Os bioestimulantes à base de extratos de algas têm emergido como uma ferramenta crucial no manejo sustentável de cultivos agrícolas, incluindo o cultivo de cafeeiros (Coffea spp.).
Estes produtos, derivados de organismos marinhos, apresentam uma rica composição de compostos bioativos que exercem efeitos benéficos na fisiologia das plantas, promovendo o crescimento, a tolerância ao estresse e a produtividade. A combinação desses produtos e biológicos visa não apenas aumentar a eficiência dos nutrientes e melhorar a resistência ao estresse das plantas a estresses ambientais, mas também potencializar a produtividade de forma sustentável.
Além disso, a análise das respostas dos tratamentos em relação à idade da lavoura é fundamental para compreender como diferentes estágios de desenvolvimento influenciam na absorção e aproveitamento dos compostos aplicados. O extrato promove melhor enraizamento, aumento da resistência aos estresses abióticos, como seca, altas e baixas temperaturas e dos estresses químicos.
Os biológicos têm um papel importante no manejo para melhorar a sanidade, controle de pragas e absorção de nutrientes. A interação das tecnologias tem mostrado resultados positivos e sinérgicos, potencializando os ganhos.
Experimento
O trabalho foi conduzido pela C3 Consultoria, no município de Ibiá (MG), na Fazenda São Pedro de Alcantara, a 988 m de altitude, em uma lavoura em produção, com a cultivar Arara, com transplantio em 2017 no espaçamento de 3,80 x 0,70 m (3.759 plantas ha-¹).
O experimento foi conduzido em blocos casualizados, com os tratamentos sendo distribuídos nas linhas do cafeeiro. A matriz experimental foi dividida em seis tratamentos e quatro repetições (Tabela 1). O volume de calda das aplicações foliares foi ajustado para 500 L ha-1, e para as aplicações via “Drench” a vazão utilizada foi de 400 L ha-¹.
Avaliação
Para a avaliação de produtividade, foi realizada, com auxílio de uma derriçadora manual, derriça dos frutos sobre o pano (10 plantas/parcela). Do total colhido, foi mensurado o volume total e retirada uma amostra de cinco litros, que foi acondicionada em uma rede plástica e levada para secar ao sol.
Essas amostras foram beneficiadas, para cálculo da produtividade, percentual de renda, rendimento e percentuais de peneira. Os dados foram submetidos à Anova e, quando procedente, as médias foram comparadas pelo teste de tukey a 5% de probabilidade.

Resultados e discussão
Nas duas safras da lavoura, de acordo com a Tabela 2, para produtividade, renda e rendimento, todos os tratamentos obtiveram similaridade entre si. Nota-se que na média do biênio (Figura 1), o Tratamento 2, em que foi aplicado somente Acadian (Ascophyllum nodosum), obteve uma média de 53,70 sc ha-¹ e quando associou-se Acadian (Ascophyllum nodosum) Bacillus aryabhattai (T4) e Acadian (Ascophyllum nodosum) + Glomus mosseae, Glomus aggregatum, Glomus intraradices e Glomus etunicatum (T6), resultou em 56,03 sc ha-1 e 58,89 sc ha-1, respectivamente.

A adição do Ascophyllum nodosum aos tratamentos promoveu ganhos superiores a 5 sc/ha quando comparados ao uso dos biológicos isolados, comprovando assim a sinergia das tecnologias.

Conclusões
Durante as duas safras de condução do trabalho, conclui-se que: A utilização de Acadian (Ascophyllum nodosum), quando associada a novas tecnologias, proporcionou incrementos médios superiores a 10% em comparação às tecnologias isoladas.
A associação de Acadian (Ascophyllum nodosum) com Glomus mosseae, Glomus aggregatum, Glomus intraradices e Glomus etunicatum resultou em maior média de produtividade, apresentando melhor desempenho no acumulado do biênio em comparação aos demais tratamentos.
