Produtores usam silo-bolsa para contornar déficit de armazenagem

Crédito Ipesa

Publicado em 7 de janeiro de 2015 às 07h00

Última atualização em 7 de janeiro de 2015 às 07h00

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Adriano Divino Lima Afonso

Engenheiro agrícola, doutor e professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste/campus de Cascavel

custodio@iapar.br

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Nos últimos anos o Brasil vem registrando safras de grãos seguidamente superiores aos anos anteriores. De acordo com o último levantamento realizado pela Conab, a safra 2013/14 foi estimada em 195,47 milhões de toneladas, representando um aumento de 3,6% em relação à safra anterior. Com o aumento contínuo na produção de grãos há necessidade crescente de novas estruturas armazenadoras capazes de suprir essa demanda de armazenamento, principalmente nos períodos das grandes safras.

A implantação de uma nova estrutura armazenadora, seja na propriedade agrícola ou de unidade coletora capaz de suprir a necessidade de armazenamento de determinada região demanda algum tempo, pois são necessários a realização de projetos, avaliações técnicas e econômicas, contratação de obras civis e de montagem e a propriamente dita instalação da estrutura armazenadora.

Adriano Divino Afonso, engenheiro agrícola e professor da Unioeste - Crédito Arquivo pessoal
Adriano Divino Afonso, engenheiro agrícola e professor da Unioeste – Crédito Arquivo pessoal

Assim, a implantação de uma unidade armazenadora tradicional, composta com todos os equipamentos necessários para a conservação de produtos agrícolas, irá necessitar de oito a 12 meses desde o seu projeto até a operação, dependendo da complexidade da mesma.

Esse tempo necessário, aliado a fatores como demora na liberação de financiamentos, problemas na contratação e entrega de equipamentos e na montagem da obra contribui para que ocorra um déficit de armazenagem no Brasil, acarretando problemas aos produtores, seja pela falta de estruturas armazenadoras apropriadas, seja pela logística de transporte, principalmente na época de safra, quando os custos com o transporte são majorados de forma excessiva.

Capacidade brasileira

Segundo a Conab, a capacidade estática do Brasil é estimada em aproximadamente 149,64 milhões de toneladas. Considerando os dados dessa mesma instituição, observa-se que há no Brasil um déficit de armazenagem da ordem de 45 milhões de toneladas.

Apesar da Lei 9.973, de 29/05/2000, que foi regulamentada pelo Decreto 3.885 de 3/07/2001, prever que toda a Unidade Armazenadora no Brasil deve ser cadastrada na Conab, o que se verifica na prática é que nem todas realizam o cadastramento, principalmente as instaladas em propriedades agrícolas.

Dessa forma, o déficit real de armazenagem no Brasil é menor que o estimado oficialmente. Há determinadas regiões do Brasil, principalmente as grandes produtoras de grãos, como o Estado de Mato Grosso e a recente região produtora conhecida como Mapitoba, que engloba os Estados de Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia, que têm vivenciado problemas de armazenagem e logística na época de safra, acarretando problemas aos produtores de estocagem e escoamento da produção na época das safras.

O grão poderá permanecer no interior do silo-bolsa o tempo suficiente até a sua comercialização - Crédito Ipe
O grão poderá permanecer no interior do silo-bolsa o tempo suficiente até a sua comercialização – Crédito Ipe

Principalmente nas regiões citadas, a falta de estrutura viária adequada acarreta um alto custo do frete para transportar a produção da propriedade agrícola até a unidade armazenadora, sendo que em alguns casos os produtores não conseguem escoar a produção por excesso de chuva, que impede o fluxo de veículos de transporte.

Solução

Uma solução para suprir o déficit existente de armazenagem no Brasil, a falta de estrutura armazenadora convencional nas propriedades agrícolas e a inadequada de estrutura viária, tem sido a adoção por parte dos produtores de grãos da conservação de grãos em silo-bolsa.

Não somente os produtores agrícolas têm utilizado esse tipo de estrutura de armazenamento, mas verifica-se também que grandes empresas privadas de armazenagem têm utilizado essa prática de conservação de grãos em silos-bolsa em função, principalmente, de aumento de produção de grãos em determinadas regiões de abrangência de suas unidades armazenadoras, seja devido ao aumento de área plantada ou de produtividade.

Os silos-bolsa são estruturas provisórias de armazenagem que têm por objetivo suprir a demanda na conservação de diferentes espécies de grãos de maneira rápida e com baixo custo de implantação e operacional, comparativamente a uma estrutura armazenadora convencional, podendo armazenar até 180 toneladas de grãos.

O silo-bolsa

Basicamente, o silo-bolsa é composto por uma lona plástica com formato de um tubo com cerca de 60 m de comprimento, sendo comercializados em diferentes diâmetros.

A lona que compõe o silo-bolsa é composta por camadas de polietileno que são impermeáveis à passagem de água e a moléculas de oxigênio. O produto agrícola é colocado no interior do silo-bolsa utilizando um equipamento apropriado para enchimento, que é acoplado a um trator agrícola.

Do ponto de vista técnico, para melhor preservação da qualidade do produto agrícola, o mesmo deve ser colocado devidamente seco e com temperatura natural, evitando assim o desenvolvimento de pragas, particularmente de fungos.

As extremidades do tubo que formam o silo-bolsa devem ser devidamente lacradas ou fechadas após o seu enchimento, impedindo a entrada de oxigênio nessas regiões. O oxigênio presente no interior do silo-bolsa durante a etapa de enchimento será consumido naturalmente pelo processo respiratório da massa de grãos, liberando dióxido de carbono nesse processo.

Dessa forma, os seres vivos aeróbios que causam deterioração do produto, como os fungos e insetos, não sobrevivem devido à ausência de oxigênio e presença de dióxido de carbono. Portanto, o produto agrícola não degradará pela ação dessas pragas.

 

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