A Momesso Indústria de Máquinas marcou presença no ISF World Seed Congress 2026, realizado em Lisboa, Portugal, um dos mais importantes encontros internacionais da indústria de sementes.
Com o tema “Ações Conjuntas, Futuros Resilientes”, o evento reuniu representantes da cadeia global para discutir inovação, sustentabilidade, genética, comércio internacional e os desafios que irão moldar a agricultura nas próximas décadas.
Representando a empresa, Amanda Thaís Momesso Garcia, diretora de Novos Negócios da Momesso, acompanhou as principais discussões e destaca que a inovação foi o eixo central de praticamente todos os debates.
“A principal mensagem do congresso foi que a inovação precisa estar no centro da transformação do setor de sementes. Ao longo dos painéis, ficou claro que inovar não significa apenas desenvolver novas tecnologias, mas também criar formas mais eficientes de cooperação global para enfrentar os desafios climáticos, ampliar a produtividade e contribuir para a segurança alimentar.”
Segundo Amanda Momesso, outro ponto amplamente discutido foi a necessidade de harmonizar legislações internacionais ligadas aos recursos genéticos, ao comércio de sementes e aos modelos de colaboração entre países, criando regras mais claras para acelerar a adoção de novas tecnologias.
Recursos genéticos ganham importância estratégica
Entre os temas recorrentes do congresso, os recursos genéticos foram apontados como um dos principais instrumentos para enfrentar os desafios da agricultura moderna.
“A inovação em sementes foi tratada como estratégica para o futuro da agricultura global. Os recursos genéticos apareceram como uma das principais soluções para enfrentar desafios ligados à produtividade, às mudanças climáticas e às pressões regulatórias.”
Nesse cenário, Amanda Momesso destaca que o uso de sementes certificadas ganha ainda mais relevância ao garantir qualidade, rastreabilidade e segurança fitossanitária tanto para produtores quanto para consumidores.
Inteligência artificial acelera a transformação da cadeia
A digitalização da agricultura ocupou posição de destaque durante o congresso. Ferramentas como inteligência artificial, rastreabilidade, produção digitalizada e genética avançada foram apresentadas como elementos fundamentais para tornar a agricultura mais resiliente.
Na avaliação da diretora da Momesso, a inteligência artificial desponta como a inovação com maior potencial de transformação no curto prazo.
“Durante o evento conhecemos diversas soluções baseadas em IA para automação de análises e geração de dados, como equipamentos de análise de imagem para controle de qualidade de sementes, sistemas de raio-X para avaliação de sementes e tecnologias capazes de diagnosticar suscetibilidade a doenças e pragas por meio da análise de DNA em sementes de hortaliças.”
Ela ressalta, entretanto, que a inteligência artificial não substitui o conhecimento técnico. “Ela amplia a capacidade de análise, reduz a dependência exclusiva de processos manuais e torna as avaliações mais rápidas, padronizadas e repetitivas, desde que os modelos sejam bem treinados e validados.”
Dados passam a ser o novo patrimônio da indústria
Outro conceito fortemente debatido foi a importância da geração e utilização inteligente de dados. Segundo Amanda, a rastreabilidade é consequência direta dessa nova realidade. “A capacidade de gerar, organizar e interpretar informações é o que tem maior potencial de transformar a agricultura no curto prazo.”
Essa evolução também foi percebida na indústria de máquinas para sementes. “Como representante da Momesso, observei uma evolução importante da demanda de soluções voltadas ao tratamento e processamento de sementes, principalmente na geração de dados e no controle dos processos industriais. A indústria está caminhando para um modelo cada vez mais orientado por dados, com necessidade de integração dos equipamentos, rastreabilidade e tomada de decisão operacional”, aponta a executiva.
Apesar desse avanço, Amanda Momesso observa que o mercado ainda vive um período de amadurecimento. “Percebe-se que ainda existe um processo de maturação para consolidar soluções mais robustas de monitoramento e gestão dos processos. Isso reforça a importância de desenvolver tecnologias alinhadas às demandas futuras do setor.”

principais eventos da indústria de sementes
Brasil ocupa posição de destaque, mas ainda enfrenta desafios
A comparação entre diferentes mercados também chamou atenção durante o congresso. Segundo Amanda, muitos países ainda dependem fortemente de processos manuais para alimentar bancos de dados e apresentam diferentes níveis de capacidade técnica para desenvolver inovações genéticas.
“O Brasil ocupa uma posição relevante e competitiva em inovação agrícola, principalmente em culturas de grande escala, genética tropical, uso de biológicos e adoção de tecnologias pelos produtores mais tecnificados.”
Ela destaca, porém, que essa realidade ainda não é homogênea. “Persistem desafios importantes relacionados à conectividade, crédito, capacitação e acesso à tecnologia em diferentes regiões e perfis de produtores.”

