Exportações brasileiras já sofrem com o tarifaço

IBL World aponta cancelamento de embarques, retração de contratos e insegurança jurídica após anúncio de tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
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Na quinta-feira (31), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma nova ordem executiva ampliando o chamado “tarifaço”. A medida modifica e amplia as alíquotas de exportação aplicadas a diversos países, com taxas que variam entre 10% e 41%. O Brasil foi o mais afetado com uma tarifa de 50% sobre seus produtos, com vigência a partir de 6 de agosto.

Com os Estados Unidos ocupando a segunda posição entre os principais destinos das exportações brasileiras, atrás apenas da China, a decisão pode comprometer seriamente a balança comercial do país, apontam os especialistas. Apesar de quase 700 itens terem sido poupados da sobretaxa, incluindo setores estratégicos como o aeronáutico, energético e agrícola, áreas como café, carne bovina e frutas devem sofrer fortes impactos.

A medida ameaça diretamente a competitividade do Brasil frente ao mercado norte-americano, coloca em risco contratos de exportação. Nos primeiros momentos, os efeitos já começaram a ser sentidos na área de logística internacional.

De acordo com Fernando Balbino, diretor da área Internacional da IBL World – braço global do Grupo IBL, com base própria em Miami (EUA) -, houve uma reação imediata por parte dos exportadores. “Muitos clientes anteciparam os embarques nos últimos 20 dias para tentar driblar os efeitos da tarifa. Tivemos um aumento de 30% no volume de cargas enviadas aos Estados Unidos nesse período. Porém, neste momento, já enfrentamos uma estagnação, pois não há mais tempo hábil para que novas remessas cheguem antes da vigência da medida. Isso está gerando uma onda de insegurança dos dois lados da operação”, explica.

Segundo o executivo, os setores alimentício e de laminados foram os que mais correram para antecipar os envios. “No nosso portfólio, alimentos processados, carnes e laminados metálicos tiveram forte aceleração nas últimas semanas. Agora, porém, os embarques estão represados. Há cancelamentos de bookings e compradores norte-americanos recuando, com receio de como a carga será tarifada na chegada”, endossa.

O executivo alerta que os impactos já são concretos: “Alguns clientes já têm produtos embalados e etiquetados conforme as exigências do mercado americano. Com contratos cancelados ou suspensos, surgem dúvidas logísticas e legais sobre o redirecionamento desses lotes. E, se isso não for possível, o prejuízo é inevitável. Estamos falando de perdas milionárias”, diz.

A IBL World estima que cerca de 40% do seu volume atual de embarques internacionais é destinado aos EUA. Com o tarifaço, a empresa já registra queda no faturamento e tem adotado medidas para mitigar os impactos. Balbino explica que a empresa já está mapeando outras regiões e dialogando a sua carteira de clientes para redirecionar operações. Contudo, aponta ele, qualquer ação tomada agora só deve surtir efeito prático em 90 a 120 dias e que os próximos três meses serão cinzentos em termos de negociação e previsibilidade.

Ele ressalta ainda que o maior desafio é a insegurança jurídica e comercial: “Tanto do lado brasileiro quanto do americano, há incertezas. A falta de clareza sobre como as tarifas serão aplicadas inviabiliza a tomada de decisões e o lançamento de novos projetos”, diz.

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