Enxertia no controle da murcha de phytophtora

A murcha de phytophthora ou murchadeira, causada pelo fungo Phytophthora capsici é uma das doenças de solo mais importantes do pimentão. O patógeno ataca plantas em qualquer estádio de desenvolvimento. Em condições de sementeiras, a doença se manifesta como tombamento das plântulas. Em plantas adultas provoca podridão do colo e das raízes, acarretando murcha da parte aérea, secamento e morte, podendo causar perdas de até 100%.

Publicado em 10 de maio de 2019 às 15h53

Última atualização em 10 de maio de 2019 às 15h53

Acompanhe tudo sobre Água, Biológico, Colheita, Controle biológico, Enxertia, Pimenta, Pimentão, Podridão e muito mais!

Autores

Fernando Shirahige
Doutor em Genética e Melhoramento de Plantas
fhshirah@esalq.usp.br  
César Almeida
Assistente de pesquisa – Unesp

A murcha de phytophthora ou murchadeira, causada pelo fungo Phytophthora capsici é uma das doenças de solo mais importantes do pimentão. O patógeno ataca plantas em qualquer estádio de desenvolvimento. Em condições de sementeiras, a doença se manifesta como tombamento das plântulas. Em plantas adultas provoca podridão do colo e das raízes, acarretando murcha da parte aérea, secamento e morte, podendo causar perdas de até 100%.

Em condições de alta umidade a phytophthora pode causar necrose no caule, folhas e frutos. Em todos os tecidos colonizados aparecem frutificações esbranquiçadas e cotonosas. O patógeno ocorre em locais quentes e úmidos, com temperatura variando de 25 a 30ºC.

O fungo Phytophthora capsici (Pc) sobrevive por longos períodos no solo por meio de uma estrutura de resistência (oósporo) que, ao encontrar condições ambientais favoráveis de alta umidade e calor, volta a se desenvolver e causar a doença.

Sua disseminação pode ocorrer pela água de irrigação ou da chuva, implementos agrícolas, vento e mudas contaminadas.

Controle

Diversas medidas de controle têm sido adotadas a fim de impedir que a doença se estabeleça: rotação de culturas, solarização, manejo da irrigação, controle biológico, uso de microrganismos antagônicos, resistência genética, enxertia e controle químico.

Em ambiente protegido, os patógenos de solo representam um desafio ainda maior ao cultivo do pimentão, pois são muito mais agressivos sob condições de alta umidade e temperatura.

Sua ocorrência é comum em solos de estufa com problemas de salinização, conduzidos geralmente com manejo inadequado. Dentro deste esforço no sentido de apresentar alternativas viáveis, a enxertia surge como uma prática com potencial para minimizar problemas ocasionados por patógenos de solo.

Como funciona

A enxertia em hortaliças, sendo uma técnica exigente em mão de obra qualificada, é adequada a culturas e materiais genéticos de grande valor de mercado e para pequenas áreas de produção, como é o cultivo em ambiente protegido. Nos últimos anos, houve um incremento considerável da pesquisa sobre o assunto.

Diferentes métodos de enxertia têm sido estudados e já há híbridos comerciais de porta-enxerto no mercado para pimentão com alta resistência aos patógenos de solo. Para o pimentão, os dois métodos mais aplicados à enxertia são: bisel e fenda cheia. 

Contra doenças

A enxertia em pimentão visando o controle de P. capsici, assim como o controle de outros patógenos, é viável sob o ponto de vista técnico e econômico, em que resultados práticos obtidos em ensaios com porta-enxertos resistentes à doença apresentaram aumento da longevidade na colheita, aumento da produtividade (aproximadamente 25 a 30 %), aumento do pegamento de frutos no ponteiro, melhora no aproveitamento de água e nutrientes do solo, maior vigor de planta, menor uso de agrotóxicos para controle de patógenos de solo e menor mortalidade de plantas.

Assim, a enxertia em pimentão proporciona um ótimo custo-benefício, o que compensa, e muito, os gastos com a aquisição da muda enxertada.

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