persistente na atividade, sendo sustentável no longo prazo. Então, quando eu calculo o custo de produção, já deixo o seguro embutido”, conta o produtor.

Ele contrata seguro agrícola da Fairfax por meio da cooperativa Sicredi há quatro anos, assegurando toda a área cultivada com grãos. Na safra de soja 2020/21, Tamborlim firmou quatro apólices que totalizaram 500 hectares de soja assegurada. Ele conta que iniciou a safra com boas perspectivas, fez análises de solo e correção de calcário, investiu em adubação no sulco, em boas sementes e defensivos. As plantas se desenvolveram bem e ele previa produtividade em torno de 60 sacas por hectare.

No entanto, os planos otimistas foram totalmente frustrados. Infelizmente, já no fim da safra, o produtor foi pego de surpresa com excesso de chuvas. Entre janeiro e março de 2021, as precipitações excessivas prejudicaram as lavouras de tal maneira que houve sinistro para as quatro apólices contratadas. “Eu nunca vi tanta chuva aqui na região. O solo ficou encharcado e as plantas de soja abortaram as vagens”, conta. Ele acionou a seguradora Fairfax e já recebeu a indenização da safra de soja, referente a 60% da área cultivada. Nos 40% restantes, a produtividade girou em torno de 54 sacas por hectare.

Tamborlim retomou o otimismo para focar na safrinha de milho 2020/21, finalizando o plantio em 21 de março. O cereal foi cultivado em 450 hectares, rotacionando o restante das áreas dos lotes com cultivo de aveia e milheto. Novamente, o cenário foi desalentador. “Infelizmente, vivenciamos problemas, mas com seca. Tivemos quase 60 dias de estiagem e o milho safrinha foi mais castigado ainda aqui na nossa região”, afirma.

Durante a safra de milho, o agricultor se surpreendeu novamente. “Após a estiagem, tivemos três ondas de frio intenso que ocasionaram em geadas nas três vezes. Infelizmente a nossa safra está lastimável”, conta. Segundo Tamborlim, todas as áreas cultivadas com milho registraram sinistro e ele já acionou a Fairfax. A seguradora já realizou a primeira visita pericial para verificar os danos e está aguardando a finalização da colheita de milho pelo agricultor para providenciar a indenização.

A ocorrência de um ano tão atípico, com duas safras sequenciais sendo muito prejudicadas pelo clima deixou o produtor ainda mais certo de que o seguro agrícola é indispensável. “Em agricultura, cada ano é um ano. Não temos estabilidade. Em um ano podemos produzir bem e ganhar dinheiro e, no ano seguinte, o clima ruim tira tudo aquilo que a gente ganhou”, reflete o agricultor.

Apesar das intempéries, Paulo Vinícius Tamborlim conta que, pelo fato de gerenciar os riscos climáticos, pode se sentir confortável para trabalhar no campo. “Eu invisto em sementes de boa qualidade, invisto em adubação, faço os tratos culturais corretos e, se acontecer algum fenômeno da natureza, estamos amparados pelo seguro”, diz.

A cooperativa Sicredi mantém uma parceria com a Fairfax e atua na corretagem de seguros para os cooperados. “Temos uma parceria que traz segurança e confiança. A gente consegue comercializar o produto e eu tenho certeza de que não vou ter uma surpresa negativa. Temos total confiança no atendimento e no pagamento de indenizações”, conta Karyn Kristyane Fornazzari, especialista em seguro agrícola do Sicredi União, com atuação em Maringá (PR). “As opiniões e sugestões da cooperativa são ouvidas, a seguradora está sempre disposta a ajudar e hoje a Fairfax é a nossa principal parceira.”

Segundo Karyn, esse tipo de parceria colabora para desburocratizar o acesso ao seguro rural no Brasil, além de trazer vantagens para os produtores. “Na cooperativa conseguimos operações estruturadas com condições diferenciadas, pensando na realidade dos nossos associados”, diz a especialista. O Sicredi dá total suporte ao produtor, desde o momento da cotação do seguro até o acompanhamento de um possível processo de sinistro, o que também colabora para que o produtor se sinta mais confortável.

Atualmente, são oferecidas opções de seguros para grãos, máquinas e equipamentos com condições especiais para os cooperados do Sicredi e a cooperativa busca orientar sobre a contratação. “A gente procura conscientizar cada vez mais sobre a importância do seguro agrícola, é importante para o produtor ter uma boa saúde e capacidade financeira. Enxergamos o seguro não só como um produto, mas como um benefício que permite uma gestão de riscos adequada”, afirma Karyn.

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