A atual conjuntura geopolítica global, além do início do acordo Mercosul-União Europeia agora em maio trazem novas oportunidades para as exportações brasileiras de frutas, disseram especialistas, entre os quais o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Guilherme Coelho; e o doutor em Economia e coordenador do Mestrado em Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Felipe Serigatti, nesta terça-feira (24), na capital paulista, durante o primeiro dia da Fruit Attraction São Paulo 2026. Organizado pela IFEMA MADRID e a Fiera Milano Brasil, o evento reúne a cadeia produtiva da fruticultura nacional até esta quinta (26).
Segundo Coelho, com o início do tratado Mercosul-União Europeia, as tarifas para ingresso da fruta brasileira no bloco europeu serão gradativamente reduzidas – a começar pela uva, que terá o imposto zerado já a partir da vigência do acordo. Demais frutas cumprirão diferentes períodos de “carência”, conforme o cronograma a seguir: o abacate terá a tarifa de 4% zerada em quatro anos; limões e limas (14%) em sete; melão e melancia (9%) também em sete anos; e a maçã em dez. “O corte gradual de tarifas vai ampliar a presença das frutas brasileiras no mercado europeu, que já absorve cerca de 70% de nossas vendas externas do setor”, assinala Coelho.
Serigatti, por sua vez, pontuou que os embarques gerais do agro brasileiro apresentam tendência de bom desempenho em volume este ano, mas com a ressalva de preços mais acomodados, o que acarreta em um cenário de margens mais pressionadas para o produtor. No recorte para as frutas, o especialista da FGV acentuou que diante do quadro global pautado por incertezas geopolíticas, o impacto inicial, claro, vem se refletindo no preço do petróleo e também no bloqueio de importantes corredores marítimos, como, por exemplo, o Estreito de Ormuz.
“Tudo isso se reflete em valores de frete mais caros para todos. Todavia, o momento conturbado no Oriente Médio, que interfere em rotas comerciais pode se configurar numa janela de oportunidade para a fruta brasileira, sobretudo as da categoria secas, já que países competidores nesta categoria, que dependem de corredores de exportação naquela região se encontram em situação pior do que o Brasil em relação ao custo do transporte e do fluxo de mercadorias.”