Controle de pragas com manejos integrados

Crédito Luize Hess

Publicado em 18 de setembro de 2017 às 19h21

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h02

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Sistemas integrados de produção, como a Integração Lavoura-Pecuária e esquemas de sucessão e rotação com intensificação de culturas, podem maximizar a produtividade, mas demandam conhecimento técnico por parte do agricultor.

O controle de pragas, por exemplo, deve ser pensado de maneira mais ampla, tendo em vista os sistemas adotados. “Com o uso intensivo das áreas, temos várias pragas que são polífagas. Insetos que atacavam até então uma cultura passaram a ter importância em outros cultivos. É o caso do percevejo barriga-verde, característico da soja, e que hoje é praga do milho segunda safra, em função do plantio do cereal em sucessão à leguminosa“, analisa a pesquisadora Simone Martins Mendes, da área de Entomologia da Embrapa Milho e Sorgo.

Segundo ela, o produtor deve se preocupar com pragas das culturas como um todo. “O que você faz numa cultura para controlar as pragas pode ter efeito na outra. Essa é a prática de manejo que deve ser adotada nos sistemas“, explica.

Um exemplo é a lagarta-do-cartucho, principal praga do milho, que se alimenta de várias plantas hospedeiras e inclusive de algumas plantas daninhas, como a buva. “Se não há controle adequado de plantas daninhas numa área, e o milho é plantado nela, a lagarta aparece antecipadamente. Com a braquiária sendo utilizada como planta de cobertura pode acontecer a mesma coisa. Há necessidade de se fazer a dessecação antecipada para interromper o ciclo do inseto“, afirma.

Em relação às cultivares transgênicas Bt, das seis proteínas com ação inseticida, uma (Cry 1F) já perdeu sua efetividade. “A da área de refúgio é necessária para que haja redução da chance de quebra da resistência, com plantio de no mínimo 10% da área plantada com milho convencional. Deve também ser próxima da área semeada com milho Bt, pois a distância média do voo das mariposas é de 800 metros. A grande questão, hoje, é como prorrogar a validade e eficácia dos transgênicos“, alerta Simone Mendes.

Já para o controle da cigarrinha-do-milho, algumas medidas são tratar especificamente as sementes com inseticida e evitar o plantio de cultivares suscetíveis e em plantios escalonados.

Plantas daninhas

Para melhor controle, uma das recomendações dos pesquisadores é utilizar a braquiária como planta de cobertura durante o período de pousio e realizar sua dessecação anterior ao semeio da cultura de interesse econômico. “A braquiária se caracteriza como uma interessante alternativa de planta de cobertura por reduzir a incidência do capim-amargoso e da buva, duas das principais plantas daninhas do Cerrado que podem causar perdas na produtividade de grãos“, explica Alexandre Ferreira da Silva, pesquisador da área de Plantas Daninhas.

 

Fertilidade do solo

Solo coberto é sinônimo de benefícios. Segundo o pesquisador Álvaro Vilela de Resende, da área de Solos e Nutrição de Plantas da Embrapa Milho e Sorgo, “o sistema plantio direto bem estabelecido permite que as raízes se aprofundem mais, incorporando carbono e favorecendo a busca por água e nutrientes, além de incentivar a atividade microbiana“, explica.

Após o devido condicionamento com correção da acidez e adubações, de acordo com Resende, o aprofundamento das raízes contribui para manter o chamado “perfil de alta fertilidade“, no qual os solos armazenam mais água e matéria orgânica, além de nutrientes essenciais.

Essa matéria você encontra na edição de setembro 2017 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

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