Florada e frutos ao mesmo tempo no café?

Florada e frutos ao mesmo tempo no café?
Florada e frutos ao mesmo tempo no café?

Publicado em 7 de outubro de 2019 às 14h18

Última atualização em 7 de outubro de 2019 às 14h18

Acompanhe tudo sobre Água, Café, Colheita, Irrigação, Solo e muito mais!

Autores

José Braz Matiello
jb.matiello@gmail.com
Marcelo Jordão Filho
marcelo@fundacaoprocafe.com.br
Engenheiros agrônomos da Fundação Procafé
Crédito: Marcelo Jordão Filho

A florada do café é uma das épocas mais importantes e bonitas do ciclo cafeeiro. Além de decorar as lavouras, registra o nascimento da próxima safra. Essa fase costuma acontecer entre outubro e dezembro, mas atualmente está ficando cada vez mais comum observar floradas fora de época causadas pela instabilidade climática.

Este fenômeno resultará em um problema ainda maior: a desigualdade na maturação dos cafés. Com isso, um único pé poderá apresentar frutos verdes, cerejas, passas e secos na mesma época e até flores mais tardias, dificultando o processo de colheita e diminuindo a quantidade e a qualidade da safra.

O fenômeno vem ocorrendo devido às mudanças no clima, com chuvas mais precoces e com mais calor.

Panorama

Em meados de agosto de 2018 ocorreu uma florada precoce em cafeeiros em muitas regiões de café arábica, no Centro-Sul do País.  Ela veio com uma a duas chuvas que ocorreram, com volume de 20-60 mm, no início de agosto.

Como as plantações de café vinham de um período de estresse hídrico, iniciado em abril/maio, já acumulando em julho/agosto um déficit hídrico, parte dos botões florais mais velhos já estavam em bom estágio, aptos para se abrirem em flores, quando da ocorrência de um diferencial hídrico pelas chuvas.

Neste ano de 2019 o fenômeno se repetiu em diversas regiões, também com chuvas esparsas em agosto. Com isso, tivemos na safra de 2019, e teremos novamente o problema em 2020, com a presença de flores e frutos quase na mesma época. A floração aconteceu com maior intensidade em lavouras cujos cafeeiros se encontravam com maior nível de estresse, havendo florada mais intensa em lavouras desfolhadas, em cafeeiros jovens e em variedades mais precoces e que sofrem maior estresse, como na Mundo Novo.

Ainda, a florada foi maior do lado dos cafeeiros mais batidos pelo sol da tarde, assim como no ponteiro das plantas.

 Como tudo tem lados bons e ruins, aqui também a regra vale. Bom por ter chovido mais cedo e, assim, recompor ligeiramente a água do solo e, em continuidade, antecipar o crescimento de um par de folhas novo, na ponta dos ramos, evitando que eles acabem secando.

Ruim pela desuniformidade entre esta e as floradas futuras, as quais podem se suceder até novembro/dezembro, dificultando a colheita devido à maturação desigualada dos frutos da próxima safra. Sobre o risco da falta de chuvas, em continuidade, que poderia prejudicar o pegamento da florada, é sabido que logo após a floração, até 80 dias depois, os frutinhos pouco crescem e, em certos casos, a falta de chuvas até favorece, por não possibilitar um microclima úmido, condição propícia às doenças da florada e dos chumbinhos.

Como evitar?

As condições de clima não podem ser evitadas nas lavouras de sequeiro, que compõem a maioria das áreas cafeeiras no Brasil. Com a irrigação é possível, por meio de estresse controlado, seguido de irrigação programada, uniformizar melhor as floradas.

No entanto, essas plantas vão ter, com certeza, dificuldades no pegamento dessa florada, ou seja, no número de frutos que chegarão até a colheita futura. Melhor são cafeeiros que escondem parte da florada, justamente por estarem mais bem vestidos de folhas, estas responsáveis pela manutenção de reservas que servirão para o desenvolvimento da frutificação.

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