Capim amargoso: conheça os desafios e o manejo desta planta daninha resistente

O capim amargoso preocupa agricultores pela resistência e difícil controle.
Infestação de capim amargoso em área de cultivo agrícola
Créditos: Syngenta

Publicado em 18 de novembro de 2025 às 14h11

Última atualização em 21 de novembro de 2025 às 08h03

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A crescente resistência de plantas daninhas representa um dos maiores desafios na agricultura moderna. Entre as espécies mais preocupantes está o capim amargoso (Digitaria insularis), que tem causado sérios prejuízos aos produtores devido à sua resistência a herbicidas e à dificuldade de controle.

O impacto das plantas daninhas resistentes

As plantas daninhas resistentes aumentam significativamente os custos de produção e podem levar a perdas de até 100% na produtividade, dependendo da cultura. A resistência aos principais herbicidas utilizados dificulta o manejo e compromete a rentabilidade das áreas cultivadas.

A principal causa desse cenário é a pressão de seleção, resultado da aplicação recorrente de um mesmo mecanismo de ação de herbicidas, sem alternância de métodos ou adoção de práticas sustentáveis.

O caso do capim amargoso

Entre as plantas daninhas resistentes, o capim amargoso tem se destacado como uma das mais preocupantes. Quase todos os biótipos da espécie já apresentam resistência ao herbicida Glyphosate, o mais utilizado na agricultura desde 1974.

Além da resistência, o capim amargoso possui um hábito de crescimento entouceirado, dificultando ainda mais o controle mecânico e químico. Sua capacidade propagativa é elevada: uma única planta pode produzir até 100 mil sementes, pequenas e com estruturas aladas, facilitando a dispersão em grandes áreas.

Evolução da resistência

O uso intensivo do Glyphosate desde a década de 1990 contribuiu para o surgimento e disseminação de biótipos resistentes, como o capim amargoso. Desde os anos 2000, a frequência de novos biótipos resistentes tem aumentado, com casos de resistência múltipla e cruzada — resistência a diferentes herbicidas, mesmo pertencentes a diferentes mecanismos de ação.

As principais plantas daninhas resistentes no Brasil

Além do capim amargoso, outras espécies de destaque incluem:

  • Bidens pilosa (picão-preto);
  • Espécies do gênero Amaranthus (caruru);
  • Euphorbia heterophylla (leiteiro);
  • Eleusine indica (capim-pé-de-galinha);
  • Espécies do gênero Conyza (buvas).

Manejo integrado: a melhor estratégia

Em áreas infestadas com capim amargoso resistente, o manejo integrado se apresenta como a solução mais eficiente. Esta abordagem inclui:

1. Rotação de herbicidas

Utilização de herbicidas com mecanismos de ação distintos do Glyphosate, como os inibidores da ACCase. Exemplos de ingredientes ativos eficazes:

  • Haloxifop;
  • Fluazifop;
  • Clethodim.

2. Manejo mecânico

A roçada das plantas daninhas é uma prática que ajuda a manter a produtividade das culturas, evitando a competição direta.

3. Manejo físico

O sistema de plantio direto e o uso de palhada são estratégias eficientes para impedir a germinação das sementes do capim amargoso, limitando a infestação.

4. Cultivo de plantas de cobertura

O uso de espécies como a braquiária ou cultivos intercalares com leguminosas e frutíferas reduz a pressão de seleção e promove a saúde do solo.

Considerações finais

O capim amargoso é uma das maiores ameaças à agricultura brasileira, especialmente devido à sua resistência ao Glyphosate e à sua elevada capacidade de dispersão. A adoção de práticas sustentáveis e o manejo integrado de plantas daninhas são essenciais para preservar a produtividade e a rentabilidade das lavouras.

Texto com autoria de:
Giovani Belutti Voltolini

giovanibelutti77@hotmail.com
Ademilson de Oliveira Alecrim
Engenheiros agrônomos e mestrandos em Fitotecnia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA)

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