Culturas de inverno devem gerar oportunidades de renda

Expectativa é de crescimento na área de trigo no Rio Grande do Sul devido à rentabilidade e negócios como o uso para nutrição animal.

Publicado em 11 de maio de 2021 às 11h17

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h06

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As culturas de inverno, além de auxiliar agronomicamente o solo para o plantio das culturas de verão, este ano vão trazer renda ao produtor. Esta é a avaliação dos convidados do Agropauta Web Talks, realizado na noite desta segunda-feira, 10 de maio. Além disso, a demanda pela nutrição animal também é um fator preponderante para a alta procura pelos cultivos. Participaram do debate o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS) e presidente da Coopatrigo, de São Luiz Gonzaga (RS), Paulo Pires, o chefe-geral da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski, e o gerente de pesquisa da CCGL e coordenador da Rede Técnica Cooperativa (RTC), Geomar Corassa.

Corassa trouxe números da RTC que apontam que a área de trigo no Rio Grande do Sul deve crescer ao menos 10% nesta safra e que pode, inclusive, as expectativas superarem este indicativo inicial. “Conseguimos vislumbrar uma expansão das culturas de inverno, com destaque para a cultura do trigo, muito em função de o produtor em tentar usar melhor sua área no inverno e também baseado em uma expectativa de uma realidade de preço diferenciado que a gente não via há muitos anos e isso anima o produtor para uma expansão de área. Mas também uma expansão de áreas de outras culturas como aveia, canola, cevada, centeio e triticale que também buscam seu espaço e trazem um viés de rentabilidade. Temos relatos de muitas cooperativas que a área de canola está crescendo assim como a de cevada”, observou.

De acordo com Pires, o aumento deve ocorrer especialmente em áreas em que não eram tradicionais a implantação da cultura, além da manutenção em áreas intensivas como as Missões e a região de Santa Rosa. Sobre a questão dos custos em relação à renda, o dirigente reforçou que o produtor tem um cenário favorável como não se via há tempos. “Todos os produtores e técnicos sabem do potencial da lavoura de trigo hoje. Não tenho dúvidas que é um momento extraordinário para levar renda para a propriedade. Saímos de uma safra boa de verão, com remuneração igualmente boa. É muito importante que os que trabalham com a pesquisa apresentem o trigo como uma cultura fundamental na propriedade, mostrando a cultura como uma cultura promissora, do lado agronômico, técnico e, neste ano, também do lado econômico”, salientou.

Já Lemainski apresentou que no Brasil Central o cenário era de 220 mil hectares cultivados e há uma expectativa de aumentar para 250 mil hectares. Já no Sul do Brasil o indicativo de quebrar a barreira de um milhão de hectares no Rio Grande do Sul. “Sob o ambiente do aspecto técnico, a utilização da terra é imprescindível para melhorarmos a condição de estrutura do solo. Sob o ponto de vista da intensificação sustentável necessária, a melhor safra de verão é preparada no inverno. Reduzo o custo em R$ 120,00 por hectare no uso de herbicidas numa lavoura de soja com uma lavoura de inverno. Sob esse ponto de vista de manejo eficiente eu posso ter estas oportunidades que estão postas. Não só na lavoura de trigo para consumo humano, que é a principal vertente, mas há liquidez estabelecida no mercado”, ressaltou.

O Agropauta Web Talks é promovido pela AgroEffective e quinzenalmente traz nas segundas-feiras um debate virtual sobre temas relacionados ao setor. O próximo assunto será dia 24 de maio, às 19h, discutindo o novo status sanitário para o Rio Grande do Sul com a perspectiva de confirmação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para livre de aftosa sem vacinação.

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