ISF World Seed Congress
Diferenciação genética agrega valor às sementes
Outro tema de destaque foi a crescente valorização da diferenciação genética como estratégia para reduzir a comoditização das sementes. “Essa mudança é natural e necessária. As sementes respondem de forma diferente às condições de solo, clima e temperatura. Tratá-las apenas como commodities reduz todo o valor da pesquisa e do desenvolvimento envolvidos em sua performance.”
Amanda Momesso acredita que essa transformação exigirá uma atuação mais próxima das empresas de sementes. “Sementes com maior diferenciação genética exigirão atendimento técnico especializado. A oferta de materiais mais avançados deverá ser acompanhada de suporte técnico e maior capacitação para produtores e indústrias.”
Nesse cenário, certificações e regulamentações tendem a ganhar importância para fortalecer a competitividade e aumentar a confiança dos agricultores.
Harmonização regulatória favorece a competitividade
A inovação também foi discutida sob o ponto de vista regulatório. Para Amanda, a harmonização internacional das normas representa uma inovação por si só. “Ela exige sistemas integrados de comunicação capazes de garantir maior transparência na troca de informações comerciais entre países.”
Segundo ela, regras globais mais claras permitirão uma competição mais equilibrada. “Hoje muitas normas ainda não possuem padronização nem embasamento científico suficiente. Uma melhor gestão de riscos, maior transparência e participação dos agricultores nas discussões aumentariam a credibilidade da cadeia e melhorariam o planejamento das atividades.”
Integração da cadeia será decisiva
Outro conceito amplamente debatido foi a integração da cadeia “seed-to-shelf”, ou seja, da semente até o consumidor.
Amanda explica que essa integração conecta todas as etapas da produção. “Ela envolve desde a origem genética e produção da semente até o desempenho no campo, processamento, distribuição e chegada ao consumidor, garantindo rastreabilidade, qualidade e segurança em todas as fases.”
Segundo ela, essa conexão permitirá responder mais rapidamente às exigências regulatórias, reduzir perdas e ampliar o acesso a mercados que exigem rastreabilidade. Embora exista interesse crescente em ampliar essa integração, Amanda observa que ainda há desafios.
“As barreiras sanitárias e as diferenças entre legislações locais ainda dificultam uma colaboração mais efetiva entre empresas, delegações e associações de sementes.”

renome do setor de sementes
Sustentabilidade passa a ser medida por resultados
A sustentabilidade também apareceu como um dos principais eixos da inovação. Para Amanda, ela deixou de ser apenas um discurso institucional. “Sustentabilidade hoje depende de soluções mensuráveis, aplicáveis e economicamente viáveis para o produtor.”
Entre os exemplos apresentados durante o congresso, ela cita polímeros à base de água, livres de plástico e com alta aderência às sementes, reduzindo resíduos no solo, além de equipamentos que aplicam produtos biológicos por meio de microfissuras nas sementes, permitindo a aplicação posterior de agroquímicos sem comprometer a eficiência dos biológicos.

“O congresso mostrou que a sustentabilidade está sendo incorporada à estratégia de negócio por meio da inteligência artificial, da genética, da rastreabilidade, das certificações e das boas práticas sociais e ambientais. Ainda existem desafios relacionados a custo, escala e retorno econômico, mas o avanço é concreto.”
Oportunidades e desafios para o Brasil
Na avaliação da diretora da Momesso, genética e rastreabilidade serão as inovações mais relevantes para o Brasil. “As tecnologias ligadas à genética de sementes são fundamentais para um país com tanta diversidade climática e geológica. Também considero muito importantes os sistemas de rastreabilidade, que ampliam o controle, reduzem riscos e fortalecem a confiança nos produtos brasileiros.”
Ela reconhece que o Brasil reúne condições favoráveis para incorporar essas tendências, mas ressalta que ainda existem barreiras relacionadas a custos, crédito, conectividade, capacitação e comprovação do retorno dos investimentos.

O futuro será orientado por dados
A participação no congresso reforçou a visão estratégica da Momesso sobre os rumos da indústria. “O agronegócio tem enorme potencial de crescimento, mas será cada vez mais necessário gerar dados para controlar e acompanhar as operações. Isso exigirá profissionais mais capacitados para interpretar essas informações e apoiar decisões mais assertivas.”
Amanda Momesso ressalta que a inovação faz parte da história da empresa. “A inovação está na essência da Momesso há 64 anos. Nosso compromisso é evoluir junto aos clientes, oferecendo tecnologias que apoiem a gestão das operações e gerem dados confiáveis para decisões cada vez mais estratégicas.”
Valorizar o que o Brasil já conquistou
Como mensagem final, Amanda faz um convite para que o setor reconheça sua própria capacidade de inovação. “Precisamos valorizar o que já temos. O agronegócio brasileiro é motivo de orgulho e nossas tecnologias são reconhecidas internacionalmente. Ao mesmo tempo, evolução, adaptação e controle já são necessidades reais para garantir a segurança alimentar mundial.”
Para os próximos anos, ela acredita que será fundamental acompanhar a evolução das sementes tratadas com defensivos biológicos e polímeros à base de água, observar como os dados gerados pela cadeia serão utilizados para impulsionar novos desenvolvimentos e verificar se a diversificação genética conseguirá acompanhar a velocidade das mudanças climáticas.
“O grande desafio será transformar todo esse conhecimento em soluções práticas, escaláveis e capazes de responder às demandas de uma agricultura cada vez mais tecnológica, conectada e sustentável”, conclui Amanda Momesso.
