Abelhas nativas são as mais atingidas por pesticidas, mas legislações vigentes não consideram o grupo

Segundo especialistas, leis e políticas públicas vigentes foram baseadas em estudos de toxicidade aplicados unicamente em Apis mellifera - a mais usada na produção do mel -, ignorando o impacto desses produtos nas espécies sem ferrão, fundamentais para a polinização de lavouras e de ambientes naturais.
Abelhas uruçu-nordestina (Melipona scutellaris) / Crédito: Roberta Nocelli
Acompanhe tudo sobre Abelhas e muito mais!

As abelhas são a espécie mais importante do planeta Terra. Pelo menos, é o que diz o Earthwatch Institute, instituição ambientalista com mais de 50 anos de atuação. A distinção não é à toa: esses pequenos insetos desempenham serviços ambientais fundamentais à produção agrícola, trabalhando arduamente para transferir os grãos de pólen de uma flor para outra e, dessa forma, aumentar a produtividade das plantações.

Apesar dessa reconhecida importância, durante a polinização, as abelhas frequentemente ficam expostas à pesticidas que são aplicados nas lavouras para combater pragas. Em contato com esses produtos químicos, as abelhas acabam levando esses produtos tóxicos para dentro dos favos, o que pode causar a mortandade de colmeias inteiras.

No Brasil, as abelhas Apis mellifera (produto de um cruzamento entre espécies europeias e africanas) são resguardadas pela legislação vigente, ou seja, há regras sobre a aplicação de pesticidas que protegem a espécie e minimizam os efeitos nocivos destes produtos sobre elas. No entanto, as abelhas sem ferrão (meliponíneos), que são nativas, não possuem proteção direta e, infelizmente, são as principais afetadas pelos agrotóxicos.

Tal afirmação é apoiada por estudo publicado no início deste ano no periódico Pesticide Biochemistry and Physiology. Nele, pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, no câmpus de Botucatu, em conjunto com cientistas da Universidade Southern Cross, na Austrália, revisaram 115 experimentos de toxicidade envolvendo abelhas sem ferrão e extraíram que, em 72% dos ensaios, as abelhas sem ferrão apresentaram uma maior sensibilidade aos pesticidas. A conclusão serve como alerta e reforça que medidas legislativas não devem ser tomadas unicamente com base em Apis mellifera.

Em entrevista ao Jornal da Unesp, Isabella Lippi, autora principal do artigo, explicou que o grupo de pesquisa não é contra o uso dos pesticidas e reconhece sua importância para a produtividade agrícola. Por meio de seus estudos, os pesquisadores buscam, na verdade, alertar quanto à aplicação racional desses produtos, tentando reduzir ao máximo os efeitos nocivos aos polinizadores. O efeito desses insumos químicos nas abelhas foi objeto do doutorado da pesquisadora realizado na Unesp. Em 2025, o trabalho recebeu menção honrosa no prêmio Capes de Tese e, atualmente, Isabella realiza uma estágio de pós-doutorado na Universidade Southern Cross.

Leia a reportagem completa no Jornal da Unesp.

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Soja: por que o manejo de nematoides está ampliando seu foco no Brasil

2

Citricultura encerra safra 2025/2026 com crescimento de 4,2% na geração de empregos

3

Começa nesta terça-feira, em Foz do Iguaçu, o XXIII Congresso Brasileiro de Sementes

4

Inscrições para Concurso Estadual de Qualidade da Cachaça Paulista estão abertas até setembro

5

Embrapa Gado de Leite reúne líderes do setor para debater o futuro da cadeia produtiva

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

brs-carinás-nova-cultivar-braquiaria.jpg

BRS Carinás: nova cultivar de braquiária ganha destaque na pecuária

dia-do-engenheiro-de-aquicultura

IFC Brasil 2026 debate competitividade da aquicultura brasileira

Arquivo

Ranking Nelore será tema de encontro nacional da ACNB em São Paulo

rastreabilidade-pescado-rmn.jpg

Pesquisa identifica impressão digital química para rastrear a origem do pescado