O manejo biológico no café tem se consolidado como uma das principais estratégias para elevar a produtividade, reduzir custos e fortalecer a sustentabilidade da cafeicultura brasileira. Em propriedades centenárias de Minas Gerais e São Paulo, produtores vêm adotando soluções biológicas para enfrentar desafios fitossanitários, melhorar a qualidade do solo e aumentar a resiliência das lavouras.
O Brasil segue como maior produtor mundial de café. Para a safra 2026, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção de 66,2 milhões de sacas, volume cerca de 17% superior ao registrado no ciclo anterior. Diante da necessidade de ampliar a produção, o setor busca tecnologias capazes de preservar a rentabilidade e minimizar os impactos ambientais.
Manejo biológico no café ganha espaço entre os produtores
Segundo Renato Costa, gerente de marketing regional da Biotrop, o café é uma cultura de elevado valor agregado e altamente exigente do ponto de vista fitossanitário.
“O manejo biológico vem ganhando espaço como ferramenta eficaz dentro das estratégias de sustentabilidade e produtividade”, afirma.
De acordo com o especialista, o uso de bioinsumos auxilia no controle de pragas, doenças e estresses abióticos, além de atender às exigências ambientais cada vez mais presentes nos mercados nacional e internacional.
Apesar do avanço das tecnologias biológicas, a adoção ainda enfrenta desafios.
“A cafeicultura investe bastante em tecnologia. A adoção de soluções biológicas ainda é baixa devido ao desconhecimento do agricultor sobre essas ferramentas, mas está crescendo”, ressalta Costa.
Fazenda em Guaxupé aposta no manejo integrado
Com mais de 100 anos de tradição na produção cafeeira, a Fazenda Jaboticabeiras, localizada em Guaxupé (MG), utiliza há mais de oito anos um sistema de manejo integrado que combina práticas convencionais e soluções biológicas.
A propriedade familiar possui 104 hectares e incorporou tecnologias biológicas ao seu sistema produtivo como parte de uma estratégia permanente de sustentabilidade.
Segundo Reginaldo Dias, consultor e gerente da fazenda, os bioinsumos ajudam a tornar as plantas mais resistentes e eficientes.
“Os bioinsumos trabalham a favor da natureza e tornam as plantas mais resilientes. Além disso, reduzem a necessidade de insumos químicos, uma vez que as plantas passam a ter melhor aproveitamento dos nutrientes e maior resistência”, explica.
O objetivo da propriedade é reduzir gradualmente a dependência de defensivos químicos sem comprometer a produtividade e a qualidade dos grãos.
Plantas de cobertura fortalecem a saúde do solo
Além dos bioinsumos, a Fazenda Jaboticabeiras investe em plantas de cobertura para melhorar a qualidade do solo.
A estratégia proporciona aumento da matéria orgânica, maior retenção de água, redução da compactação e diminuição da incidência de plantas daninhas.
Segundo Renato Costa, o modelo integrado fortalece a lavoura e contribui para a redução dos custos operacionais.
“É um modelo integrado que fortalece a lavoura, reduz custos e atende às exigências de sustentabilidade do mercado nacional e internacional”, destaca.
Fazenda em Altinópolis amplia uso de bioinsumos
A adoção do manejo biológico no café também avança na Fazenda Liberdade, em Altinópolis (SP), propriedade que atua na cafeicultura há mais de um século.
O produtor Guilherme Vicentini iniciou a implementação do manejo biológico em 2019. Atualmente, 264 hectares são conduzidos dentro de uma estratégia baseada em soluções biológicas aplicadas tanto no solo quanto na parte aérea das plantas.
“O objetivo é migrar para um modelo em que o biológico atue de forma preventiva e o químico fique como corretivo”, afirma.
Bioinsumos promovem melhorias na estrutura do solo
Mesmo diante de desafios climáticos recentes, como períodos de seca severa e episódios de granizo, a Fazenda Liberdade já observa resultados expressivos.
Análises realizadas em parceria com o Instituto Brasileiro de Agricultura Sustentável (IBA) apontaram, em apenas um ano, aumento de 150% nos indicadores físicos do solo e crescimento de 22% nos indicadores biológicos.
Segundo Vicentini, houve avanços significativos na descompactação e na atividade biológica do solo.
“Tivemos uma melhoria significativa da descompactação e da parte biológica do solo. Tudo isso melhorou”, relata.
O produtor também destaca que algumas áreas da fazenda já deixaram de utilizar fungicidas e inseticidas químicos aplicados no solo, substituindo-os exclusivamente por soluções biológicas.
Agricultura mais resiliente e sustentável
A experiência das propriedades de Guaxupé e Altinópolis demonstra que o manejo biológico no café vem se consolidando como uma alternativa eficiente para aumentar a sustentabilidade e a rentabilidade da cafeicultura.
Além de contribuir para a produtividade das lavouras, os bioinsumos ajudam a construir solos mais saudáveis, reduzir a dependência de defensivos químicos e preparar as propriedades para enfrentar os desafios climáticos e produtivos das próximas décadas.
“Os bioinsumos representam um caminho importante para uma agricultura mais equilibrada e resiliente, contribuindo para a produtividade e para a construção de solos mais saudáveis e preparados para os desafios futuros do campo”, conclui Guilherme Vicentini.


