Gestão hídrica baseada em dados ganha espaço no campo

Especialista da Netafim explica como plataformas de Digital Farming transformam informações em decisões mais rápidas, aumentam a eficiência da irrigação e ajudam produtores a enfrentar um cenário agrícola cada vez mais complexo.
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O agricultor nunca teve acesso a tantos dados sobre sua produção. Informações sobre clima, umidade do solo, disponibilidade hídrica, consumo de energia, fertilização, sanidade das culturas e produtividade estão disponíveis em tempo real e prometem tornar a gestão mais eficiente.

O desafio, porém, deixou de ser coletar informações e passou a ser utilizá-las de forma estratégica para orientar decisões que impactam diretamente os resultados da propriedade.

Nesse contexto, o conceito de Digital Farming tem ganhado espaço no agronegócio brasileiro, especialmente na irrigação, ao integrar diferentes fontes de dados em plataformas inteligentes capazes de apoiar o manejo diário das lavouras.

Mais do que automatizar processos, essas tecnologias permitem que o produtor antecipe cenários, reduza desperdícios e tome decisões com maior precisão.

Transformar informação em ação

Segundo o especialista agronômico da Netafim, João Marcos Silva, o volume de variáveis que influenciam a produção agrícola aumentou significativamente nos últimos anos. “Hoje, o produtor precisa lidar com um volume muito grande de informações ao mesmo tempo: clima, custo de energia, disponibilidade hídrica, fertilização, janela operacional, produtividade, sanidade da cultura e até volatilidade de mercado. O grande desafio atual não é mais a falta de informação, mas sim transformar informação em ação prática dentro da fazenda”, afirma.

Manejo integrado

Na irrigação, plataformas de Digital Farming já conectam sensores instalados no campo, estações meteorológicas, previsões climáticas, sistemas de irrigação e fertirrigação em um único ambiente.

A integração permite que o agricultor deixe de analisar dados isolados para visualizar indicadores que orientam a tomada de decisão.

Um dos principais benefícios está no monitoramento em tempo real das condições do solo e das necessidades da cultura. Em vez de irrigar seguindo apenas uma programação fixa ou a percepção visual da lavoura, o produtor pode ajustar a operação conforme a real demanda das plantas.

Digital Farming aumenta a eficiência da irrigação

Acompanhamento do balanço hídrico

“O acompanhamento do balanço hídrico orienta a quantidade de água e a frequência com que a irrigação deve ser realizada, considerando a demanda hídrica da cultura e as condições climáticas. Já os sensores de umidade do solo permitem validar se esse manejo está sendo executado corretamente, mostrando, em tempo real, a disponibilidade de água na zona radicular. A combinação dessas informações possibilita ajustes mais precisos na irrigação, evitando tanto o déficit quanto o excesso de água, aumentando a eficiência no uso dos recursos e contribuindo para maior produtividade e sanidade das plantas”, explica Silva.

Potencial no campo

De acordo com o especialista, soluções como a plataforma GrowSphere, da Netafim, ampliam esse potencial ao reunir dados de sensores instalados no solo com informações provenientes da estação meteorológica e do balanço hídrico da cultura.

“O GrowSphere reúne tanto dados de sensores de solo em tempo real quanto o balanço hídrico do cultivo através da estação meteorológica. Unindo essas duas metodologias de monitoramento, o produtor consegue ser extremamente assertivo no manejo, aumentando a produtividade e reduzindo custos”, afirma.

Além de apoiar decisões agronômicas, a digitalização também impulsiona a automação da irrigação, tornando a operação mais eficiente e reduzindo a dependência de mão de obra, um dos desafios enfrentados atualmente pelo setor.

“A automação permite que o sistema opere no momento certo, pelo tempo necessário e com a lâmina adequada, reduzindo desperdícios de água e energia. Um dos principais benefícios hoje é diminuir a dependência de mão de obra no campo. Atividades que antes exigiam deslocamentos e intervenções manuais passam a ser executadas automaticamente ou de forma remota, reduzindo custos operacionais, aumentando a produtividade da equipe e garantindo maior consistência no manejo”, ressalta.

Embora a experiência do produtor continue sendo um fator essencial na condução da propriedade, Silva explica que ela precisa ser complementada por informações confiáveis diante da crescente complexidade da atividade agrícola.

“A experiência do produtor continua sendo extremamente valiosa, mas hoje ela precisa ser complementada por dados. O ambiente agrícola está cada vez mais complexo e variável. O dado traz previsibilidade e reduz incertezas, permitindo decisões mais seguras e sustentáveis”, diz.

Mudança na percepção do mercado

Esse movimento também reflete uma mudança na percepção do mercado. Se antes a tecnologia era vista apenas como uma ferramenta operacional, hoje ela passou a ocupar papel estratégico na gestão das propriedades.

“Digital Farming está diretamente ligado à rentabilidade e à sustentabilidade do negócio. A tecnologia deixou de ser apenas controle operacional e passou a apoiar decisões relacionadas à produtividade, redução de custos, uso eficiente de recursos e gestão do risco climático”, afirma.

Para o especialista, essa transformação faz com que o uso inteligente de dados deixe de ser um diferencial competitivo para se tornar um requisito para a sustentabilidade econômica das propriedades.

“Quem consegue monitorar, interpretar e agir rapidamente sobre as informações do campo tende a produzir mais, com menor custo e maior eficiência no uso de recursos. Em um cenário de margens cada vez mais pressionadas e clima instável, decisões orientadas por dados são fundamentais para manter a competitividade e garantir a viabilidade do negócio no longo prazo”, conclui.

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