A pesquisa em bioeconomia florestal e mudanças climáticas no Brasil ganhou um importante impulso com o avanço do projeto de ampliação da infraestrutura do Centro Temático em Bioeconomia Florestal e do Clima (BioMC), coordenado pela Embrapa Florestas e financiado pela Finep.
A iniciativa busca fortalecer a capacidade científica do país para desenvolver soluções voltadas à descarbonização da produção florestal, à adaptação às mudanças climáticas e à geração de produtos sustentáveis de base florestal. Após um ano de execução, o projeto avança para uma nova etapa focada na consolidação de pesquisas, integração de dados e ampliação da infraestrutura das instituições participantes.
Bioeconomia florestal é foco do Centro Temático BioMC
Além da Embrapa Florestas, participam do projeto a Embrapa Amazônia Ocidental, em Manaus (AM), e a Universidade Federal do Paraná (UFPR).
A primeira fase do trabalho envolveu a definição da aquisição de equipamentos, adequações estruturais, contratação de bolsistas, elaboração de planos de trabalho e organização das atividades entre as instituições parceiras.
Agora, o projeto entra em uma etapa voltada à integração de bases de dados, desenvolvimento de pesquisas e geração de resultados científicos voltados aos desafios climáticos e ambientais.
Segundo a coordenadora do projeto e pesquisadora da Embrapa Florestas, Josileia Zanatta, o avanço das mudanças climáticas exige novas tecnologias para manter a competitividade do setor florestal brasileiro.
“O projeto pretende criar condições para que o país desenvolva tecnologias próprias de monitoramento de carbono, produção de bioinsumos e bioprodutos e estratégias de adaptação climática voltadas às florestas”, afirma.
Bioeconomia florestal impulsiona desenvolvimento de bioinsumos
Uma das principais frentes do projeto é o desenvolvimento de bioinsumos para uso florestal.
A proposta prevê a utilização de bactérias e microrganismos capazes de estimular o crescimento das plantas, aumentar a eficiência no aproveitamento de nutrientes e reduzir a dependência de fertilizantes químicos.
Para isso, será implantada uma biofábrica piloto destinada à produção desses insumos biológicos, especialmente para espécies como pinus e eucalipto.
Além da produção em escala experimental, o projeto também pretende estabelecer protocolos para fabricação “on farm”, permitindo que os próprios produtores possam produzir bioinsumos em suas propriedades.
Centro de bioeconomia florestal desenvolverá novos bioprodutos
Outra linha de atuação do BioMC envolve o desenvolvimento de materiais de alto valor agregado a partir da biomassa florestal.
Entre os produtos previstos estão nanocelulose, fertilizantes organominerais e materiais lignocelulósicos com potencial de aplicação em diferentes segmentos industriais, incluindo a indústria farmacêutica.
A iniciativa busca ampliar o aproveitamento sustentável dos recursos florestais e gerar novas oportunidades para a bioeconomia brasileira.
Bioeconomia florestal avança no monitoramento de carbono
O projeto também investirá no desenvolvimento de métricas e indicadores relacionados ao carbono florestal e às emissões de gases de efeito estufa.
A proposta inclui a criação de protocolos de medição em larga escala utilizando sensores, geotecnologias e plataformas digitais capazes de monitorar estoques de carbono e reportar emissões e remoções em sistemas florestais.
Os estudos darão continuidade a ferramentas já desenvolvidas pela Embrapa Florestas, como o painel de métricas de carbono de Minas Gerais, a calculadora de carbono para erva-mate e o software SisILPF.
A expectativa é atender às exigências crescentes relacionadas às finanças verdes, mercados de carbono e compromissos internacionais de mitigação climática.
Mudanças climáticas desafiam o setor florestal
Outro eixo estratégico do projeto será a avaliação dos impactos das mudanças climáticas sobre espécies florestais e insetos-praga.
Pesquisadores utilizarão estruturas experimentais capazes de simular cenários futuros por meio do controle de temperatura e concentração de dióxido de carbono.
Os estudos permitirão avaliar os efeitos de secas, ondas de calor e alterações climáticas sobre o crescimento das árvores, a incidência de pragas e a produtividade dos plantios florestais.
Segundo Josileia Zanatta, os resultados poderão apoiar políticas públicas voltadas à mitigação das emissões e à adaptação climática.
Bioeconomia florestal fortalece economia de baixo carbono
O funcionamento do BioMC será baseado em uma estrutura colaborativa e multiusuária, envolvendo empresas, universidades, instituições públicas e organizações nacionais e internacionais de pesquisa.
A infraestrutura estará disponível para pesquisadores, estudantes, técnicos e parceiros privados interessados em desenvolver estudos relacionados ao carbono, bioeconomia, sustentabilidade e inovação florestal.
Entre os impactos esperados estão a redução da pegada de carbono da produção florestal, a ampliação da competitividade internacional do setor, o desenvolvimento de novos produtos sustentáveis e o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao clima.
Para a coordenação do projeto, a ampliação do Centro Temático representa um passo importante para consolidar a bioeconomia florestal como um dos pilares da transição para uma economia de baixo carbono baseada em recursos renováveis.
“Este projeto integra de forma abrangente os estudos sobre o ciclo do carbono, a bioeconomia e a mudança climática, com um enfoque particular no ecossistema brasileiro. Pretendemos não apenas compreender a dinâmica do carbono nas florestas e nos produtos florestais, mas também explorar como esses elementos podem contribuir para uma economia sustentável e para a mitigação das mudanças climáticas”, conclui Josileia Zanatta.