Piscicultores em Divinópolis investem na criação de tilápias em tanques suspensos

Publicado em 23 de dezembro de 2024 às 08h17

Última atualização em 9 de março de 2025 às 21h46

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Sustentabilidade e alta produtividade estão entre as vantagens de um sistema que tem ganhado a preferência de piscicultores em Divinópolis e região, no Centro-Oeste de Minas. Trata-se do Sistema de Recirculação de Água, conhecido como RAS. Segundo o coordenador Regional de Pecuária da Emater-MG, Lamartine Wéliton Branquinho, o sistema é bem simples. “O RAS consiste em um método de criação de peixes em bolsões de geomembrana. Nele, a água passa por um tratamento e depois é reutilizada, diminuindo drasticamente a quantidade de água necessária para cada ciclo produtivo”, explica

Ele lembra que além de contribuir com a sustentabilidade, o sistema ainda apresenta como vantagens pouco espaço para a instalação, produção de um peixe de melhor qualidade e alta produção. “Os tanques podem variar de 5 mil até 300 mil litros. Em um tanque de 150 mil litros, por exemplo, o produtor pode colocar até 4,5 mil peixes terminados”, afirma o coordenador.

Entre as desvantagens do RAS, o extensionista da Emater-MG Giovani Chaves, cita o maior custo de implantação em relação ao tanque escavado e a alta demanda de energia elétrica. “Os criadores estão contornando esse problema da energia com a instalação de placas solares, que além de proporcionar uma economia significativa na conta de luz, ainda reduz a possibilidade de os animais morrerem por falta de oxigenação, caso ocorra algum pico de energia”.

Experiências

Adão Alves está na piscicultura há 25 anos. Ele e os sócios têm criação de tilápia, surubim e tambaqui em tanque escavado, na comunidade São José de Pedras, em Itaúna. Há dois anos decidiram apostar em 10 tanques suspensos de vários tamanhos para a criação de tilápias. A experiência tem sido satisfatória, são três toneladas produzidas por mês, em uma área de dois hectares.

“A gente tem um peixe de melhor qualidade, pois não tem contato com barro e além disso apresenta o diferencial de ser um tanque compacto onde você pode criar bastante peixe por metro quadrado”, conta. Um frigorífico terceirizado realiza o abate e a produção é comercializada para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), além de bares e restaurantes do município.

O casal Maria da Conceição Gonzaga e Luiz José Gonzaga, do Povoado Lopes, em Divinópolis, também investiram no RAS. “O Luiz viu na internet e decidimos começar. É uma atividade que não dá tanto trabalho para nós que já somos idosos e ainda distrai”, conta Maria Gonzaga.

Para Luiz José, a experiência também tem sido boa. “Eu entrei nesse sistema há uns quatro anos e só vejo vantagem, porque você tem uma evolução rápida do peixe”, comemora.

A produção do casal é dedicada apenas para o consumo da família e a experiência deles é fonte de inspiração, pois a chácara do Vovô Luiz funciona como unidade demonstrativa para piscicultores do município de Divinópolis e região.

Manejo

Lamartine Branquinho explica que o manejo é simples. “O produtor coloca uma água limpa em um tanque, faz a fertilização para receber os alevinos, onde ficarão por aproximadamente 60 dias. Após esse período, transfere os animais para outro tanque com o objetivo de engorda. Em seguida, para o de depuração, onde ficam por três dias e finalmente vão para o abate. O período do ciclo fica em torno de sete a oito meses”.

O coordenador ainda lembra que o licenciamento ou outorga dependerá da quantidade de criação. Ele ainda ressalta que apesar de ser uma atividade interessante e rentável, é necessário ter um certo conhecimento sobre manejo, pois podem ocorrer imprevistos, gerando assim a mortalidade do tanque inteiro.

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