Análise do solo – A base da agricultura

A utilização de doses adequadas de fertilizantes e corretivos é essencial para a obtenção de produtividades compensatórias economicamente para o produtor. Doses em excesso, além de representarem gastos desnecessários, podem causar fitotoxidez ou desequilíbrios nutricionais.

Publicado em 14 de maio de 2019 às 16h11

Última atualização em 14 de maio de 2019 às 16h11

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Autores

Wedisson Oliveira Santos
Professor de Adubos e Adubação, Fertilidade e Química do Solo da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Instituto de Ciências Agrárias (ICIAG)
wedisson.santos@ufu.br
José Geraldo Mageste da Silva
Professor de Gênese e Fertilidade do Solo, e Aptidão agroflorestal da UFU/ICIAG
jgmageste2@gmail.com
Carolina Santos Benjamin
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia – Universidade Federal de Viçosa (UFV)
carolinabenjamin_1@hotmail.com

A utilização de doses adequadas de fertilizantes e corretivos é essencial para a obtenção de produtividades compensatórias economicamente para o produtor. Doses em excesso, além de representarem gastos desnecessários, podem causar fitotoxidez ou desequilíbrios nutricionais.

Por outro lado, o uso recorrente de subdoses de fertilizantes implicará em baixas produtividades, podendo levar a esgotamentos de nutriente no solo. Neste sentido, há necessidade de avaliar corretamente a fertilidade atual do solo. Assim, a avaliação da fertilidade, em suma, envolve procedimentos de amostragem de solo, métodos de análises químicas e técnicas de diagnósticos e interpretação dos resultados analíticos.

Análise de solo

A análise química do solo para fins de fertilidade justifica-se pela necessidade de se conhecer a disponibilidade de nutrientes (teores disponíveis) e de elementos químicos potencialmente tóxicos (como o Al3+), antes da implantação dos cultivos, como também ao longo do ciclo de cultivos perenes. Portanto, a análise química do solo é “ferramenta” essencial para o correto diagnóstico da fertilidade do solo e, consequente, para a racional recomendação de corretivos e fertilizantes para as mais diversas culturas agrícolas ou florestais.

Benefícios

Uma vez conhecidos os indicadores de fertilidade por meio da análise química do solo, comparam-se os resultados com tabelas, previamente calibradas, disponíveis nos manuais de recomendação de adubação e calagem para as diferentes regiões.

Assim, é possível fazer o correto diagnóstico da disponibilidade de nutrientes e presença de elementos tóxicos, dando suporte à definição de doses de corretivos e fertilizantes para as diferentes culturas. Percebe-se, portanto, que o benefício da análise química do solo está relacionado ao uso de doses adequadas e equilibradas de nutrientes para os cultivos, objetivando a obtenção de produtividades de máxima eficiência econômica.

Culturas beneficiadas

 A análise química do solo é essencial para o diagnóstico da fertilidade e recomendação de corretivos e fertilizantes para todas as culturas, nas quais estudos de correlação/calibração foram realizados, incluindo pesquisas adicionais com resposta dos cultivos à adição de nutrientes no solo, o que permitiu a geração de tabelas de recomendação.

Estas tabelas estão disponíveis nos manuais técnicos ou nas chamadas “aproximações” para as diferentes regiões brasileiras, ex: o Boletim Técnico 100 (SP), 5ª Aproximação (MG) e os Manuais de Adubação e Calagem (PR, SC e RS).

Manejo

A análise química do solo deve ser idealmente realizada em laboratórios certificados por algum programa de controle de qualidade, como o Profert (MG), IAC (SP), CELA (PR) e Embrapa.

Compete ao produtor fazer corretamente a amostragem de solo para encaminhar aos laboratórios. Esta é a mais importante etapa para o correto diagnóstico da fertilidade do solo, pois equívocos cometidos nesta fase não são reparáveis em etapas posteriores.

Portanto, o conhecimento sobre como separar as glebas de amostragem, número de amostras simples, época e recorrência de coleta, profundidade de coleta, equipamentos de coleta e armazenamento da amostra, produção de amostra composta, identificação e envio ao laboratório, é essencial para a obtenção de amostras de solo representativas das glebas amostrais.

Estas informações podem ser obtidas diretamente nos manuais locais de recomendação de corretivos e fertilizantes ou em sites especializados (http://www.ceinfo.cnpat.embrapa.br/arquivos/LabSolos/amostragem). Recomenda-se sempre procurar um profissional qualificado (engenheiro agrônomos, florestais, etc.,) para orientar corretamente a coleta das amostras.

Investimento

O custo de uma análise química do solo é variável com a quantidade de parâmetros analisados e laboratório. Uma análise completa (macro e micronutrientes, matéria orgânica, SB, V, m, t, H+Al e Al3+), em geral, varia entre R$ 40,00 a R$ 80,00 na região sudeste do Brasil.

A razão custo/benefício da análise química do solo é ínfima, considerando a sua importância para a recomendação racional de corretivos e fertilizantes. Para culturas de baixo valor agregado, como grãos, dependendo do tamanho da área amostral (gleba de amostragem), dificilmente o custo com a análise química do solo alcança 0,5% do custo total de produção.

Não obstante, recomendações de adubação equivocadas podem levar à expressiva supressão de produtividade ou gastos desnecessários, que têm valores muito mais expressivos.

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