Uvas sem sementes – Maior valor agregado

O mercado mundial de uvas de mesa tem preferência por aquelas sem sementes, principalmente pelas cultivares tradicionais ‘Thompson Seedless’, ‘Crimson Seedless’, ‘Superior Seedless’ e ‘Flame Seedless’.

Publicado em 8 de maio de 2019 às 17h25

Última atualização em 8 de maio de 2019 às 17h25

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Autores

João Dimas G. Maia
Patrícia Ritschel
Pesquisadores da Embrapa Uva e Vinho

O mercado mundial de uvas de mesa tem preferência por aquelas sem sementes, principalmente pelas cultivares tradicionais ‘Thompson Seedless’, ‘Crimson Seedless’, ‘Superior Seedless’ e ‘Flame Seedless’.

A partir da década de 1990, um grande esforço foi realizado por pesquisadores e principalmente viticultores e técnicos do Vale do Submédio São Francisco (VSF), principal região exportadora de uvas no Brasil, para capacitar o setor a produzir uvas sem sementes de qualidade e com produtividade capaz de viabilizar a participação do Brasil no mercado externo.

De início, verificou-se a falta de adaptação das principais cultivares disponíveis, manifestada pelo fraco desempenho agronômico (baixa fertilidade de gemas, baixa produtividade, e alta susceptibilidade a rachadura de bagas durante as chuvas e a doenças).

Nas décadas seguintes houve avanços no manejo das plantas, ainda que a um custo elevado, mas que possibilitou que o Brasil exportasse uvas sem sementes no segundo semestre, que é o período seco, sem ocorrência de chuvas.

Além das principais cultivares serem sensíveis às chuvas, também não alcançavam produtividades estáveis no decorrer dos anos. Diante desse cenário, ficava evidente a necessidade de criação de cultivares adaptadas às condições tropicais brasileiras e agregando sabor, qualidade pós-colheita, tolerância às chuvas e às doenças, por meio do melhoramento genético.

Como resultado, após cinco anos de testes a Embrapa lançou três novas cultivares de mesa, duas apirênicas (BRS Vitória e BRS Isis) e uma com sementes (BRS Núbia), todas com tolerância ao míldio, a principal doença fúngica da videira no Brasil.

A cultivar BRS Vitória (uva preta e com sabor especial) atendeu tanto às exigências do mercado interno quanto externo, e dos viticultores, de forma que seu cultivo expandiu-se rapidamente no VSF, atendendo ao aumento das demandas e tornando a nova cultivar conhecida por sua especificidade de sabor único no mundo.

Resultados de sucesso

A BRS Vitória quebrou vários paradigmas, por exemplo: tamanho de bagas e de cachos não são essenciais para a aceitação do consumidor final e não só o sabor neutro e moscatel é aceito no mercado externo.

A nova cultivar possibilitou a obtenção de duas safras por ano, produzindo praticamente o ano todo, o que permitiu que o Brasil atendesse a demanda do mercado internacional pela BRS Vitória. Consequentemente, foi possível distribuir melhor a mão de obra durante o ano, requisito de extrema importância para a sustentabilidade das empresas do VSF.

O cultivo da BRS Isis, uma uva vermelha, expandiu-se rapidamente no VSF, atendendo tanto a demanda de exportação quanto do mercado interno. Além da qualidade da uva, ambas as variedades possibilitam a obtenção de duas safras por ano, com elevada produtividade, acima de 50 t/ha/ano e são resistentes ao míldio.

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