Solo seco: aplico o nitrogênio ou espero chover?

Corn plants growing in cultivated agricultural field, low angle with soil in foreground and blue sky in background
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Isaías Antonio de Paiva
Consultor e doutorando em Agronomia – Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
paiva.isaiasantonio@gmail.com

Esse é um tema muito complexo – a aplicação de nitrogênio em solo seco só apresenta benefício quando utiliza como fonte de N a ureia, que é o fertilizante nitrogenado mais barato no mercado para fornecimento de N.

Nesse caso, o benefício consiste em realizar a aplicação em solo “seco” pela manhã e à tarde cair uma chuva de no mínimo 20 mm, ou ser realizada uma irrigação com lâmina equivalente.

O solo previamente seco vai evitar que o N da ureia se perca por volatilização, pois a enzima que realiza o processo da urease necessita de umidade para ser iniciada.

Alerta

Entretanto, é preciso sabermos o nível de umidade do solo e a quanto tempo a área está sem chuvas ou irrigação. Em situações em que o solo está seco há poucos dias, mas ainda existe umidade do ar acima de 70%, ele não está verdadeiramente seco, ainda há intensa evaporação, principalmente em situações com temperaturas elevadas, como na maioria das zonas produtivas de milho.

Portanto, precisamos diferenciar com cautela o que é um solo seco de fato. Embora muitos não se atentem, uma evaporação intensa no verão pode provocar principalmente a tão temida volatilização da ureia.

E mais, no fim do verão, quando a temperatura diminui, é comum encontrarmos pela manhã um orvalho intenso, suficiente para propiciar a volatilização do N e insuficiente para incorporá-lo ao solo e diminuir as perdas por volatilização.

Impactos na produtividade do milho

Essa é uma situação extremamente complexa, uma verdadeira sinuca de bico. Deixar de realizar a adubação de cobertura no milho é pior que não realizar a adubação, mesmo considerando as perdas.

Contudo, existem estratégias que podem ser utilizadas para amenizar as perdas. Se a semeadura for realizada já quando não existem muitas expectativas de chuva, um pouco do N pode ser utilizado na base, ou seja, junto à semente.

Não se pode exagerar, pois o adubo pode salinizar e acidificar a região próxima à semente e comprometer a germinação e estabelecimento inicial. Uma alternativa é realizar a adubação de cobertura com incorporação, similar à que ocorre no cultivo da cana-de-açúcar.

Outra possibilidade é utilizar o sulfato de amônio ao invés da ureia nas aplicações a lanço. Este possui grande resiliência quanto à volatilização do N, superior à da ureia. E, por fim, a adubação a lanço pode ser realizada com fertilizantes de liberação lenta ou controlada, sendo que os que possuem a ureia como fonte de N têm desempenho inferior aos que possuem revestimento com partículas orgânicas.

Tecnologias disponíveis

No mercado, atualmente, existem fertilizantes com diversas tecnologias. As duas principais são aquelas que envolvem a redução da atividade da urease e a redução das taxas de nitrificação.

Tais tecnologias visam diminuir principalmente as taxas de volatilização e controlar a liberação de N, prolongando o fornecimento para a cultura e diminuindo perdas como a lixiviação e a desnitrificação, pois o nutriente liberado de forma lenta tende a ser aproveitado na quase totalidade pela planta.

Resultados em campo

Os resultados presentes na literatura mostram que quando utilizados fertilizantes aplicados superficialmente, todos que obtêm ureia na sua formulação, seja a comum ou aquelas com aditivos que visam diminuir a perda por volatilização, tendem a proporcionar resultados em termos de produção de biomassa e produtividade iguais.

Entretanto, os fertilizantes que utilizam sulfato de amônio e alguns organominerais se sobressaem àqueles que utilizam a ureia como fonte de N. Ainda encontramos resultados que mostram que a incorporação é a tecnologia mais eficaz quando a chuva demora dias para ocorrer após a aplicação, e principalmente quando ela não acontece.

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