O milho safrinha, ou segunda safra, representa hoje uma das principais fontes de produção de grãos no Brasil. Com crescente importância no abastecimento interno e nas exportações, esse cultivo exige atenção redobrada do produtor para alcançar bons resultados — principalmente porque ocorre em um período de maior risco climático.
Mesmo com tecnologias avançadas disponíveis, muitos produtores ainda cometem erros que comprometem a produtividade e a rentabilidade da lavoura. Neste artigo, listamos os principais equívocos no cultivo do milho safrinha e como evitá-los com medidas técnicas simples e eficazes.
1. Plantio fora da janela ideal
Erro comum: iniciar o plantio tardiamente, após a melhor janela climática.
Atrasos no plantio expõem a cultura à seca no enchimento de grãos ou a geadas na fase reprodutiva. Para garantir o sucesso do milho safrinha, o ideal é que o plantio ocorra até, no máximo, a primeira quinzena de março nas principais regiões produtoras. Quanto mais cedo for feito após a colheita da soja, melhores são as chances de rendimento.
2. Escolha inadequada do híbrido
Erro comum: optar por sementes com ciclo longo ou baixo potencial produtivo.
Cada ambiente exige híbridos adaptados ao regime hídrico e à altitude local. Para o milho safrinha, é fundamental escolher híbridos precoces ou superprecoces, com bom desempenho sob estresse hídrico e alta resposta ao uso de fertilizantes. A resistência a doenças foliares e à cigarrinha também deve ser prioridade.
3. Adubação desequilibrada
Erro comum: aplicar o mesmo manejo nutricional da safra principal.
A segunda safra tem dinâmica de solo diferente e demanda ajustes na adubação de base e na cobertura nitrogenada. É comum subestimar a necessidade de potássio e enxofre, ou aplicar nitrogênio fora do momento ideal. Faça a recomendação baseada em análise de solo recente e potencial produtivo do híbrido.
4. Má qualidade na semeadura
Erro comum: sementes mal distribuídas, plantio raso ou profundidade irregular.
Problemas na semeadura geram falhas de estande, competição entre plantas e, no fim, perda de produtividade. Verifique a regulagem das plantadeiras, calibre bem os dosadores e mantenha a velocidade de operação adequada.
5. Falhas no controle de plantas daninhas e pragas
Erro comum: iniciar o manejo tardiamente ou com produtos inadequados.
A pressão de pragas como lagarta-do-cartucho, percevejo e, principalmente, a cigarrinha-do-milho, que transmite o complexo de enfezamentos, pode dizimar a lavoura. Além disso, o uso contínuo de mesmo princípio ativo leva à resistência de daninhas como buva e capim-amargoso. Adote manejo integrado de pragas (MIP) e rotação de herbicidas.
6. Subestimar o risco climático
Erro comum: contar com chuvas prolongadas sem considerar previsões climáticas.
O milho safrinha está sujeito a veranicos, estiagens e até geadas. Por isso, é fundamental acompanhar previsões de curto e médio prazo e, se possível, adotar estratégias como plantio escalonado, irrigação complementar (quando viável) e uso de bioestimulantes.
7. Logística de colheita e armazenamento mal planejada
Erro comum: superestimar a capacidade de escoamento e armazenagem.
Em muitos casos, a colheita do milho coincide com outras culturas, e há gargalos na secagem, transporte e armazenagem. Planeje com antecedência para evitar perdas por umidade, grãos ardidos ou ataques de pragas pós-colheita.
Conclusão
Evitar erros no cultivo do milho safrinha é essencial para garantir alta produtividade e rentabilidade na segunda safra. Com planejamento técnico, escolha correta de híbridos, manejo eficiente e atenção ao clima, o produtor consegue explorar o máximo potencial dessa cultura estratégica para o agronegócio brasileiro.
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