Hidroponia com insumos biológicos

Atualmente, o controle biológico é uma realidade na agricultura brasileira e, gradativamente ...
Alface - Crédito: Eduardo Miyayaciki

Publicado em 19 de abril de 2021 às 12h15

Última atualização em 19 de abril de 2021 às 12h15

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Diouneia Lisiane BerlitzBióloga, doutora e sócia administrativa da DLB Soluções Biológicasdberlitz@hotmail.com

Alface – Crédito: Eduardo Miyayaciki

Atualmente, o controle biológico é uma realidade na agricultura brasileira e, gradativamente, vem se tornando uma opção viável para os produtores hidropônicos. Na hidroponia, assim como em qualquer cultivo, ocorrem pragas e doenças que devem ser monitoradas.

No aspecto biológico, o intuito do controle é manter a população da praga ou doença em níveis aceitáveis, que não irão causar prejuízos econômicos, uma vez que eliminar determinado agente causador de doença ou praga é inviável e praticamente impossível.

A hidroponia apresenta vantagens especialmente pela utilização de espécies de ciclo curto, menor utilização de água (cerca de 50 a 75% menor, quando comparada ao cultivo convencional), insumos agrícolas e mão de obra.

Dentre as espécies cultivadas sob o sistema hidropônico pode-se citar as folhosas, como alface e agrião; os frutos como tomate e o pepino; condimentos como cebolinha, coentro e manjericão; frutíferas como melão e morango, dentre outros.

Os principais agentes causadores de doenças no sistema hidropônico são fungos, com cerca de 68% da ocorrência, seguidos por bactérias (7%) e vírus (3%). Em relação às pragas, são identificados cerca de 9% da ocorrência em hidroponia (Lopes et al., 2015).

Dentre os fungos, pode-se citar o gênero Pythium, Rizoctonia e Sclerotinia nas raízes das plantas, e o oídio e o míldio na parte aérea, além de bactérias como Erwinia sp. e insetos transmissores de vírus.

Os prejuízos decorrentes de pragas e/ou doenças na hidroponia são dependentes da espécie de patógeno, do nível populacional do mesmo e da cultura atingida, mas pode causar a perda total da cultivar, quando não tratada.

Um dos fatores agravantes é a dispersão do patógeno pelo próprio sistema hidropônico que é interligado, o que favorece a disseminação. Um exemplo é o míldio da alface, causado por Bremia lactucae que pode causar perdas de 80% à cultura (Töfolli et al., 2014).

Manejo biológico

O controle biológico das doenças radiculares pode ser realizado com formulações de Trichoderma sp. e de bactérias como Bacillus subtilis, B. amyloliquefaciens e B. licheniformis, cujas características apresentam potencial fungicida.

Essas formulações podem ser diluídas na cisterna de água e aplicadas diretamente na circulação da água no sistema hidropônico ou no gotejamento do sistema semi-hidropônico. Apesar disso, algumas restrições no uso da técnica são a incompatibilidade da maioria das formulações a produtos químicos, por se tratarem de células vivas dos microrganismos citados.

No trabalho de Côrrea & Bettiol (2009), a utilização de Peanibacillus lentimorbus e B. subtilis em plantas de alface inoculadas artificialmente com o agente causador da podridão da raiz, reduziu em 67 e 17%, respectivamente. Em plantas inoculadas naturalmente, a redução foi de 100 e 60%, respectivamente. Além disso, essas bactérias proporcionaram o melhor desenvolvimento das plantas de alface.

Investimento

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 Em média, produtos biológicos com ação fungicida, por exemplo, Trichoderma sp. e B. subtilis, podem apresentar custos de R$ 200,00 a R$ 300,00 o litro de produto.

Considerando que na hidroponia pode-se aplicar, em média, 1,0 mL/L de água (na caixa de circulação), estima-se um custo de R$ 0,20 a R$ 0,30 por litro de água.

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