Cessar-fogo alivia tensão, mas mercado de fertilizantes segue travado e pressionado

Entraves logísticos, oferta restrita e custo elevado mantêm preços firmes e limitam negociações no Brasil.
Foto: Shutterstock
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O acordo de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos trouxe um alívio pontual ao mercado global de fertilizantes nitrogenados, ao reduzir o risco imediato de novas rupturas na oferta. Ainda assim, o cenário segue longe da normalidade, com baixo volume de negócios e elevada cautela por parte dos agentes, que aguardam sinais mais concretos sobre a sustentabilidade das tratativas diplomáticas.

“As tensões diminuíram no curto prazo, mas o mercado ainda opera com muita incerteza. A atividade segue limitada e os preços continuam firmes, justamente porque os problemas estruturais de oferta e logística não foram resolvidos”, realça o analista de Inteligência de Mercado, Tomás Pernías.

Mesmo com a possibilidade de maior estabilidade caso as negociações avancem, a normalização do mercado no curto prazo é considerada improvável. A fragilidade do processo de paz, somada aos atrasos acumulados e aos elevados custos de seguro de risco de guerra nas rotas que passam pelo Estreito de Ormuz, ainda aponta para uma disrupção prolongada do comércio internacional.

“Qualquer frustração nesse processo pode trazer de volta a volatilidade de preços. O cessar‑fogo ajuda, mas está longe de ser uma solução definitiva”, reforça Pernías.

No Brasil, o cenário é ainda mais desafiador. As relações de troca entre ureia e milho estão nos piores níveis dos últimos anos, o que reduz o poder de compra do produtor e dificulta a realização de novos negócios. Desde o início do conflito, os preços da ureia no país acumulam alta de 61%, o que tem gerado resistência por parte dos compradores em avançar nas negociações.

De acordo com Pernías, o produtor brasileiro está mais defensivo. “As relações de troca estão nos piores níveis dos últimos anos, o que limita a demanda e trava novas compras aos preços atuais”, explica.

Do lado da oferta, os gargalos persistem. A navegação no Estreito de Ormuz permanece praticamente paralisada, e a produção iraniana esteve prejudicada nos últimos dias. Mesmo em um cenário de reabertura da rota, a prioridade deve ser a liberação das cargas acumuladas, e não a retomada imediata de novos embarques.

“Existe um represamento logístico relevante. Ainda que o fluxo de navegação pelo Estreito de Ormuz seja retomado, é esperado que o mercado global permaneça enfrentando dificuldades, em razão dos constrangimentos logísticos acumulados pelo setor nas últimas semanas. Isso reforça que o cessar‑fogo reduz a tensão, mas não resolve os desequilíbrios estruturais no curto prazo”, conclui Pernías.

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